Diplomatas estrangeiros no Brasil avaliam reconhecer rapidamente ganhador das eleições e temem reação de Trump
Flávio Bolsonaro, Donald Trump e Lula Montagem - Wilton Junior/Estadão Conteúdo; REUTERS/Nathan Howard; REUTERS/Adriano Machado Diplomatas estrangeiros em Brasília estão avaliando reconhecer rapidamente quem quer que seja o vencedor do segundo turno da eleição presidencial de domingo, disseram quatro embaixadores à Reuters, com o objetivo de evitar quaisquer tentativas vindas de fora do país de declarar prematuramente a vitória de qualquer um dos candidatos. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp No entanto, eles ainda não formalizaram um plano, com várias missões diplomáticas ainda discutindo com seus governos sobre a melhor forma de proceder, acrescentaram as fontes. O senador Flávio Bolsonaro (PL), que terminou o primeiro turno no início do mês na liderança, está empatado com o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 50% dos votos válidos, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira. Dois embaixadores disseram à Reuters que temem que o presidente dos EUA, Donald Trump, ou seu governo, possam questionar o resultado caso Lula vença por uma margem estreita. “Não me surpreenderia se Trump ou (o presidente argentino de direita Javier) Milei declarassem Bolsonaro vencedor antes mesmo das autoridades eleitorais”, disse um embaixador, acrescentando temer que tal cenário possa provocar uma grave crise institucional. Agora no g1 O embaixador, que falou sob condição de anonimato devido à delicadeza do assunto, disse que não estava envolvido em discussões com outros governos. O Departamento de Estado dos EUA e a embaixada norte-americana em Brasília não responderam às perguntas sobre se Trump se comprometeria a reconhecer o vencedor do segundo turno conforme for anunciado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do Brasil. O tribunal não respondeu a um pedido de comentário. Um embaixador disse que sua preocupação com Trump surge após os comentários do líder norte-americano sobre recentes eleições na América Latina, incluindo a eleição presidencial de 2025 em Honduras. Em meio a atrasos na apuração dos votos, Trump alegou fraude sem apresentar provas e disse que haveria “consequências terríveis” se Honduras alterasse os resultados preliminares que colocavam seu candidato preferido na liderança. Um reconhecimento prematuro por parte de Trump ou de outra pessoa “poderia levar a uma crise institucional que ninguém deseja”, disse esse embaixador. 'Confiança no sistema brasileiro' Nas eleições de 2022 no Brasil, governos estrangeiros, incluindo os Estados Unidos, a União Europeia e muitos países latino-americanos, desempenharam um papel importante ao reconhecer a vitória de Lula sobre o então presidente Jair Bolsonaro, que se recusou a admitir a derrota durante dias. Jair Bolsonaro, pai de Flávio, foi posteriormente condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado depois que sua derrota naquelas eleições levou seus apoiadores a invadirem violentamente as sedes dos Três Poderes. “Nosso principal objetivo é reconhecer o resultado de uma eleição que esperamos que seja realizada de acordo com bons padrões. Temos confiança no sistema eleitoral brasileiro”, disse um embaixador europeu à Reuters, acrescentando que “a rapidez é a principal preocupação”. Flávio Bolsonaro ficou à frente de Lula no primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, o que fez os mercados dispararem com o otimismo de que ele estava bem posicionado para vencer e aprovar reformas econômicas que favorecem as empresas, com a ajuda de um novo Congresso dominado por seus aliados. Flávio mantém uma pequena vantagem sobre Lula nas pesquisas à medida que se aproxima o segundo turno, mas as pesquisas sugerem que essa vantagem está diminuindo à medida que a votação se aproxima. “Se Lula vencer, especialmente por uma margem estreita, é inevitável que pelo menos alguns digam que a votação foi, de alguma forma, fraudada a seu favor”, disse um embaixador, que afirmou que esse cenário hipotético aumenta a pressão sobre as autoridades eleitorais brasileiras e os observadores internacionais para que confirmem rapidamente o resultado da votação. Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getulio Vargas de São Paulo, disse que a eventual recusa de Trump em reconhecer rapidamente uma vitória de Lula seria um ponto baixo nas relações bilaterais. “Acho que esse é um cenário que precisamos manter no radar”, disse. Os embaixadores ouvidos pela Reuters expressaram confiança no processo eleitoral e nas instituições brasileiras, e afirmaram que as preocupações não se referiam a um candidato específico, mas ao possível negacionismo eleitoral, que poderia afetar a confiança já em declínio nas instituições democráticas do Brasil. “Não me importa se Lula ou Bolsonaro vencer”, disse um embaixador. “O que me importa é o estado da democracia brasileira após esta eleição.”

