Controle da Venezuela, recados a Cuba e Colômbia e crítica a Maria Corina: os pontos-chave do discurso de Trump após captura de Maduro

Trump detalhou planos americanos para Venezuela em coletiva de imprensa Getty Images via BBC O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou um pronunciamento à nação neste sábado (3) após a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro e o ataque em grande escala contra o país sul-americano. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Em uma coletiva de imprensa na Flórida, ele afirmou que seu governo deve administrar a Venezuela até que uma transição seja concluída e que os EUA ficarão no controle até que possam "realizar uma transição segura, adequada e criteriosa". O presidente americano não estabeleceu um prazo limite para a ocupação americana. Segundo ele, caberia aos Estados Unidos decidir quando o país retornaria ao controle venezuelano. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Explosões foram ouvidas na capital venezuelana, Caracas, a partir das 2h de sábado (3h no horário de Brasília). O governo da Venezuela denunciou o ataque como uma "agressão militar" dos Estados Unidos. Em seu discurso, Trump não esclareceu qual mecanismo exato usará para governar o país. LEIA TAMBÉM Lançadores de mísseis, navios para desembarque terrestre e submarino: o arsenal militar dos EUA na Venezuela; INFOGRÁFICO: como os EUA cercaram a Venezuela em operação que ameaça Maduro; Venezuela declara emergência após ataque dos EUA O republicano sugeriu que uma equipe comandada pelos membros do seu governo, entre eles Rubio e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, deve trabalhar junta para administrar a Venezuela até que uma transição seja concluída. "Estamos designando pessoas agora" e "vamos informar quem são essas pessoas", disse, ao ser pressionado por jornalistas sobre como funcionará o governo na Venezuela. Trump chamou Maduro de "ditador ilegítimo" responsável pela entrada de "quantidades colossais de drogas ilícitas mortais" nos EUA e o acusou de chefiar o Cartel de los Soles. Os Estados Unidos acusam Nicolás Maduro de liderar uma organização internacional de tráfico de drogas — algo que Maduro nega. Após sua captura, Maduro foi indiciado nos Estados Unidos por "narcoterrorismo" e outras acusações. O presidente americano afirmou ainda que todas as figuras políticas e militares da Venezuela devem entender que o que aconteceu com Maduro pode acontecer com elas. "O povo venezuelano está livre novamente", disse. Reuters via BBC Durante o pronunciamento à imprensa, o presidente americano afirmou que a economia petrolífera na Venezuela está um "fracasso" e acrescentou que os EUA estão "prontos" para realizar um segundo ataque "muito maior" ao país, se necessário. "Não queremos que outra pessoa assuma o poder e nos deparemos com a mesma situação que tivemos nos últimos anos. Portanto, vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e criteriosa, e ela precisa ser criteriosa. Porque é isso que nos define." Ele continuou dizendo que a "parceria" dos EUA com a Venezuela tornará o povo venezuelano "rico, independente e seguro". "Eles não vão mais sofrer", disse na coletiva de imprensa. Questionado por jornalistas se os EUA "administrarem" a Venezuela significaria tropas americanas em solo venezuelano, Trump não descartou a possibilidade de tropas americanas na Venezuela no futuro. "Vamos garantir que esse país seja administrado corretamente", afirmou. Trump disse ainda que Marco Rubio, secretário de Estado, está em contato com a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez, que concordou em fazer o que os EUA "precisam" para a transição. "Ela foi bastante graciosa, eu acho", disse Trump sobre Rodríguez. Ele também foi questionado se teve contato com a líder da oposição venezuelana e ganhadora do Nobel da Paz, Maria Corina Machado. Ele afirmou que não falou com ela, mas que seria "muito difícil" para Machado liderar a Venezuela. Embora ela seja uma "mulher muito simpática", continuou Trump, "ela não tem o apoio nem o respeito necessários dentro do país". Trump divulgou foto de Maduro após sua captura Reprodução Como foi o ataque e a captura de Maduro O ataque deste sábado foi condenado por China, Irã, Rússia e boa parte dos líderes da América Latina, mas o presidente argentino, Javier Milei, celebrou o "avanço da liberdade". Por sua vez, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o ataque é "inaceitável", viola a soberania venezuelana e abre um "precedente perigoso". Na coletiva na Flórida, o Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, descreveu a operação desta manhã como "uma grande operação conjunta das forças militares e policiais, executada com perfeição". Maduro "teve sua chance, assim como o Irã teve a sua", disse Hegseth. Segundo a rede americana CBS, parceira da BBC nos Estados Unidos, "o presidente Trump ordenou os ataques em várias partes da Venezuela, incluindo instalações militares". Uma fonte da CIA dentro do governo venezuelano ajudou os EUA a rastrear a localização de Maduro antes de sua captura pela Força Delta do Exército dos

