Estados Unidos deixam organização global dedicada à prevenção do 'extremismo violento'

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Getty Images via BBC Uma organização global dedicada à prevenção do extremismo violento afirmou nesta sexta-feira (9) que os Estados Unidos cometeram um erro ao retirar seu apoio, justamente no momento em que cresce o risco de ataques de grupos militantes no Oriente Médio e na região do Sahel, na África. O Fundo Global para Engajamento Comunitário e Resiliência (GCERF, na sigla em inglês), que apoia programas de prevenção em dezenas de países com comunidades vulneráveis ao extremismo, apareceu na quarta-feira (7) em um memorando da Casa Branca que anunciava a saída dos EUA de 35 agências internacionais e 31 entidades da ONU, consideradas contrárias aos interesses americanos. LEIA TAMBÉM: Trump retira EUA de fundo da ONU para democracia que financiou mais de US$ 2 milhões em projetos no Brasil Guterres lamenta a decisão dos EUA de sair de dezenas de entidades vinculadas à ONU Trump diz estar disposto a sacrificar a Otan para conseguir a Groenlândia e que 'não precisa' do direito internacional O diretor do GCERF, o Dr. Khalid Koser, afirmou que a decisão foi inesperada, sem explicações, e reflete uma mudança ideológica mais profunda no governo do presidente dos EUA, Donald Trump, que passou a se afastar de programas multilaterais de prevenção e a priorizar medidas de contraterrorismo com foco na segurança. “Acho que é um erro retirar esse componente fundamental da prevenção. Mas não acredito que esta administração acredite em prevenção”, disse Koser à Reuters. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da agência. Segundo Koser, os riscos de violência extremista estão mais altos do que em qualquer momento desde as revoltas da Primavera Árabe, em 2011. Ele citou como exemplos o Afeganistão, o Sahel e os campos no nordeste da Síria que abrigam dezenas de milhares de familiares de membros do Estado Islâmico — além de uma nova geração em risco de radicalização após a guerra em Gaza. “Se você não trabalha na prevenção, então, em 10 anos, terá muitos terroristas e muitos problemas”, afirmou. Reforçando o afastamento dos EUA de organismos de cooperação multilateral sob a política “America First”, a Casa Branca também anunciou a saída do país do Fórum Global de Contraterrorismo, que reúne 30 nações. Os Estados Unidos ajudaram a criar um programa do GCERF no nordeste da Síria voltado à reintegração de famílias ligadas a antigos círculos do Estado Islâmico. Koser afirmou que, embora o trabalho do fundo continue, a saída dos EUA representa a perda de um ator importante e é difícil de entender, já que a agenda do GCERF segue alinhada aos interesses nacionais americanos. Com outras agências internacionais reduzindo suas atividades após cortes expressivos na ajuda externa dos EUA no ano passado, o GCERF afirmou que passou a carregar praticamente sozinho o peso da prevenção global. O orçamento anual de US$ 50 milhões, segundo a entidade, não aumentou para compensar as lacunas crescentes. O Índice Global de Terrorismo de 2025, divulgado pelo Instituto de Economia e Paz, mostrou que o número de países que registraram ataques terroristas subiu de 58 para 66 em 2024, revertendo quase uma década de avanços.

Jan 9, 2026 - 11:30
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Estados Unidos deixam organização global dedicada à prevenção do 'extremismo violento'

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Getty Images via BBC Uma organização global dedicada à prevenção do extremismo violento afirmou nesta sexta-feira (9) que os Estados Unidos cometeram um erro ao retirar seu apoio, justamente no momento em que cresce o risco de ataques de grupos militantes no Oriente Médio e na região do Sahel, na África. O Fundo Global para Engajamento Comunitário e Resiliência (GCERF, na sigla em inglês), que apoia programas de prevenção em dezenas de países com comunidades vulneráveis ao extremismo, apareceu na quarta-feira (7) em um memorando da Casa Branca que anunciava a saída dos EUA de 35 agências internacionais e 31 entidades da ONU, consideradas contrárias aos interesses americanos. LEIA TAMBÉM: Trump retira EUA de fundo da ONU para democracia que financiou mais de US$ 2 milhões em projetos no Brasil Guterres lamenta a decisão dos EUA de sair de dezenas de entidades vinculadas à ONU Trump diz estar disposto a sacrificar a Otan para conseguir a Groenlândia e que 'não precisa' do direito internacional O diretor do GCERF, o Dr. Khalid Koser, afirmou que a decisão foi inesperada, sem explicações, e reflete uma mudança ideológica mais profunda no governo do presidente dos EUA, Donald Trump, que passou a se afastar de programas multilaterais de prevenção e a priorizar medidas de contraterrorismo com foco na segurança. “Acho que é um erro retirar esse componente fundamental da prevenção. Mas não acredito que esta administração acredite em prevenção”, disse Koser à Reuters. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da agência. Segundo Koser, os riscos de violência extremista estão mais altos do que em qualquer momento desde as revoltas da Primavera Árabe, em 2011. Ele citou como exemplos o Afeganistão, o Sahel e os campos no nordeste da Síria que abrigam dezenas de milhares de familiares de membros do Estado Islâmico — além de uma nova geração em risco de radicalização após a guerra em Gaza. “Se você não trabalha na prevenção, então, em 10 anos, terá muitos terroristas e muitos problemas”, afirmou. Reforçando o afastamento dos EUA de organismos de cooperação multilateral sob a política “America First”, a Casa Branca também anunciou a saída do país do Fórum Global de Contraterrorismo, que reúne 30 nações. Os Estados Unidos ajudaram a criar um programa do GCERF no nordeste da Síria voltado à reintegração de famílias ligadas a antigos círculos do Estado Islâmico. Koser afirmou que, embora o trabalho do fundo continue, a saída dos EUA representa a perda de um ator importante e é difícil de entender, já que a agenda do GCERF segue alinhada aos interesses nacionais americanos. Com outras agências internacionais reduzindo suas atividades após cortes expressivos na ajuda externa dos EUA no ano passado, o GCERF afirmou que passou a carregar praticamente sozinho o peso da prevenção global. O orçamento anual de US$ 50 milhões, segundo a entidade, não aumentou para compensar as lacunas crescentes. O Índice Global de Terrorismo de 2025, divulgado pelo Instituto de Economia e Paz, mostrou que o número de países que registraram ataques terroristas subiu de 58 para 66 em 2024, revertendo quase uma década de avanços.

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