Governo Trump avalia usar Itaipu para abastecer empresas norte-americanas de tecnologia

Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (21) uma parceria entre uma empresa americana e uma desenvolvedora paraguaia para construir uma estrutura de computação de alto desempenho abastecida pela energia da usina hidrelétrica de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai. Segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos, o projeto deverá atender clientes de serviços de computação em nuvem dos Estados Unidos e da América Latina. O acordo foi firmado entre a Crusoe, empresa americana que desenvolve infraestrutura para computação de alto desempenho, e a Araico, desenvolvedora paraguaia de projetos de energia e infraestrutura. Segundo o Departamento de Estado, a previsão é que a primeira fase da instalação entre em operação em meados de 2027. O governo americano afirmou que a estrutura utilizará energia hidrelétrica de Itaipu, uma das maiores fontes de eletricidade renovável do mundo. O comunicado americano, no entanto, não detalha a capacidade de geração que será destinada ao projeto, o volume de energia contratado nem o valor do investimento das duas empresas. O Brasil não foi citado. O anúncio foi feito durante uma visita do vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau, ao país, entre os dias segunda-feira (19) e esta quarta-feira. Landau se reuniu com o presidente paraguaio, Santiago Peña, e com o ministro das Relações Exteriores, Rubén Ramírez Lezcano, para discutir formas de ampliar a cooperação econômica e estratégica entre os dois países. Em publicação sobre a visita, Juan Pablo Segura, secretário de Estado assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental, afirmou que recursos como a energia de Itaipu podem criar oportunidades para a inovação e os investimentos americanos. Aproximação entre Trump e o Paraguai O acordo para a instalação da estrutura de computação faz parte de uma série de iniciativas anunciadas pelo Departamento de Estado para ampliar os investimentos americanos no Paraguai. Durante a visita de Landau, uma delegação empresarial dos EUA discutiu oportunidades em setores como tecnologia, minerais críticos, infraestrutura fluvial e logística. Além do projeto ligado a Itaipu, a empresa americana Uranium Energy Corp. anunciou um investimento de US$ 12 milhões para desenvolver uma de concessão de urânio no Paraguai. Na área de segurança, os dois governos também assinaram um acordo de assistência para interceptação aérea. A iniciativa pretende ampliar a capacidade paraguaia de monitorar e proteger o espaço aéreo contra voos suspeitos de transportar drogas. Os Estados Unidos anunciaram ainda US$ 5,5 milhões em assistência para ações contra o financiamento do terrorismo, o combate ao narcotráfico e o reforço da segurança nas fronteiras. Outros US$ 6,25 milhões serão destinados à cooperação bilateral contra o crime organizado transnacional. Os dois países também iniciaram negociações para estabelecer um acordo de cooperação no uso pacífico da energia nuclear. Se o entendimento entrar em vigor, será criado um marco legal para permitir que empresas americanas exportem equipamentos e materiais nucleares para o Paraguai, sob regras de segurança e não proliferação.

Oct 21, 2026 - 16:56
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Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (21) uma parceria entre uma empresa americana e uma desenvolvedora paraguaia para construir uma estrutura de computação de alto desempenho abastecida pela energia da usina hidrelétrica de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai. Segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos, o projeto deverá atender clientes de serviços de computação em nuvem dos Estados Unidos e da América Latina. O acordo foi firmado entre a Crusoe, empresa americana que desenvolve infraestrutura para computação de alto desempenho, e a Araico, desenvolvedora paraguaia de projetos de energia e infraestrutura. Segundo o Departamento de Estado, a previsão é que a primeira fase da instalação entre em operação em meados de 2027. O governo americano afirmou que a estrutura utilizará energia hidrelétrica de Itaipu, uma das maiores fontes de eletricidade renovável do mundo. O comunicado americano, no entanto, não detalha a capacidade de geração que será destinada ao projeto, o volume de energia contratado nem o valor do investimento das duas empresas. O Brasil não foi citado. O anúncio foi feito durante uma visita do vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau, ao país, entre os dias segunda-feira (19) e esta quarta-feira. Landau se reuniu com o presidente paraguaio, Santiago Peña, e com o ministro das Relações Exteriores, Rubén Ramírez Lezcano, para discutir formas de ampliar a cooperação econômica e estratégica entre os dois países. Em publicação sobre a visita, Juan Pablo Segura, secretário de Estado assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental, afirmou que recursos como a energia de Itaipu podem criar oportunidades para a inovação e os investimentos americanos. Aproximação entre Trump e o Paraguai O acordo para a instalação da estrutura de computação faz parte de uma série de iniciativas anunciadas pelo Departamento de Estado para ampliar os investimentos americanos no Paraguai. Durante a visita de Landau, uma delegação empresarial dos EUA discutiu oportunidades em setores como tecnologia, minerais críticos, infraestrutura fluvial e logística. Além do projeto ligado a Itaipu, a empresa americana Uranium Energy Corp. anunciou um investimento de US$ 12 milhões para desenvolver uma de concessão de urânio no Paraguai. Na área de segurança, os dois governos também assinaram um acordo de assistência para interceptação aérea. A iniciativa pretende ampliar a capacidade paraguaia de monitorar e proteger o espaço aéreo contra voos suspeitos de transportar drogas. Os Estados Unidos anunciaram ainda US$ 5,5 milhões em assistência para ações contra o financiamento do terrorismo, o combate ao narcotráfico e o reforço da segurança nas fronteiras. Outros US$ 6,25 milhões serão destinados à cooperação bilateral contra o crime organizado transnacional. Os dois países também iniciaram negociações para estabelecer um acordo de cooperação no uso pacífico da energia nuclear. Se o entendimento entrar em vigor, será criado um marco legal para permitir que empresas americanas exportem equipamentos e materiais nucleares para o Paraguai, sob regras de segurança e não proliferação.

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