Governo Trump impõe sanções ao Tribunal Penal Internacional, horas após Nobel da Paz para juíza

Navi Pillay, jurista que venceu Nobel da Paz, se diz surpresa e alfineta Trump O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs sanções ao Tribunal Penal Internacional nesta sexta-feira (9), horas depois de uma das ex-juízas do TPI, Navi Pillay, ser anunciada como a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz deste ano. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Não é de hoje que Washington demonstra hostilidade em relação à corte, com imposição de sanções a seus promotores e juízes. No entanto, a medida de agora vai além, podendo punir empresas que prestam serviços a ela. A agência de notícias Reuters teve acesso a um comunicado assinado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, antes do anúncio oficial da decisão. Pouco depois, o Departamento do Tesouro dos EUA a confirmou. "O presidente Trump jamais permitirá que o Tribunal Penal Internacional processe cidadãos americanos. É por isso que, hoje, os Estados Unidos estão sancionando o Tribunal Penal Internacional. Proibiremos transações com esse tribunal desonesto, cortando seus recursos e prejudicando sua capacidade de operar", diz o documento. O presidente dos EUA, Donald Trump, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, apertam as mãos enquanto Rubio discursa durante uma recepção do Mês da Herança Hispânica no Salão Leste da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 30 de setembro de 2026 REUTERS/Jonathan Ernst Procurada pela Reuters para comentar a decisão, a vice-procuradora do TPI, Nazhat Shameem Khan, condenou as sanções e afirmou que elas "devem ser condenadas", mas que não interromperão o trabalho do tribunal. "As sanções visam minar o Estado de Direito internacionalmente e o trabalho que uma instituição judicial independente está realizando. Nosso trabalho continuará em todas as nossas situações, nossas investigações e nossos processos", disse Khan. Em comunicado oficial, o TPI pediu que seus membros garantam a continuidade do trabalho do tribunal e condenou a atitude dos EUA: "Trata-se de uma tentativa de obstruir o curso da justiça e impedir que o Tribunal faça aquilo para o qual foi criado. É um ataque ao Estado de Direito e aos próprios fundamentos da ordem jurídica internacional". Tesouro dos EUA anuncia sanções contra o Tribunal Penal Internacional Departamento de Tesouro dos EUA / Divulgação ➡️ O Tribunal Penal Internacional é sediado na Holanda e foi fundado em 2002 para julgar crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio. Ele conta com 125 países como Estados-membros, incluindo todos os países da União Europeia e todos os membros da aliança da Otan, com exceção dos Estados Unidos e da Turquia. A Comissão Europeia, principal órgão executivo da União Europeia, se pronunciou e garantiu que atenderá o pedido do tribunal e trabalhará em estreita colaboração com o TPI para garantir que ele continue a operar eficazmente. Também afirmou que, apesar do anúncio dos EUA ser "profundamente lamentável", por questões burocráticas, é possível que ainda se consiga reverter a situação: "Como há um prazo de seis meses antes que as medidas sejam aplicáveis, há espaço para o diálogo". O atual governo americano vêm se posicionando sistematicamente contra decisões do TPI, como por exemplo a emissão de mandados de prisão contra autoridades israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. A medida foi resultado direto do trabalho de Navy Pillay. Em setembro do ano passado, na ONU, ela supervisionou a publicação de um relatório da Comissão de Inquérito que concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza e que altos funcionários israelenses, incluindo o premiê, incitaram esses atos. Israel classificou as acusações como "escandalosas". Em agosto, quando Washington sancionou a presidente da Corte, países da Europa e o Japão fizeram críticas ao que o TPI chamou de um "ataque flagrante" à independência do tribunal. Navi Pillay alfinetou Trump ao agradecer Jurista sul-africana Navi Pillay discursa em Nuremberg, na Alemanha, após vencer o prêmio Nobel da Paz em 9 de outubro de 2026. Agnes Callamard via REUTERS Ao saber que foi escolhida para receber o Prêmio Nobel da Paz 2026, a jurista sul-africana Navi Pillay alfinetou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e se disse surpresa com a premiação. Ovacionada no Palácio de Justiça de Nuremberg, na Alemanha, onde participava de um congresso sexta-feira (9), Pillay brincou que "talvez eu divida esse prêmio com [Donald] Trump". E criticou "Estados párias" que atacam instituições multilaterais, como a ONU e o Tribunal Penal Internacional.