Flávio Bolsonaro, Donald Trump e Lula Montagem - Wilton Junior/Estadão Conteúdo; REUTERS/Nathan Howard; REUTERS/Adriano Machado Diplomatas estrangeiros em Brasília estão avaliando reconhecer rapidamente quem quer que seja o vencedor do segundo turno da eleição presidencial de domingo, disseram quatro embaixadores à Reuters, com o objetivo de evitar quaisquer tentativas vindas de fora do país de declarar prematuramente a vitória de qualquer um dos candidatos. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp No entanto, eles ainda não formalizaram um plano, com várias missões diplomáticas ainda discutindo com seus governos sobre a melhor forma de proceder, acrescentaram as fontes. O senador Flávio Bolsonaro (PL), que terminou o primeiro turno no início do mês na liderança, está empatado com o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 50% dos votos válidos, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira. Dois embaixadores disseram à Reuters que temem que o presidente dos EUA, Donald Trump, ou seu governo, possam questionar o resultado caso Lula vença por uma margem estreita. “Não me surpreenderia se Trump ou (o presidente argentino de direita Javier) Milei declarassem Bolsonaro vencedor antes mesmo das autoridades eleitorais”, disse um embaixador, acrescentando temer que tal cenário possa provocar uma grave crise institucional. Agora no g1 O embaixador, que falou sob condição de anonimato devido à delicadeza do assunto, disse que não estava envolvido em discussões com outros governos. O Departamento de Estado dos EUA e a embaixada norte-americana em Brasília não responderam às perguntas sobre se Trump se comprometeria a reconhecer o vencedor do segundo turno conforme for anunciado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do Brasil. O tribunal não respondeu a um pedido de comentário. Um embaixador disse que sua preocupação com Trump surge após os comentários do líder norte-americano sobre recentes eleições na América Latina, incluindo a eleição presidencial de 2025 em Honduras. Em meio a atrasos na apuração dos votos, Trump alegou fraude sem apresentar provas e disse que haveria “consequências terríveis” se Honduras alterasse os resultados preliminares que colocavam seu candidato preferido na liderança. Um reconhecimento prematuro por parte de Trump ou de outra pessoa “poderia levar a uma crise institucional que ninguém deseja”, disse esse embaixador. 'Confiança no sistema brasileiro' Nas eleições de 2022 no Brasil, governos estrangeiros, incluindo os Estados Unidos, a União Europeia e muitos países latino-americanos, desempenharam um papel importante ao reconhecer a vitória de Lula sobre o então presidente Jair Bolsonaro, que se recusou a admitir a derrota durante dias. Jair Bolsonaro, pai de Flávio, foi posteriormente condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado depois que sua derrota naquelas eleições levou seus apoiadores a invadirem violentamente as sedes dos Três Poderes. “Nosso principal objetivo é reconhecer o resultado de uma eleição que esperamos que seja realizada de acordo com bons padrões. Temos confiança no sistema eleitoral brasileiro”, disse um embaixador europeu à Reuters, acrescentando que “a rapidez é a principal preocupação”. Flávio Bolsonaro ficou à frente de Lula no primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, o que fez os mercados dispararem com o otimismo de que ele estava bem posicionado para vencer e aprovar reformas econômicas que favorecem as empresas, com a ajuda de um novo Congresso dominado por seus aliados. Flávio mantém uma pequena vantagem sobre Lula nas pesquisas à medida que se aproxima o segundo turno, mas as pesquisas sugerem que essa vantagem está diminuindo à medida que a votação se aproxima. “Se Lula vencer, especialmente por uma margem estreita, é inevitável que pelo menos alguns digam que a votação foi, de alguma forma, fraudada a seu favor”, disse um embaixador, que afirmou que esse cenário hipotético aumenta a pressão sobre as autoridades eleitorais brasileiras e os observadores internacionais para que confirmem rapidamente o resultado da votação. Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getulio Vargas de São Paulo, disse que a eventual recusa de Trump em reconhecer rapidamente uma vitória de Lula seria um ponto baixo nas relações bilaterais. “Acho que esse é um cenário que precisamos manter no radar”, disse. Os embaixadores ouvidos pela Reuters expressaram confiança no processo eleitoral e nas instituições brasileiras, e afirmaram que as preocupações não se referiam a um candidato específico, mas ao possível negacionismo eleitoral, que poderia afetar a confiança já em declínio nas instituições democráticas do Brasil. “Não me importa se Lula ou Bolsonaro vencer”, disse um embaixador. “O que me importa é o estado da democracia brasileira após esta eleição.”
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