EUA negam desejo de substituir Irã por Itália na Copa do Mundo

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, fala com repórteres no dia das reuniões informativas confidenciais para o Senado e a Câmara dos Representantes dos EUA sobre a situação no Irã REUTERS/Elizabeth Frantz O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou na quinta-feira (23) que o governo Trump esteja buscando excluir o Irã da Copa do Mundo e colocar a Itália em seu lugar, rechaçando uma polêmica envolvendo a guerra no Oriente Médio e o torneio de futebol mais importante do mundo. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp As especulações surgiram após as declarações de um assessor de Donald Trump ao jornal britânico "Financial Times", em que ele disse ter sugerido ao presidente dos EUA e ao mandatário da Fifa, Gianni Infantino, substituir o Irã pela Itália no torneio que acontece de 11 de junho a 19 de julho. A seleção italiana não se classificou para o torneio após ter sido eliminado na repescagem pela Bósnia. Mesmo assim, a Itália classificou como "vergonhosa" e "ofensiva" a proposta do assessor de Trump. "Não sei de onde saiu isso, são especulações de que o Irã poderia decidir não vir e que a Itália ocuparia o seu lugar", disse Rubio a jornalistas na Casa Branca. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A seleção do Irã está no centro das atenções pelas tensões derivadas da guerra com os EUA e as restrições migratórias vigentes. Rubio sustentou que essas medidas não afetam os jogadores, mas há dúvidas sobre o acesso de acompanhantes da delegação e torcedores iranianos ao país durante o torneio, do qual México e Canadá também são coorganizadores. "O problema com o Irã não seriam seus atletas, mas algumas das outras pessoas que gostariam de trazer consigo, algumas das quais têm vínculos com o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica [o exército ideológico do Irã]. Talvez não possamos deixá-los entrar, mas os próprios atletas certamente poderão", disse o secretário de Estado. Se os jogadores iranianos "decidirem não vir por iniciativa própria, é porque optaram por não vir. (...) O que não podem fazer é trazer ao nosso país um montão de terroristas fingindo que são jornalistas e preparadores físicos", completou Rubio. Em meados de março, porém, Trump estimou que a seleção iraniana não estaria "a salvo" se viesse aos Estados Unidos. O Irã deve disputar suas partidas do Grupo G em Los Angeles, contra Nova Zelândia (16 de junho) e Bélgica (21 de junho), e depois em Seattle, contra o Egito (27 de junho). Está previsto que seu alojamento base seja em Tucson, no Arizona. Rejeição total na Itália Itália é eliminada da Copa do Mundo REUTERS/Matteo Ciambelli Enquanto a guerra no Oriente Médio gera dúvidas sobre a participação iraniana, o assessor de Trump Paolo Zampolli disse nesta quinta ao "Financial Times" que havia apresentado este improvável cenário de substituir o Irã pela Itália a Trump e Infantino. "Sou italiano de nascimento e seria um sonho ver a 'Squadra Azzurra' em um torneio organizado nos Estados Unidos. Com quatro títulos, tem o pedigree para justificar sua inclusão", declarou o assessor do presidente americano. Em 2022, após o fracasso anterior da 'Azzurra' nas eliminatórias para a Copa do Catar, houve apelos - sem sucesso - à Fifa para que desclassificasse o Irã por conta de violações de direitos humanos relacionadas à sua repressão policial, para que a Itália pudesse voltar a um Mundial. Os dirigentes italianos, no entanto, descartam essa opção. "Em primeiro lugar, não é possível. Em segundo lugar, não seria apropriado, você deve se classificar no campo", afirmou o ministro dos Esportes italiano, Andrea Abodi, citado pelas agências italianas Ansa e AGI. O presidente do Comitê Olímpico Nacional Italiano (CONI), Luciano Buonfiglio, garantiu que se sentiria "ofendido" se a Itália se classificasse dessa maneira. "É preciso conquistar a vaga na Copa do Mundo", frisou, segundo as agências italianas. LEIA TAMBÉM: Fifa não trocará Irã por Itália na Copa a pedido dos EUA, diz TV 'Vergonhoso', 'ofensivo': Itália reage à proposta dos EUA para substituir o Irã na Copa do Mundo Enviado de Trump pede que Fifa troque Irã por Itália na Copa do Mundo, diz jornal Fifa decide por conta própria A "Squadra Azzurra" não participará da Copa do Mundo pela terceira vez consecutiva, após ser eliminada pela Bósnia e Herzegovina no final de março, na repescagem das eliminatórias europeias. Ao ser consultada pela agência de notícias AFP, a entidade máxima do futebol mundial relembrou declarações recentes de Infantino, cuja conivência explícita com Trump tem gerado críticas. "O Irã estará na Copa" e disputará, como está previsto, suas partidas da primeira fase nos Estados Unidos, afirmou o presidente da Fifa à AFP no final de março. "O Irã deve vir, representam o seu povo, se classificaram, os jogadores querem jogar", declarou depois, em meados de abril, durante uma conferência econômica em Washington, com a esperança de que o Oriente Médio recuperasse logo uma "situação pacífica". No iní

abril 24, 2026 - 07:00
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EUA negam desejo de substituir Irã por Itália na Copa do Mundo

