Guerra no Irã implode a confiança entre Trump e aliados da Otan

Trump critica Otan por não apoiar guerra no Irã Entre todas as apreensões expostas pela guerra no Irã, a estabilidade da Otan parece ter atingido seu nível mais baixo desde a sua criação, há 77 anos. A erosão da confiança entre os Estados Unidos e seus aliados compromete o futuro da aliança atlântica, tal como se consolidou, como bastião da ordem internacional no pós-Segunda Guerra Mundial. O presidente Donald Trump não esconde a irritação, ao sugerir que está fortemente inclinado a retirar os EUA da Otan após o fim da guerra no Oriente Médio. “Eu diria que isso não tem mais volta. “Nunca me deixei influenciar pela OTAN. Sempre soube que era um tigre de papel, e Putin, aliás, também sabe disso”, resumiu, em entrevista ao jornal britânico “Telegraph”. Seu secretário de Estado, Marco Rubio, fez eco às ameaças: “Quando precisamos que nos permitam usar suas bases militares, a resposta é não. Então, por que estamos na Otan? É preciso fazer essa pergunta”, questionou ao apresentador Sean Hannity, da Fox News. Trump dá entrevista a bordo do Air Force One em 29 de março de 2025. Reuters/Elizabeth Frantz Nas últimas cinco semanas, a troca de ataques entre os países-membros se intensificou, minando o frágil equilíbrio nas relações entre os EUA e especialmente os aliados europeus. Trump insiste no engajamento dos europeus no conflito, mas só recebeu negativas de aliados. O argumento principal é de que não foram consultados sobre a ofensiva militar ao Irã, e esta guerra não é da Otan. O presidente apelou ao envio de caças europeus para ajudar a desbloquear o Estreito de Ormuz, mas não obteve apoio. Do ponto de vista do governo americano, a parceria azedou de vez a partir de decisões tomadas por nações europeias, que alteraram a logística das operações militares, dificultando o acesso dos aviões ao Oriente Médio e tornando os voos mais longos. A França fechou o espaço aéreo para aviões que transportam armas para Israel; a Espanha fechou o seu espaço aéreo para todos os aviões militares dos EUA; a Itália impediu que caças americanos pousassem em uma base da Sicília; Portugal impôs restrições em suas bases. Trump alterna as reações entre os insultos aos europeus, chamados de covardes, e a arrogância: “Não precisamos deles”. Como maior contribuidor da Otan, o presidente dos EUA sempre agiu como um elemento divisor e desestabilizador da aliança. Sua insistência em anexar a Groenlândia balançou os alicerces da organização, mas a guerra no Irã acirrou as divergências sobre o seu futuro. Tratando-se de Trump, a ameaça de retirar os EUA da aliança atlântica deve ser levada a sério, pois ele abandonou anteriormente outros organismos multilaterais. Depois da guerra do Irã, será mais difícil para a Otan retomar a sintonia da era pré-Trump.

abril 1, 2026 - 12:00
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Guerra no Irã implode a confiança entre Trump e aliados da Otan

Trump critica Otan por não apoiar guerra no Irã Entre todas as apreensões expostas pela guerra no Irã, a estabilidade da Otan parece ter atingido seu nível mais baixo desde a sua criação, há 77 anos. A erosão da confiança entre os Estados Unidos e seus aliados compromete o futuro da aliança atlântica, tal como se consolidou, como bastião da ordem internacional no pós-Segunda Guerra Mundial. O presidente Donald Trump não esconde a irritação, ao sugerir que está fortemente inclinado a retirar os EUA da Otan após o fim da guerra no Oriente Médio. “Eu diria que isso não tem mais volta. “Nunca me deixei influenciar pela OTAN. Sempre soube que era um tigre de papel, e Putin, aliás, também sabe disso”, resumiu, em entrevista ao jornal britânico “Telegraph”. Seu secretário de Estado, Marco Rubio, fez eco às ameaças: “Quando precisamos que nos permitam usar suas bases militares, a resposta é não. Então, por que estamos na Otan? É preciso fazer essa pergunta”, questionou ao apresentador Sean Hannity, da Fox News. Trump dá entrevista a bordo do Air Force One em 29 de março de 2025. Reuters/Elizabeth Frantz Nas últimas cinco semanas, a troca de ataques entre os países-membros se intensificou, minando o frágil equilíbrio nas relações entre os EUA e especialmente os aliados europeus. Trump insiste no engajamento dos europeus no conflito, mas só recebeu negativas de aliados. O argumento principal é de que não foram consultados sobre a ofensiva militar ao Irã, e esta guerra não é da Otan. O presidente apelou ao envio de caças europeus para ajudar a desbloquear o Estreito de Ormuz, mas não obteve apoio. Do ponto de vista do governo americano, a parceria azedou de vez a partir de decisões tomadas por nações europeias, que alteraram a logística das operações militares, dificultando o acesso dos aviões ao Oriente Médio e tornando os voos mais longos. A França fechou o espaço aéreo para aviões que transportam armas para Israel; a Espanha fechou o seu espaço aéreo para todos os aviões militares dos EUA; a Itália impediu que caças americanos pousassem em uma base da Sicília; Portugal impôs restrições em suas bases. Trump alterna as reações entre os insultos aos europeus, chamados de covardes, e a arrogância: “Não precisamos deles”. Como maior contribuidor da Otan, o presidente dos EUA sempre agiu como um elemento divisor e desestabilizador da aliança. Sua insistência em anexar a Groenlândia balançou os alicerces da organização, mas a guerra no Irã acirrou as divergências sobre o seu futuro. Tratando-se de Trump, a ameaça de retirar os EUA da aliança atlântica deve ser levada a sério, pois ele abandonou anteriormente outros organismos multilaterais. Depois da guerra do Irã, será mais difícil para a Otan retomar a sintonia da era pré-Trump.

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