Jan 4, 2026 - 01:30
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Controle da Venezuela, recados a Cuba e Colômbia e crítica a Maria Corina: os pontos-chave do discurso de Trump após captura de Maduro

Trump detalhou planos americanos para Venezuela em coletiva de imprensa Getty Images via BBC O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou um pronunciamento à nação neste sábado (3) após a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro e o ataque em grande escala contra o país sul-americano. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Em uma coletiva de imprensa na Flórida, ele afirmou que seu governo deve administrar a Venezuela até que uma transição seja concluída e que os EUA ficarão no controle até que possam "realizar uma transição segura, adequada e criteriosa". O presidente americano não estabeleceu um prazo limite para a ocupação americana. Segundo ele, caberia aos Estados Unidos decidir quando o país retornaria ao controle venezuelano. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Explosões foram ouvidas na capital venezuelana, Caracas, a partir das 2h de sábado (3h no horário de Brasília). O governo da Venezuela denunciou o ataque como uma "agressão militar" dos Estados Unidos. Em seu discurso, Trump não esclareceu qual mecanismo exato usará para governar o país. LEIA TAMBÉM Lançadores de mísseis, navios para desembarque terrestre e submarino: o arsenal militar dos EUA na Venezuela; INFOGRÁFICO: como os EUA cercaram a Venezuela em operação que ameaça Maduro; Venezuela declara emergência após ataque dos EUA O republicano sugeriu que uma equipe comandada pelos membros do seu governo, entre eles Rubio e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, deve trabalhar junta para administrar a Venezuela até que uma transição seja concluída. "Estamos designando pessoas agora" e "vamos informar quem são essas pessoas", disse, ao ser pressionado por jornalistas sobre como funcionará o governo na Venezuela. Trump chamou Maduro de "ditador ilegítimo" responsável pela entrada de "quantidades colossais de drogas ilícitas mortais" nos EUA e o acusou de chefiar o Cartel de los Soles. Os Estados Unidos acusam Nicolás Maduro de liderar uma organização internacional de tráfico de drogas — algo que Maduro nega. Após sua captura, Maduro foi indiciado nos Estados Unidos por "narcoterrorismo" e outras acusações. O presidente americano afirmou ainda que todas as figuras políticas e militares da Venezuela devem entender que o que aconteceu com Maduro pode acontecer com elas. "O povo venezuelano está livre novamente", disse. Reuters via BBC Durante o pronunciamento à imprensa, o presidente americano afirmou que a economia petrolífera na Venezuela está um "fracasso" e acrescentou que os EUA estão "prontos" para realizar um segundo ataque "muito maior" ao país, se necessário. "Não queremos que outra pessoa assuma o poder e nos deparemos com a mesma situação que tivemos nos últimos anos. Portanto, vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e criteriosa, e ela precisa ser criteriosa. Porque é isso que nos define." Ele continuou dizendo que a "parceria" dos EUA com a Venezuela tornará o povo venezuelano "rico, independente e seguro". "Eles não vão mais sofrer", disse na coletiva de imprensa. Questionado por jornalistas se os EUA "administrarem" a Venezuela significaria tropas americanas em solo venezuelano, Trump não descartou a possibilidade de tropas americanas na Venezuela no futuro. "Vamos garantir que esse país seja administrado corretamente", afirmou. Trump disse ainda que Marco Rubio, secretário de Estado, está em contato com a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez, que concordou em fazer o que os EUA "precisam" para a transição. "Ela foi bastante graciosa, eu acho", disse Trump sobre Rodríguez. Ele também foi questionado se teve contato com a líder da oposição venezuelana e ganhadora do Nobel da Paz, Maria Corina Machado. Ele afirmou que não falou com ela, mas que seria "muito difícil" para Machado liderar a Venezuela. Embora ela seja uma "mulher muito simpática", continuou Trump, "ela não tem o apoio nem o respeito necessários dentro do país". Trump divulgou foto de Maduro após sua captura Reprodução Como foi o ataque e a captura de Maduro O ataque deste sábado foi condenado por China, Irã, Rússia e boa parte dos líderes da América Latina, mas o presidente argentino, Javier Milei, celebrou o "avanço da liberdade". Por sua vez, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o ataque é "inaceitável", viola a soberania venezuelana