O que Trump espera alcançar mirando fim do governo Maduro

Veja o que se sabe até agora sobre ataque à Venezuela e captura de Maduro O ano de 2026 começou com explosões registradas na capital venezuelana, Caracas, no sábado (3), e reações tanto do governo de Nicolás Maduro quanto do presidente colombiano, Gustavo Petro, acusando os Estados Unidos de atacar a Venezuela. Horas depois, em sua rede social Truth Social, o presidente americano, Donald Trump, anunciou que os EUA capturaram Nicolás Maduro e sua esposa, e que eles foram levados de avião para fora da Venezuela. Trump disse que seu país havia realizado um "ataque em larga escala à Venezuela". Em dezembro, numa entrevista à revista Vanity Fair, a chefe de gabinete do presidente dos EUA, Donald Trump, Susie Wiles , disse, sem rodeios, que seu chefe queria "continuar explodindo barcos até que Maduro se renda". A declaração foi uma referência à campanha de meses dos EUA para destruir supostos barcos venezuelanos que estariam transportando drogas no Caribe. ➡️No início, parecia que a questão das drogas estava no centro da mira de Trump. Há muito tempo ele buscava fechar o cerco contra narcotraficantes e, também em dezembro, declarou o fentanil, tema recorrente em seus dois mandatos presidenciais, uma arma de destruição em massa. ➡️Também foi sugerido que os ataques eram um pretexto para obter mais recursos – petróleo e terras raras – da Venezuela. Trump ordenou, na mesma semana da declaração sobre o fentanil, bloqueio total a petroleiros sancionados , que agora estão impedidos de chegar ou deixar o país sul-americano. "Não acho que esse fosse o objetivo em janeiro deste ano, quando Trump assumiu o segundo mandato", disse Paul Hare, diplomata aposentado do Reino Unido e ex-embaixador, agora diretor interino do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Boston. "A ideia era fazer um acordo sobre deportações com Maduro, talvez obter algumas concessões de petróleo para os americanos e fazer um tipo de pacto comercial que lhe permitisse permanecer no poder." ➡️Mas a entrevista de Wiles mudou essa visão, ou pelo menos diminuiu as especulações sobre as intenções do governo. Parece que Maduro, que controla a Venezuela como presidente desde 2013, a despeito de repetidos esforços para se instaurar a democracia, estava no centro da campanha de Trump. Gosto pela mudança? Nem Maduro nem outros membros de seu governo comentaram o suposto ataque terrestre americano Getty Images/via BBC Derrubar Maduro não é uma tarefa simples, mas uma solução potencialmente mais fácil para o governo Donald Trump do que os campos de batalha na Ucrânia e em Gaza. Isso também se alinharia com a estratégia de segurança nacional do segundo mandato do republicano, que restabelece um foco firme em sua esfera de influência no hemisfério ocidental – uma região que abrange as Américas e, em sua periferia, a Europa Ocidental. Jesus Renzullo, analista de política latino-americana do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais, disse que o secretário de Estado de Trump, Marco Rubio, – um notório "falcão" da política externa, por sua linha intervencionista, e forte opositor do regime de Maduro – pode ver uma oportunidade de estender a pressão também a Cuba. Cuba é uma ditadura militar, economicamente mais fraca, e depende fortemente da Venezuela para o abastecimento de energia. "A Venezuela é o único trunfo com o qual Cuba ainda pode contar que está próximo de seu território", disse Renzullo. "Cuba ficaria realmente muito prejudicada e sofreria economicamente." Renzullo acredita que os EUA consideram aumentar drasticamente a pressão sobre a Venezuela para forçar uma mudança de regime. "O fato de estarem sendo bloqueados não é suficiente. Caracas sofreu sanções muito maiores durante a 'pressão máxima' em 2019 e sobreviveu a isso", lembra. Para Hare, não há uma jogada maior para intervir na América Latina por parte do governo Trump além da Venezuela. "Maduro é ilegítimo, mas acho que isso é visto muito mais como um caso especial, e não acho que isso seria seguido por mais agressões a outros países", disse. "Acho que o governo Trump está genuinamente preocupado com a ilegalidade da presença de Maduro." De olho no legado e nos eleitores O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 29 de dezembro de 2025 REUTERS/Jonathan Ernst Embora a mudança de intenção possa ter sido revelada graças à entrevista de Wiles à "Vanity Fair", a motivação pode não ser tão clara. O governo Trump, notadamente por meio de Rubio, vinha apoiando a oposição venezuelana, liderada pela recém-nomeada ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Maria Corina Machado . Machado também tem sido vocal em seu apoio à intervenção de Trump no Caribe. Para Trump, no entanto, seu plano pode ter menos a ver com a defesa da democracia na Venezuela, como os presidentes anteriores dos EUA buscaram demonstrar, e mais com a honra de derrotar um rival pessoal . "Não se trata de petróleo", disse à DW Jim Marckwardt, tenente-coronel aposentado do Exército dos EUA, agora um dos diretores do corpo

Jan 3, 2026 - 09:00
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O que Trump espera alcançar mirando fim do governo Maduro

