Líbano acusa Israel de crime de guerra por ataque que matou jornalista
Amal Khalil era jornalista do jornal libanês Al-Akhbar AP O primeiro-ministro do Líbano acusou Israel de crimes de guerra após ataques aéreos israelenses matarem uma jornalista e ferirem outra no sul do país na quarta-feira (22/4). Segundo o governo do Líbano, o ataque israelense matou Amal Khalil, que trabalhava para um jornal libanês, e feriu a fotógrafa freelancer Zeinab Faraj. Autoridades libanesas afirmam que as jornalistas foram alvo deliberados dos ataques enquanto buscavam abrigo em uma casa, depois que um ataque aéreo inicial atingiu o veículo à frente delas, matando dois homens. Segundo autoridades do Líbano, as Forças de Defesa de Israel também teriam atingido intencionalmente uma ambulância identificada quando ela tentava chegar até as jornalistas no vilarejo de Tayri. As Forças de Defesa de Israel negaram ter impedido equipes de resgate de chegar à área e afirmaram não ter como alvo as jornalistas mortas no ataque. Veja os vídeos que estão em alta no g1 ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp AO VIVO: Acompanhe as últimas notícias da guerra A jornalista Khalil, 43, que trabalhava para o jornal libanês Al-Akhbar, e Faraj, fotógrafa freelancer, viajavam juntas. Os dois homens que morreram não tiveram seus nomes divulgados pelas autoridades. "Atacar jornalistas, impedir o acesso de equipes de socorro até eles e até mesmo voltar a atingir seus locais após a chegada dessas equipes constitui o que pode ser descrito como crimes de guerra", afirmou o primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam. Ele acusou Israel de atacar repetidamente profissionais da imprensa no sul do Líbano, no que descreveu como "uma abordagem instituída". Salam prestou condolências à família de Khalil e disse que o país "levará esses crimes aos fóruns internacionais competentes". Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmaram que "não têm jornalistas como alvo e atuam para reduzir danos, ao mesmo tempo em que mantêm a segurança de suas tropas". As FDI afirmaram ter identificado dois veículos que haviam "partido de uma instalação militar utilizada pelo Hezbollah [grupo xiita libanês]". Segundo o comunicado, um dos veículos se aproximou das tropas israelenses de forma considerada uma "ameaça imediata", após cruzar uma "linha de defesa avançada", em violação ao cessar-fogo. As FDI disseram que a Força Aérea israelense então atingiu um dos veículos e que a "estrutura da qual os indivíduos haviam saído também foi atacada". O Ministério da Saúde do Líbano, por outro lado, afirmou que as Forças de Defesa de Israel "perseguiram" Khalil e Faraj, "que haviam buscado abrigo do primeiro ataque em uma casa próxima, atingindo o local onde tentavam se proteger". Quando uma ambulância da Cruz Vermelha chegou para socorrer os feridos, as forças israelenses lançaram uma granada de efeito moral e dispararam tiros em sua direção, impedindo que ela os alcançasse, informou o Ministério em comunicado. "Isso constitui uma dupla violação flagrante: obstruir os esforços de resgate de uma cidadã conhecida por sua atuação cívica na mídia e atingir uma ambulância claramente identificada com o emblema da Cruz Vermelha", disse o Ministério da Saúde do Líbano. Clayton Weimer, diretor executivo da organização internacional Repórteres Sem Fronteiras, disse que as Forças de Defesa de Israel haviam recebido mensagens da organização, bem como de jornalistas, pedindo que permitissem a chegada de ambulâncias até Khalil. "A Cruz Vermelha sinalizou que não conseguiu passar devido aos bombardeios israelenses em andamento. Isso demonstra um descaso cruel, somado ao que parece ser o assassinato deliberado e direcionado de uma jornalista." Faraj foi finalmente resgatada junto com dois dos mortos, acrescentou o comunicado. O corpo de Khalil foi recuperado posteriormente por equipes de emergência, segundo a Defesa Civil do Líbano. O jornal libanês Al-Akhbar afirmou, em artigo sobre sua morte, que Khalil "permaneceu firme em seu dever humanitário e profissional". Nesta quinta-feira (23/4), jornalistas se reuniram na Praça dos Mártires em Beirute para homenageá-la em silêncio. William Christou, do jornal britânico The Guardian, que cobre o Oriente Médio para a publicação, descreveu a jornalista em uma postagem na rede social X como uma "jornalista profissional, gentil e dedicada, e sempre um prazer encontrá-la em campo". As Forças de Defesa de Israel reconheceram relatos de que duas jornalistas ficaram feridas em decorrência dos ataques, mas insistiram que não estavam impedindo a chegada de novas equipes de resgate à área. Mas as FDI não admitiram a morte de Khalil. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), sediado nos Estados Unidos, afirmou estar "indignado" com a morte de Khalil. "Os ataques repetidos ao mesmo local, o alvo em uma área onde jornalistas se abrigavam e a obstrução do acesso médico e humanitário constituem uma grave violação do direito internacional humanitário", afirmou a diretora regional do CPJ, Sara Qudah. Faraj foi