e abre um "precedente perigoso". Na coletiva na Flórida, o Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, descreveu a operação desta manhã como "uma grande operação conjunta das forças militares e policiais, executada com perfeição". Maduro "teve sua chance, assim como o Irã teve a sua", disse Hegseth. Segundo a rede americana CBS, parceira da BBC nos Estados Unidos, "o presidente Trump ordenou os ataques em várias partes da Venezuela, incluindo instalações militares". Uma fonte da CIA dentro do governo venezuelano ajudou os EUA a rastrear a localização de Maduro antes de sua captura pela Força Delta do Exército dos EUA, segundo apurou a CBS, conforme noticiado inicialmente pelo jornal The New York Times. A fonte fazia parte de uma extensa rede de inteligência que contribuiu para a operação, resultado de meses de planejamento meticuloso e parceria entre a CIA e o Departamento de Defesa americano. Até o momento, o BBC Verify, serviço de checagem de informações da BBC, confirmou ataques em quatro locais no país: a Base Aérea Generalíssimo Francisco de Miranda; o Porto La Guaira; o Aeroporto Higuerote; e o Forte Tiuna. Também presente no pronunciamento, o general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto americano, compartilhou detalhes do planejamento da operação que capturou Nicolás Maduro, apelidada de "Operação Resolução Absoluta". O militar afirmou que as forças armadas dos EUA mantiveram "totalmente o elemento surpresa", desmantelando e desativando os sistemas de defesa aérea venezuelanos. Segundo ele, ao chegarem ao complexo onde Maduro estava, os helicópteros americanos "foram alvejados" e responderam com "força esmagadora". Um helicóptero foi atingido, mas todas as aeronaves americanas conseguiram retornar à base, afirma ele. Maduro e sua esposa então "desistiram" e foram detidos pelo Departamento de Justiça e embarcados no porta-aviões USS Iwo Jima. Maduro foi capturado junto com sua esposa por forças dos EUA, disse Trump Getty Images via BBC O militar descreveu a ação como "discreta" e "precisa", e afirma que exigiu "todos os componentes" das forças conjuntas, incluindo soldados, marinheiros, aviadores, fuzileiros navais e outros, "trabalhando em uníssono" com agências de inteligência e forças policiais. Segundo Caine, a "extração" de Maduro foi tão precisa que exigiu mais de 150 aeronaves, todas convergindo no lugar e na hora certos. Sobre o trabalho preparatório, ele se refere a "meses" de trabalho de inteligência, descobrindo detalhes sobre Maduro, incluindo onde ele morava e o que comia. Ataque é auge de escalada de tensão entre EUA e Venezuela Um incêndio no Forte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, é visto à distância após uma série de explosões em Caracas, em 3 de janeiro de 2026 Getty Images via BBC O ataque americano à Venezuela e a captura de Maduro são o auge da escalada nas tensões militares com a Venezuela que já dura meses. A chegada de Trump ao poder no começo de 2025 nos Estados Unidos marcou o início de um crescente nas hostilidades americanas contra Caracas. O primeiro ato do presidente sobre a Venezuela, em fevereiro, foi designar organizações criminosas do país como grupos terroristas. Isso abriu caminho para deportações nos EUA de dezenas de venezuelanos — que foram acusados pelo governo americano de integrarem esses grupos. As deportações acabaram suspensas por uma decisão da Justiça americana. Em agosto, os EUA aumentaram a recompensa por informações que levassem à prisão do presidente Nicolás Maduro; e começaram a enviar navios, jatos e um submarino nuclear ao mar do Caribe. Em setembro, forças americanas começaram a atacar barcos no Caribe e no Pacífico. O governo americano diz que as embarcações estavam transportando drogas da América do Sul para os EUA. Desde setembro, os Estados Unidos lançaram 30 ataques contra o que dizem ser embarcações usadas para o tráfico de drogas, mirando navios no Pacífico e no Caribe. Mais de 110 pessoas morreram desde que os EUA realizaram seu primeiro ataque contra uma embarcação em águas internacionais, em 2 de setembro. Mais recentemente, há relatos de conversas telefônicas entre Trump e Maduro — com um ultimato do governo americano para que o venezuelano deixe o país. Os EUA também autorizaram operações especiais da agência de inteligência CIA na Venezuela e ameaçaram realizar uma ação terrestre no país. No final de novembro, o governo americano fechou o espaço aéreo venezuelano. Cidadãos americanos receberam a recomendação de não visitar a Venezuela ou deixar o país, caso estejam lá. Em dezembro, Trump anunciou que ordenou um bloqueio "total e completo" de todos os petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela. Os EUA haviam oferecido uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro.

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