Oct 9, 2026 - 12:22
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Governo Trump impõe sanções ao Tribunal Penal Internacional, horas após Nobel da Paz para juíza

Navi Pillay, jurista que venceu Nobel da Paz, se diz surpresa e alfineta Trump O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs sanções ao Tribunal Penal Internacional nesta sexta-feira (9), horas depois de uma das ex-juízas do TPI, Navi Pillay, ser anunciada como a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz deste ano. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Não é de hoje que Washington demonstra hostilidade em relação à corte, com imposição de sanções a seus promotores e juízes. No entanto, a medida de agora vai além, podendo punir empresas que prestam serviços a ela. A agência de notícias Reuters teve acesso a um comunicado assinado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, antes do anúncio oficial da decisão. Pouco depois, o Departamento do Tesouro dos EUA a confirmou. "O presidente Trump jamais permitirá que o Tribunal Penal Internacional processe cidadãos americanos. É por isso que, hoje, os Estados Unidos estão sancionando o Tribunal Penal Internacional. Proibiremos transações com esse tribunal desonesto, cortando seus recursos e prejudicando sua capacidade de operar", diz o documento. O presidente dos EUA, Donald Trump, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, apertam as mãos enquanto Rubio discursa durante uma recepção do Mês da Herança Hispânica no Salão Leste da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 30 de setembro de 2026 REUTERS/Jonathan Ernst Procurada pela Reuters para comentar a decisão, a vice-procuradora do TPI, Nazhat Shameem Khan, condenou as sanções e afirmou que elas "devem ser condenadas", mas que não interromperão o trabalho do tribunal. "As sanções visam minar o Estado de Direito internacionalmente e o trabalho que uma instituição judicial independente está realizando. Nosso trabalho continuará em todas as nossas situações, nossas investigações e nossos processos", disse Khan. Em comunicado oficial, o TPI pediu que seus membros garantam a continuidade do trabalho do tribunal e condenou a atitude dos EUA: "Trata-se de uma tentativa de obstruir o curso da justiça e impedir que o Tribunal faça aquilo para o qual foi criado. É um ataque ao Estado de Direito e aos próprios fundamentos da ordem jurídica internacional". Tesouro dos EUA anuncia sanções contra o Tribunal Penal Internacional Departamento de Tesouro dos EUA / Divulgação ➡️ O Tribunal Penal Internacional é sediado na Holanda e foi fundado em 2002 para julgar crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio. Ele conta com 125 países como Estados-membros, incluindo todos os países da União Europeia e todos os membros da aliança da Otan, com exceção dos Estados Unidos e da Turquia. A Comissão Europeia, principal órgão executivo da União Europeia, se pronunciou e garantiu que atenderá o pedido do tribunal e trabalhará em estreita colaboração com o TPI para garantir que ele continue a operar eficazmente. Também afirmou que, apesar do anúncio dos EUA ser "profundamente lamentável", por questões burocráticas, é possível que ainda se consiga reverter a situação: "Como há um prazo de seis meses antes que as medidas sejam aplicáveis, há espaço para o diálogo". O atual governo americano vêm se posicionando sistematicamente contra decisões do TPI, como por exemplo a emissão de mandados de prisão contra autoridades israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. A medida foi resultado direto do trabalho de Navy Pillay. Em setembro do ano passado, na ONU, ela supervisionou a publicação de um relatório da Comissão de Inquérito que concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza e que altos funcionários israelenses, incluindo o premiê, incitaram esses atos. Israel classificou as acusações como "escandalosas". Em agosto, quando Washington sancionou a presidente da Corte, países da Europa e o Japão fizeram críticas ao que o TPI chamou de um "ataque flagrante" à independência do tribunal. Navi Pillay alfinetou Trump ao agradecer Jurista sul-africana Navi Pillay discursa em Nuremberg, na Alemanha, após vencer o prêmio Nobel da Paz em 9 de outubro de 2026. Agnes Callamard via REUTERS Ao saber que foi escolhida para receber o Prêmio Nobel da Paz 2026, a jurista sul-africana Navi Pillay alfinetou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e se disse surpresa com a premiação. Ovacionada no Palácio de Justiça de Nuremberg, na Alemanha, onde participava de um congresso sexta-feira (9), Pillay brincou que "talvez eu divida esse prêmio com [Donald] Trump". E criticou "Estados párias" que atacam instituições multilaterais, como a ONU e o Tribunal Penal Internacional.

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