Papa Leão XIV é diagnosticado com adenocarcinoma de pulmão; entenda doença, prognóstico e tratamento

Papa Leão XIV retira câncer do pulmão direito O Papa Leão XIV, de 71 anos, teve o lobo inferior do pulmão direito removido em cirurgia nesta terça-feira (13), no hospital Gemelli, em Roma, e recebeu o diagnóstico de adenocarcinoma de pulmão, segundo boletim médico do Vaticano. O tumor foi encontrado em um exame de rotina. A operação durou cerca de 90 minutos, transcorreu sem complicações, e o pontífice acordou normalmente e descansa no quarto. A previsão é de uma semana de internação. O boletim não informa o estágio da doença, dado que orienta os próximos passos do tratamento. Um dos grandes grupos de câncer de pulmão O câncer de pulmão se divide em dois grandes grupos, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). O de pequenas células cresce depressa e se espalha com facilidade, inclusive para o cérebro, e responde bem ao tratamento, mas raramente leva à cura. O de células não pequenas reúne vários subtipos, entre eles o adenocarcinoma diagnosticado no Papa, que nasce nas células responsáveis por produzir muco nas vias respiratórias. Papa Leão chega ao Hospital Gemelli antes da cirurgia para remoção de um nódulo pulmonar, em Roma 13 de outubro de 2026 REUTERS/Ciro de Luca É o mais comum desse grupo e responde por cerca de 40% de todos os cânceres de pulmão, segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos. O oncologista Stephen Stefani, da Americas Health Foundation, que comentou o quadro em linhas gerais e sem acompanhar o caso do Papa, afirma que o adenocarcinoma é muito mais frequente em fumantes, embora também apareça em quem nunca fumou. Nesses pacientes, os tumores costumam trazer alterações genéticas específicas, e os remédios criados para atacar essas alterações funcionam bem melhor do que a quimioterapia convencional. O que leva ao tumor O cigarro é a principal causa. A fumaça tem mais de 7 mil substâncias, ao menos 50 delas capazes de provocar câncer, e o risco cresce com a quantidade fumada e o tempo de hábito. Charuto, cigarrilha e cigarro de palha também aumentam o perigo. Nos Estados Unidos, 80% das mortes por câncer de pulmão são atribuídas ao tabagismo. Quem não fuma também pode adoecer. Respirar a fumaça de outras pessoas, a poluição do ar, o gás radônio e o amianto são fatores conhecidos, assim como o contato prolongado no trabalho com sílica, metais como cromo, cádmio e arsênio, e a fuligem de motores a diesel, comuns em mineração, soldagem, pintura e fundição. Muitos desses agentes potencializam o efeito do cigarro quando se somam a ele. Doenças pulmonares crônicas como o enfisema e a bronquite crônica, a tuberculose, infecções de repetição no pulmão e casos na família completam a lista. Sintomas chegam tarde O tumor costuma crescer sem dar sinais. Os de localização periférica, na borda do pulmão, geralmente não provocam sintoma respiratório algum, e por isso a maioria dos pacientes só percebe que há algo errado quando a doença já está avançada. Nos tumores que ocupam a região central, aparecem tosse persistente, escarro com sangue, falta de ar, chiado, febre, pneumonias repetidas e rouquidão que não passa. Cansaço extenso e perda de peso sem explicação também fazem parte do quadro. Se o tumor já atingiu outras partes do corpo, os sintomas variam conforme o órgão afetado. Como se chega ao diagnóstico A suspeita costuma nascer em uma radiografia ou tomografia de tórax, como ocorreu com o Papa. Para confirmar, é preciso retirar um pedaço da lesão por biópsia, guiada por imagem ou feita por broncoscopia, exame em que uma sonda fina entra pelas vias respiratórias. Exames como o PET-CT e a ressonância do crânio medem se a doença se espalhou. Hoje o diagnóstico também investiga as alterações moleculares do tumor, informação que ajuda a escolher o remédio mais adequado. O rastreamento com tomografia de baixa dose, que usa menos radiação que o exame comum, é indicado pelo Inca a grandes fumantes, entre 50 e 80 anos, com carga tabágica de pelo menos 20 maços-ano. Para a população em geral, não é recomendado. Tratamento, passo a passo Quem define a estratégia é uma equipe com vários especialistas, de acordo com o tipo de tumor, o estágio e as condições do paciente. Quando possível, a cirurgia é a escolha. A retirada de um lobo inteiro do pulmão, a lobectomia, é a operação padrão, como a que o Papa realizou. Para tumores muito pequenos ou pacientes frágeis, pode-se retirar só um segmento. O Inca ressalta, porém, que apenas cerca de 15% dos casos podem ser operados no momento do diagnóstico. Quando a cirurgia não é possível, ou como complemento dela, entram a quimioterapia, a radioterapia, os remédios direcionados às alterações genéticas do tumor e a imunoterapia, que ajuda o sistema de defesa a reconhecer e atacar as células doentes. Pacientes com tumores iniciais e sem condições de operar podem receber radioterapia de alta precisão. Nas fases avançadas, os cuidados paliativos entram cedo para aliviar dor e falta de ar. Stefani diz que, em alguns casos de tumor inic