Amal Khalil era jornalista do jornal libanês Al-Akhbar AP O primeiro-ministro do Líbano acusou Israel de crimes de guerra após ataques aéreos israelenses matarem uma jornalista e ferirem outra no sul do país na quarta-feira (22/4). Segundo o governo do Líbano, o ataque israelense matou Amal Khalil, que trabalhava para um jornal libanês, e feriu a fotógrafa freelancer Zeinab Faraj. Autoridades libanesas afirmam que as jornalistas foram alvo deliberados dos ataques enquanto buscavam abrigo em uma casa, depois que um ataque aéreo inicial atingiu o veículo à frente delas, matando dois homens. Segundo autoridades do Líbano, as Forças de Defesa de Israel também teriam atingido intencionalmente uma ambulância identificada quando ela tentava chegar até as jornalistas no vilarejo de Tayri. As Forças de Defesa de Israel negaram ter impedido equipes de resgate de chegar à área e afirmaram não ter como alvo as jornalistas mortas no ataque. Veja os vídeos que estão em alta no g1 ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp AO VIVO: Acompanhe as últimas notícias da guerra A jornalista Khalil, 43, que trabalhava para o jornal libanês Al-Akhbar, e Faraj, fotógrafa freelancer, viajavam juntas. Os dois homens que morreram não tiveram seus nomes divulgados pelas autoridades. "Atacar jornalistas, impedir o acesso de equipes de socorro até eles e até mesmo voltar a atingir seus locais após a chegada dessas equipes constitui o que pode ser descrito como crimes de guerra", afirmou o primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam. Ele acusou Israel de atacar repetidamente profissionais da imprensa no sul do Líbano, no que descreveu como "uma abordagem instituída". Salam prestou condolências à família de Khalil e disse que o país "levará esses crimes aos fóruns internacionais competentes". Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmaram que "não têm jornalistas como alvo e atuam para reduzir danos, ao mesmo tempo em que mantêm a segurança de suas tropas". As FDI afirmaram ter identificado dois veículos que haviam "partido de uma instalação militar utilizada pelo Hezbollah [grupo xiita libanês]". Segundo o comunicado, um dos veículos se aproximou das tropas israelenses de forma considerada uma "ameaça imediata", após cruzar uma "linha de defesa avançada", em violação ao cessar-fogo. As FDI disseram que a Força Aérea israelense então atingiu um dos veículos e que a "estrutura da qual os indivíduos haviam saído também foi atacada". O Ministério da Saúde do Líbano, por outro lado, afirmou que as Forças de Defesa de Israel "perseguiram" Khalil e Faraj, "que haviam buscado abrigo do primeiro ataque em uma casa próxima, atingindo o local onde tentavam se proteger". Quando uma ambulância da Cruz Vermelha chegou para socorrer os feridos, as forças israelenses lançaram uma granada de efeito moral e dispararam tiros em sua direção, impedindo que ela os alcançasse, informou o Ministério em comunicado. "Isso constitui uma dupla violação flagrante: obstruir os esforços de resgate de uma cidadã conhecida por sua atuação cívica na mídia e atingir uma ambulância claramente identificada com o emblema da Cruz Vermelha", disse o Ministério da Saúde do Líbano. Clayton Weimer, diretor executivo da organização internacional Repórteres Sem Fronteiras, disse que as Forças de Defesa de Israel haviam recebido mensagens da organização, bem como de jornalistas, pedindo que permitissem a chegada de ambulâncias até Khalil. "A Cruz Vermelha sinalizou que não conseguiu passar devido aos bombardeios israelenses em andamento. Isso demonstra um descaso cruel, somado ao que parece ser o assassinato deliberado e direcionado de uma jornalista." Faraj foi finalmente resgatada junto com dois dos mortos, acrescentou o comunicado. O corpo de Khalil foi recuperado posteriormente por equipes de emergência, segundo a Defesa Civil do Líbano. O jornal libanês Al-Akhbar afirmou, em artigo sobre sua morte, que Khalil "permaneceu firme em seu dever humanitário e profissional". Nesta quinta-feira (23/4), jornalistas se reuniram na Praça dos Mártires em Beirute para homenageá-la em silêncio. William Christou, do jornal britânico The Guardian, que cobre o Oriente Médio para a publicação, descreveu a jornalista em uma postagem na rede social X como uma "jornalista profissional, gentil e dedicada, e sempre um prazer encontrá-la em campo". As Forças de Defesa de Israel reconheceram relatos de que duas jornalistas ficaram feridas em decorrência dos ataques, mas insistiram que não estavam impedindo a chegada de novas equipes de resgate à área. Mas as FDI não admitiram a morte de Khalil. