Acordo UE-Mercosul deve entrar em vigor de forma provisória em março, diz diplomata
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia deve ser aplicado de forma provisória já em março, afirmou um diplomata da UE à agência de notícias Reuters nesta quinta-feira (22). A afirmação vem em um momento de tensões sobre o acordo entre os líderes do bloco. Na quarta-feira, os legisladores da UE deram um golpe no acordo comercial do bloco com o Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai, ao encaminhá-lo ao Tribunal de Justiça da União Europeia, o que pode atrasá-lo em dois anos. "O acordo UE-Mercosul será aplicado provisoriamente assim que o primeiro país do Mercosul o ratificar", disse um diplomata da UE à Reuters. "Provavelmente será o Paraguai em março", acrescentou o diplomata. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Empreendedores alemães e o chanceler Merz condenam atraso. A União Europeia assinou no sábado (17) o seu maior acordo comercial de sempre com os membros do Mercosul, após 25 anos de negociações, e o atraso deixou o governo alemão e muitas empresas consternados. Os defensores do acordo argumentam que ele é importante para compensar as perdas comerciais causadas pelas tarifas americanas e para reduzir a dependência da China. Eles temem que um atraso prejudique a economia europeia. "O revés prejudica a competitividade da Europa e põe em risco os empregos e a prosperidade europeus", disse Tobias Meyer, CEO do grupo de logística DHL, à Reuters. Ele afirmou que seria bom se o pacto pudesse ser implementado enquanto o tribunal investiga o caso. "A Europa não pode se dar ao luxo de ficar ainda mais para trás", acrescentou. O chanceler Friedrich Merz disse aos delegados no Fórum Econômico Mundial, na estância alpina suíça de Davos, na quinta-feira, que lamentava a decisão do Parlamento Europeu. "Mas fiquem tranquilos: não seremos impedidos. O acordo com o Mercosul é justo e equilibrado. Não há alternativa a ele se quisermos um crescimento maior na Europa", disse Merz. Mercosul-UE: Alckmin diz que Brasil 'não vai parar' processo interno e busca garantir aplicação provisória do acordo Os críticos do acordo, liderados pela França, afirmam que ele aumentará as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços baixos, prejudicando os agricultores nacionais. Os agricultores franceses realizaram grandes manifestações em Paris contra o acordo comercial, com centenas de tratores bloqueando ruas e pontos turísticos como a Torre Eiffel. A França afirma que a implementação provisória seria antidemocrática. O presidente da CGB, associação francesa de produtores de beterraba sacarina, rejeitou qualquer possibilidade de o acordo entrar em vigor provisoriamente. "Isso seria uma negação da democracia. Inaceitável!", disse Franck Sander à Reuters. Um porta-voz do ministro da Agricultura da França se recusou a comentar. Aplicar o pacto provisoriamente, enquanto se aguarda a decisão judicial e a aprovação parlamentar, poderá revelar-se politicamente difícil, dada a provável reação negativa, e o Parlamento Europeu manteria o poder de o anular posteriormente. "Se a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ou a União Europeia, impusesse um pedido provisório, tendo em conta a votação que ocorreu em Estrasburgo, isso constituiria uma forma de violação democrática", declarou a porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, à CNews TV, antes dos comentários do diplomata da UE. A Comissão Europeia afirmou que irá dialogar com os governos e legisladores da UE antes de decidir os próximos passos. Os líderes da UE se reúnem ainda nesta quinta-feira em Bruxelas para discutir as tensas relações transatlânticas em função das exigências do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Groenlândia Lula se encontra com president da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na Bélgica em 17 de julho de 2023 Yves Herman/Reuters

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia deve ser aplicado de forma provisória já em março, afirmou um diplomata da UE à agência de notícias Reuters nesta quinta-feira (22). A afirmação vem em um momento de tensões sobre o acordo entre os líderes do bloco. Na quarta-feira, os legisladores da UE deram um golpe no acordo comercial do bloco com o Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai, ao encaminhá-lo ao Tribunal de Justiça da União Europeia, o que pode atrasá-lo em dois anos. "O acordo UE-Mercosul será aplicado provisoriamente assim que o primeiro país do Mercosul o ratificar", disse um diplomata da UE à Reuters. "Provavelmente será o Paraguai em março", acrescentou o diplomata. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Empreendedores alemães e o chanceler Merz condenam atraso. A União Europeia assinou no sábado (17) o seu maior acordo comercial de sempre com os membros do Mercosul, após 25 anos de negociações, e o atraso deixou o governo alemão e muitas empresas consternados. Os defensores do acordo argumentam que ele é importante para compensar as perdas comerciais causadas pelas tarifas americanas e para reduzir a dependência da China. Eles temem que um atraso prejudique a economia europeia. "O revés prejudica a competitividade da Europa e põe em risco os empregos e a prosperidade europeus", disse Tobias Meyer, CEO do grupo de logística DHL, à Reuters. Ele afirmou que seria bom se o pacto pudesse ser implementado enquanto o tribunal investiga o caso. "A Europa não pode se dar ao luxo de ficar ainda mais para trás", acrescentou. O chanceler Friedrich Merz disse aos delegados no Fórum Econômico Mundial, na estância alpina suíça de Davos, na quinta-feira, que lamentava a decisão do Parlamento Europeu. "Mas fiquem tranquilos: não seremos impedidos. O acordo com o Mercosul é justo e equilibrado. Não há alternativa a ele se quisermos um crescimento maior na Europa", disse Merz. Mercosul-UE: Alckmin diz que Brasil 'não vai parar' processo interno e busca garantir aplicação provisória do acordo Os críticos do acordo, liderados pela França, afirmam que ele aumentará as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços baixos, prejudicando os agricultores nacionais. Os agricultores franceses realizaram grandes manifestações em Paris contra o acordo comercial, com centenas de tratores bloqueando ruas e pontos turísticos como a Torre Eiffel. A França afirma que a implementação provisória seria antidemocrática. O presidente da CGB, associação francesa de produtores de beterraba sacarina, rejeitou qualquer possibilidade de o acordo entrar em vigor provisoriamente. "Isso seria uma negação da democracia. Inaceitável!", disse Franck Sander à Reuters. Um porta-voz do ministro da Agricultura da França se recusou a comentar. Aplicar o pacto provisoriamente, enquanto se aguarda a decisão judicial e a aprovação parlamentar, poderá revelar-se politicamente difícil, dada a provável reação negativa, e o Parlamento Europeu manteria o poder de o anular posteriormente. "Se a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ou a União Europeia, impusesse um pedido provisório, tendo em conta a votação que ocorreu em Estrasburgo, isso constituiria uma forma de violação democrática", declarou a porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, à CNews TV, antes dos comentários do diplomata da UE. A Comissão Europeia afirmou que irá dialogar com os governos e legisladores da UE antes de decidir os próximos passos. Os líderes da UE se reúnem ainda nesta quinta-feira em Bruxelas para discutir as tensas relações transatlânticas em função das exigências do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Groenlândia Lula se encontra com president da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na Bélgica em 17 de julho de 2023 Yves Herman/Reuters
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