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, fala com repórteres no dia das reuniões informativas confidenciais para o Senado e a Câmara dos Representantes dos EUA sobre a situação no Irã REUTERS/Elizabeth Frantz O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou na quinta-feira (23) que o governo Trump esteja buscando excluir o Irã da Copa do Mundo e colocar a Itália em seu lugar, rechaçando uma polêmica envolvendo a guerra no Oriente Médio e o torneio de futebol mais importante do mundo. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp As especulações surgiram após as declarações de um assessor de Donald Trump ao jornal britânico "Financial Times", em que ele disse ter sugerido ao presidente dos EUA e ao mandatário da Fifa, Gianni Infantino, substituir o Irã pela Itália no torneio que acontece de 11 de junho a 19 de julho. A seleção italiana não se classificou para o torneio após ter sido eliminado na repescagem pela Bósnia. Mesmo assim, a Itália classificou como "vergonhosa" e "ofensiva" a proposta do assessor de Trump. "Não sei de onde saiu isso, são especulações de que o Irã poderia decidir não vir e que a Itália ocuparia o seu lugar", disse Rubio a jornalistas na Casa Branca. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A seleção do Irã está no centro das atenções pelas tensões derivadas da guerra com os EUA e as restrições migratórias vigentes. Rubio sustentou que essas medidas não afetam os jogadores, mas há dúvidas sobre o acesso de acompanhantes da delegação e torcedores iranianos ao país durante o torneio, do qual México e Canadá também são coorganizadores. "O problema com o Irã não seriam seus atletas, mas algumas das outras pessoas que gostariam de trazer consigo, algumas das quais têm vínculos com o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica [o exército ideológico do Irã]. Talvez não possamos deixá-los entrar, mas os próprios atletas certamente poderão", disse o secretário de Estado. Se os jogadores iranianos "decidirem não vir por iniciativa própria, é porque optaram por não vir. (...) O que não podem fazer é trazer ao nosso país um montão de terroristas fingindo que são jornalistas e preparadores físicos", completou Rubio. Em meados de março, porém, Trump estimou que a seleção iraniana não estaria "a salvo" se viesse aos Estados Unidos. O Irã deve disputar suas partidas do Grupo G em Los Angeles, contra Nova Zelândia (16 de junho) e Bélgica (21 de junho), e depois em Seattle, contra o Egito (27 de junho). Está previsto que seu alojamento base seja em Tucson, no Arizona. Rejeição total na Itália Itália é eliminada da Copa do Mundo REUTERS/Matteo Ciambelli Enquanto a guerra no Oriente Médio gera dúvidas sobre a participação iraniana, o assessor de Trump Paolo Zampolli disse nesta quinta ao "Financial Times" que havia apresentado este improvável cenário de substituir o Irã pela Itália a Trump e Infantino. "Sou italiano de nascimento e seria um sonho ver a 'Squadra Azzurra' em um torneio organizado nos Estados Unidos. Com quatro títulos, tem o pedigree para justificar sua inclusão", declarou o assessor do presidente americano. Em 2022, após o fracasso anterior da 'Azzurra' nas eliminatórias para a Copa do Catar, houve apelos - sem sucesso - à Fifa para que desclassificasse o Irã por conta de violações de direitos humanos relacionadas à sua repressão policial, para que a Itália pudesse voltar a um Mundial. Os dirigentes italianos, no entanto, descartam essa opção. "Em primeiro lugar, não é possível. Em segundo lugar, não seria apropriado, você deve se classificar no campo", afirmou o ministro dos Esportes italiano, Andrea Abodi, citado pelas agências italianas Ansa e AGI. O presidente do Comitê Olímpico Nacional Italiano (CONI), Luciano Buonfiglio, garantiu que se sentiria "ofendido" se a Itália se classificasse dessa maneira. "É preciso conquistar a vaga na Copa do Mundo", frisou, segundo as agências italianas. LEIA TAMBÉM: Fifa não trocará Irã por Itália na Copa a pedido dos EUA, diz TV 'Vergonhoso', 'ofensivo': Itália reage à proposta dos EUA para substituir o Irã na Copa do Mundo Enviado de Trump pede que Fifa troque Irã por Itália na Copa do Mundo, diz jornal Fifa decide por conta própria A "Squadra Azzurra" não participará da Copa do Mundo pela terceira vez consecutiva, após ser eliminada pela Bósnia e Herzegovina no final de março, na repescagem das eliminatórias europeias. Ao ser consultada pela agência de notícias AFP, a entidade máxima do futebol mundial relembrou declarações recentes de Infantino, cuja conivência explícita com Trump tem gerado críticas. "O Irã estará na Copa" e disputará, como está previsto, suas partidas da primeira fase nos Estados Unidos, afirmou o presidente da Fifa à AFP no final de março. "O Irã deve vir, representam o seu povo, se classificaram, os jogadores querem jogar", declarou depois, em meados de abril, durante uma conferência econômica em Washington, com a esperança de que o Oriente Médio recuperasse logo uma "situação pacífica". No início do conflito desencadeado por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, o Irã cogitou um "boicote" à competição, antes de solicitar à Fifa que transferisse suas partidas para o México. A organização descartou essa opção. O regulamento da Fifa confere à organização a faculdade de decidir por si só as medidas a serem tomadas se uma equipe se retirar do torneio. "O futebol pertence às pessoas, não aos políticos. A tentativa de excluir o Irã da Copa do Mundo não faz mais do que revelar a falência moral dos Estados Unidos, que teme inclusive a presença de 11 jovens iranianos nos gramados", escreveu nesta quinta-feira, na rede social X, a embaixada iraniana em Roma.

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