Veja o que se sabe até agora sobre ataque à Venezuela e captura de Maduro O ano de 2026 começou com explosões registradas na capital venezuelana, Caracas, no sábado (3), e reações tanto do governo de Nicolás Maduro quanto do presidente colombiano, Gustavo Petro, acusando os Estados Unidos de atacar a Venezuela. Horas depois, em sua rede social Truth Social, o presidente americano, Donald Trump, anunciou que os EUA capturaram Nicolás Maduro e sua esposa, e que eles foram levados de avião para fora da Venezuela. Trump disse que seu país havia realizado um "ataque em larga escala à Venezuela". Em dezembro, numa entrevista à revista Vanity Fair, a chefe de gabinete do presidente dos EUA, Donald Trump, Susie Wiles , disse, sem rodeios, que seu chefe queria "continuar explodindo barcos até que Maduro se renda". A declaração foi uma referência à campanha de meses dos EUA para destruir supostos barcos venezuelanos que estariam transportando drogas no Caribe. ➡️No início, parecia que a questão das drogas estava no centro da mira de Trump. Há muito tempo ele buscava fechar o cerco contra narcotraficantes e, também em dezembro, declarou o fentanil, tema recorrente em seus dois mandatos presidenciais, uma arma de destruição em massa. ➡️Também foi sugerido que os ataques eram um pretexto para obter mais recursos – petróleo e terras raras – da Venezuela. Trump ordenou, na mesma semana da declaração sobre o fentanil, bloqueio total a petroleiros sancionados , que agora estão impedidos de chegar ou deixar o país sul-americano. "Não acho que esse fosse o objetivo em janeiro deste ano, quando Trump assumiu o segundo mandato", disse Paul Hare, diplomata aposentado do Reino Unido e ex-embaixador, agora diretor interino do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Boston. "A ideia era fazer um acordo sobre deportações com Maduro, talvez obter algumas concessões de petróleo para os americanos e fazer um tipo de pacto comercial que lhe permitisse permanecer no poder." ➡️Mas a entrevista de Wiles mudou essa visão, ou pelo menos diminuiu as especulações sobre as intenções do governo. Parece que Maduro, que controla a Venezuela como presidente desde 2013, a despeito de repetidos esforços para se instaurar a democracia, estava no centro da campanha de Trump. Gosto pela mudança? Nem Maduro nem outros membros de seu governo comentaram o suposto ataque terrestre americano Getty Images/via BBC Derrubar Maduro não é uma tarefa simples, mas uma solução potencialmente mais fácil para o governo Donald Trump do que os campos de batalha na Ucrânia e em Gaza. Isso também se alinharia com a estratégia de segurança nacional do segundo mandato do republicano, que restabelece um foco firme em sua esfera de influência no hemisfério ocidental – uma região que abrange as Américas e, em sua periferia, a Europa Ocidental. Jesus Renzullo, analista de política latino-americana do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais, disse que o secretário de Estado de Trump, Marco Rubio, – um notório "falcão" da política externa, por sua linha intervencionista, e forte opositor do regime de Maduro – pode ver uma oportunidade de estender a pressão também a Cuba. Cuba é uma ditadura militar, economicamente mais fraca, e depende fortemente da Venezuela para o abastecimento de energia. "A Venezuela é o único trunfo com o qual Cuba ainda pode contar que está próximo de seu território", disse Renzullo. "Cuba ficaria realmente muito prejudicada e sofreria economicamente." Renzullo acredita que os EUA consideram aumentar drasticamente a pressão sobre a Venezuela para forçar uma mudança de regime. "O fato de estarem sendo bloqueados não é suficiente. Caracas sofreu sanções muito maiores durante a 'pressão máxima' em 2019 e sobreviveu a isso", lembra. Para Hare, não há uma jogada maior para intervir na América Latina por parte do governo Trump além da Venezuela. "Maduro é ilegítimo, mas acho que isso é visto muito mais como um caso especial, e não acho que isso seria seguido por mais agressões a outros países", disse. "Acho que o governo Trump está genuinamente preocupado com a ilegalidade da presença de Maduro." De olho no legado e nos eleitores O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 29 de dezembro de 2025 REUTERS/Jonathan Ernst Embora a mudança de intenção possa ter sido revelada graças à entrevista de Wiles à "Vanity Fair", a motivação pode não ser tão clara. O governo Trump, notadamente por meio de Rubio, vinha apoiando a oposição venezuelana, liderada pela recém-nomeada ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Maria Corina Machado . Machado também tem sido vocal em seu apoio à intervenção de Trump no Caribe. Para Trump, no entanto, seu plano pode ter menos a ver com a defesa da democracia na Venezuela, como os presidentes anteriores dos EUA buscaram demonstrar, e mais com a honra de derrotar um rival pessoal . "Não se trata de petróleo", disse à DW Jim Marckwardt, tenente-coronel aposentado do Exército dos EUA, agora um dos diretores do corpo docente para as Américas na Escola de Estudos Internacionais Avançados da Universidade Johns Hopkins. "E a outra coisa que não está em jogo, e eu diria isso especificamente no caso do governo Trump, também não é a democracia, realmente." Trump reconheceu o líder da oposição pró-democracia Juan Guaidó como líder da Venezuela em 2019. Maduro permaneceu no poder e novamente esquivou-se das tentativas de forçá-lo a deixar o cargo, mesmo após as eleições venezuelanas de 2024 , que, segundo observadores independentes, foram vencidas por seus oponentes. Mesmo com esse histórico, Trump está mais empenhado em construir seu legado, disse Marckwardt. "Ele tentou resolver as questões com a Faixa de Gaza... ele está trabalhando muito, muito duro para tentar um processo de paz entre a Ucrânia e a Rússia, e então um que está um pouco mais perto de casa neste hemisfério é a Venezuela, e eu diria que é indiscutivelmente mais fácil de resolver." Trump também viu sua popularidade cair nas pesquisas de opinião desde sua reeleição, inclusive entre a diáspora latino-americana que ajudou a levá-lo de volta à Casa Branca e que constitui um bloco eleitoral significativo no reduto de Trump na Flórida. "Essa é uma maneira fácil de atrair especificamente essa diáspora, que tem uma grande concentração de poder eleitoral na Flórida, então parte disso também é para apaziguar esse eleitorado."

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