Médicos Sem Fronteiras denuncia Israel por uso de água como arma de guerra em Gaza

Abastecimento de água de forma alternativa em Gaza Nour Alsaqqa/Médicos Sem Fronteira Um relatório divulgado nesta terça-feira (28) pelos Médicos Sem Fronteiras (MSF) acusa Israel de usar o acesso à água como “arma de guerra” e instrumento de punição coletiva contra os palestinos na Faixa de Gaza. Segundo a organização, a privação de água, saneamento e higiene não é um efeito colateral do conflito, mas parte de uma política sistemática que impõe “condições destrutivas e desumanas de vida” à população civil . No documento 'Água como arma: destruição e privação de água e saneamento por Israel em Gaza', a MSF afirma que a estratégia se sustenta em três frentes principais: destruição da infraestrutura hídrica; impedimento do acesso humanitário; bloqueio da entrada de suprimentos essenciais. Ataque de Israel contra terroristas atinge palestinos que faziam fila por água em Gaza De acordo com o relatório, quase 90% da infraestrutura de água e saneamento de Gaza foi destruída ou danificada, incluindo usinas de dessalinização, poços, tubulações e sistemas de esgoto. A organização relata ainda ataques a caminhões-pipa e poços identificados com o logotipo da própria MSF durante distribuições de água, colocando civis e trabalhadores humanitários em risco . As ordens de deslocamento forçado também são apontadas como fator central. De acordo com a organização, em julho de 2025, 87% do território estava sob ordens de “evacuação” ou controle militar israelense. Em março de 2026, cerca de 58% da Faixa de Gaza seguia inacessível para a população e para equipes humanitárias, o que impedia reparos e operação de estruturas essenciais . Outro ponto destacado é o bloqueio de insumos básicos. Desde outubro de 2023, eletricidade, combustível, geradores, bombas, cloro e unidades de dessalinização tiveram entrada restringida ou negada. Desde 1º de janeiro de 2026, segundo a MSF, todos os pedidos da entidade para entrada de suprimentos pelo sistema controlado por Israel foram rejeitados . A consequência, segundo a organização, é uma escassez de água “fabricada”. Mesmo sendo a maior produtora não governamental de água potável em Gaza, a MSF relata que, entre maio e novembro de 2025, uma em cada cinco distribuições terminou com pessoas ainda na fila sem conseguir abastecimento . O impacto aparece também na saúde. Entre maio e agosto de 2025, quase um em cada quatro moradores entrevistados relatou doenças gastrointestinais no mês anterior. Em 2025, doenças de pele, infecções respiratórias e diarreia passaram a liderar os atendimentos médicos da organização, especialmente entre crianças . A MSF pede que Israel restabeleça imediatamente o acesso à água e suspenda as restrições à ajuda humanitária. A organização também cobra que países aliados usem pressão política, econômica e jurídica para impedir o que classifica como “uso da água como arma” e garantir a proteção da população civil em Gaza.

abril 28, 2026 - 04:00
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Médicos Sem Fronteiras denuncia Israel por uso de água como arma de guerra em Gaza

Abastecimento de água de forma alternativa em Gaza Nour Alsaqqa/Médicos Sem Fronteira Um relatório divulgado nesta terça-feira (28) pelos Médicos Sem Fronteiras (MSF) acusa Israel de usar o acesso à água como “arma de guerra” e instrumento de punição coletiva contra os palestinos na Faixa de Gaza. Segundo a organização, a privação de água, saneamento e higiene não é um efeito colateral do conflito, mas parte de uma política sistemática que impõe “condições destrutivas e desumanas de vida” à população civil . No documento 'Água como arma: destruição e privação de água e saneamento por Israel em Gaza', a MSF afirma que a estratégia se sustenta em três frentes principais: destruição da infraestrutura hídrica; impedimento do acesso humanitário; bloqueio da entrada de suprimentos essenciais. Ataque de Israel contra terroristas atinge palestinos que faziam fila por água em Gaza De acordo com o relatório, quase 90% da infraestrutura de água e saneamento de Gaza foi destruída ou danificada, incluindo usinas de dessalinização, poços, tubulações e sistemas de esgoto. A organização relata ainda ataques a caminhões-pipa e poços identificados com o logotipo da própria MSF durante distribuições de água, colocando civis e trabalhadores humanitários em risco . As ordens de deslocamento forçado também são apontadas como fator central. De acordo com a organização, em julho de 2025, 87% do território estava sob ordens de “evacuação” ou controle militar israelense. Em março de 2026, cerca de 58% da Faixa de Gaza seguia inacessível para a população e para equipes humanitárias, o que impedia reparos e operação de estruturas essenciais . Outro ponto destacado é o bloqueio de insumos básicos. Desde outubro de 2023, eletricidade, combustível, geradores, bombas, cloro e unidades de dessalinização tiveram entrada restringida ou negada. Desde 1º de janeiro de 2026, segundo a MSF, todos os pedidos da entidade para entrada de suprimentos pelo sistema controlado por Israel foram rejeitados . A consequência, segundo a organização, é uma escassez de água “fabricada”. Mesmo sendo a maior produtora não governamental de água potável em Gaza, a MSF relata que, entre maio e novembro de 2025, uma em cada cinco distribuições terminou com pessoas ainda na fila sem conseguir abastecimento . O impacto aparece também na saúde. Entre maio e agosto de 2025, quase um em cada quatro moradores entrevistados relatou doenças gastrointestinais no mês anterior. Em 2025, doenças de pele, infecções respiratórias e diarreia passaram a liderar os atendimentos médicos da organização, especialmente entre crianças . A MSF pede que Israel restabeleça imediatamente o acesso à água e suspenda as restrições à ajuda humanitária. A organização também cobra que países aliados usem pressão política, econômica e jurídica para impedir o que classifica como “uso da água como arma” e garantir a proteção da população civil em Gaza.

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