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), sediado nos Estados Unidos, afirmou estar "indignado" com a morte de Khalil. "Os ataques repetidos ao mesmo local, o alvo em uma área onde jornalistas se abrigavam e a obstrução do acesso médico e humanitário constituem uma grave violação do direito internacional humanitário", afirmou a diretora regional do CPJ, Sara Qudah. Faraj foi finalmente resgatada junto com dois dos mortos. Já o corpo de Khalil foi recuperado posteriormente por equipes de emergência, segundo a Defesa Civil do Líbano BBC/Defesa Civil do Líbano Em 2024, Khalil afirmou ter sido alvo de uma "ameaça de morte israelense", que a advertia a deixar o sul do Líbano, segundo a mídia local. O CPJ afirmou que o relato levanta "sérias preocupações de direcionamento deliberado". No início deste mês, duas jornalistas foram mortas em ataques israelenses separados no Líbano — Ghada Dayekh, apresentadora da rádio privada Sawt al-Farah, e Suzan Khalil, repórter e apresentadora da emissora Al Manar, afiliada ao grupo armado Hezbollah. No mês passado, três jornalistas libaneses foram mortos em um ataque israelense à cidade de Jezzine, segundo seus empregadores. Ali Shoeib, repórter da emissora Al Manar, e a repórter Fatima Ftouni e seu irmão, o cinegrafista Mohamed Ftouni, ambos do canal Al Mayadeen, foram mortos no ataque. Na ocasião, as Forças de Defesa de Israel confirmaram ter matado Shoeib e Mohamed Ftouni, os identificando como "terroristas" da ala militar do Hezbollah, e afirmou estar ciente de relatos de que uma jornalista também havia sido morta. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, classificou as mortes como um "crime descarado" que violou as "regras mais básicas" do direito internacional ao ter como alvo repórteres, "que, em última instância, são civis no exercício de uma função profissional". Pelo menos 2.475 pessoas foram mortas em ataques israelenses no Líbano desde o início da guerra, e mais de 7.500 ficaram feridas, segundo autoridades libanesas, cujos dados não diferenciam civis de combatentes. O total inclui ao menos 274 mulheres e 177 crianças. O Ministério da Saúde libanês informou na semana passada que pelo menos 100 profissionais de saúde foram mortos em ataques israelenses durante a guerra, e que mais de 120 ataques israelenses contra ambulâncias e instalações médicas foram registrados. Segundo o CPJ, sete jornalistas foram mortos em ataques israelenses no Líbano. As autoridades israelenses afirmam que ataques do Hezbollah mataram dois civis em Israel desde 2/3, e que 13 soldados israelenses foram mortos em combates no Líbano. Tanto o Hezbollah quanto Israel acusam um ao outro de violar o acordo de cessar-fogo. As Forças de Defesa de Israel afirmaram mais cedo, na quarta-feira, que o Hezbollah atacou forças israelenses no sul do Líbano. No mesmo dia, o Hezbollah divulgou quatro comunicados afirmando ter atingido alvos israelenses no sul do Líbano, "em resposta à violação do cessar-fogo pelo inimigo israelense", segundo a agência de notícias AFP. Na semana passada, uma reunião organizada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reuniu enviados libaneses e israelenses para o primeiro contato direto de alto nível entre os dois países em três décadas. Após as conversas, seus governos concordaram em implementar uma suspensão de hostilidades de 10 dias, iniciada na sexta-feira (17/4), para "viabilizar negociações de boa-fé rumo a um acordo permanente de segurança e paz", informou o Departamento de Estado dos EUA. Antes das negociações de acompanhamento marcadas para quinta-feira (23/4), em Washington D.C., nos EUA, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, confirmou que estavam em curso esforços para estender o cessar-fogo. Aoun afirmou que preservar a soberania libanesa sobre todo o seu território era sua principal prioridade, e que os negociadores do país buscariam o fim dos ataques israelenses, a retirada das tropas de Israel do Líbano, a libertação de prisioneiros libaneses em Israel, o envio de tropas libanesas à fronteira com Israel e o início do processo de reconstrução, segundo comunicado de seu gabinete. Um funcionário libanês disse à agência de notícias AFP que o Líbano vai solicitar uma extensão de um mês do cessar-fogo durante as negociações. Em discurso a diplomatas israelenses, o ministro das Relações Exteriores de Israel afirmou que os dois países deveriam "trabalhar juntos contra o Estado terrorista que o Hezbollah construiu". Veja mais: Conflito no Líbano coloca milhares de mulheres grávidas em risco Israel e Líbano retomam negociações nesta quinta nos EUA, um dia após ataque matar jornalista libanesa Brasileiros deixam casas e se abrigam em escolas e carros no Líbano após ataques de Israel
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