Oct 13, 2026 - 17:39
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Papa Leão XIV é diagnosticado com adenocarcinoma de pulmão; entenda doença, prognóstico e tratamento

Papa Leão XIV retira câncer do pulmão direito O Papa Leão XIV, de 71 anos, teve o lobo inferior do pulmão direito removido em cirurgia nesta terça-feira (13), no hospital Gemelli, em Roma, e recebeu o diagnóstico de adenocarcinoma de pulmão, segundo boletim médico do Vaticano. O tumor foi encontrado em um exame de rotina. A operação durou cerca de 90 minutos, transcorreu sem complicações, e o pontífice acordou normalmente e descansa no quarto. A previsão é de uma semana de internação. O boletim não informa o estágio da doença, dado que orienta os próximos passos do tratamento. Um dos grandes grupos de câncer de pulmão O câncer de pulmão se divide em dois grandes grupos, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). O de pequenas células cresce depressa e se espalha com facilidade, inclusive para o cérebro, e responde bem ao tratamento, mas raramente leva à cura. O de células não pequenas reúne vários subtipos, entre eles o adenocarcinoma diagnosticado no Papa, que nasce nas células responsáveis por produzir muco nas vias respiratórias. Papa Leão chega ao Hospital Gemelli antes da cirurgia para remoção de um nódulo pulmonar, em Roma 13 de outubro de 2026 REUTERS/Ciro de Luca É o mais comum desse grupo e responde por cerca de 40% de todos os cânceres de pulmão, segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos. O oncologista Stephen Stefani, da Americas Health Foundation, que comentou o quadro em linhas gerais e sem acompanhar o caso do Papa, afirma que o adenocarcinoma é muito mais frequente em fumantes, embora também apareça em quem nunca fumou. Nesses pacientes, os tumores costumam trazer alterações genéticas específicas, e os remédios criados para atacar essas alterações funcionam bem melhor do que a quimioterapia convencional. O que leva ao tumor O cigarro é a principal causa. A fumaça tem mais de 7 mil substâncias, ao menos 50 delas capazes de provocar câncer, e o risco cresce com a quantidade fumada e o tempo de hábito. Charuto, cigarrilha e cigarro de palha também aumentam o perigo. Nos Estados Unidos, 80% das mortes por câncer de pulmão são atribuídas ao tabagismo. Quem não fuma também pode adoecer. Respirar a fumaça de outras pessoas, a poluição do ar, o gás radônio e o amianto são fatores conhecidos, assim como o contato prolongado no trabalho com sílica, metais como cromo, cádmio e arsênio, e a fuligem de motores a diesel, comuns em mineração, soldagem, pintura e fundição. Muitos desses agentes potencializam o efeito do cigarro quando se somam a ele. Doenças pulmonares crônicas como o enfisema e a bronquite crônica, a tuberculose, infecções de repetição no pulmão e casos na família completam a lista. Sintomas chegam tarde O tumor costuma crescer sem dar sinais. Os de localização periférica, na borda do pulmão, geralmente não provocam sintoma respiratório algum, e por isso a maioria dos pacientes só percebe que há algo errado quando a doença já está avançada. Nos tumores que ocupam a região central, aparecem tosse persistente, escarro com sangue, falta de ar, chiado, febre, pneumonias repetidas e rouquidão que não passa. Cansaço extenso e perda de peso sem explicação também fazem parte do quadro. Se o tumor já atingiu outras partes do corpo, os sintomas variam conforme o órgão afetado. Como se chega ao diagnóstico A suspeita costuma nascer em uma radiografia ou tomografia de tórax, como ocorreu com o Papa. Para confirmar, é preciso retirar um pedaço da lesão por biópsia, guiada por imagem ou feita por broncoscopia, exame em que uma sonda fina entra pelas vias respiratórias. Exames como o PET-CT e a ressonância do crânio medem se a doença se espalhou. Hoje o diagnóstico também investiga as alterações moleculares do tumor, informação que ajuda a escolher o remédio mais adequado. O rastreamento com tomografia de baixa dose, que usa menos radiação que o exame comum, é indicado pelo Inca a grandes fumantes, entre 50 e 80 anos, com carga tabágica de pelo menos 20 maços-ano. Para a população em geral, não é recomendado. Tratamento, passo a passo Quem define a estratégia é uma equipe com vários especialistas, de acordo com o tipo de tumor, o estágio e as condições do paciente. Quando possível, a cirurgia é a escolha. A retirada de um lobo inteiro do pulmão, a lobectomia, é a operação padrão, como a que o Papa realizou. Para tumores muito pequenos ou pacientes frágeis, pode-se retirar só um segmento. O Inca ressalta, porém, que apenas cerca de 15% dos casos podem ser operados no momento do diagnóstico. Quando a cirurgia não é possível, ou como complemento dela, entram a quimioterapia, a radioterapia, os remédios direcionados às alterações genéticas do tumor e a imunoterapia, que ajuda o sistema de defesa a reconhecer e atacar as células doentes. Pacientes com tumores iniciais e sem condições de operar podem receber radioterapia de alta precisão. Nas fases avançadas, os cuidados paliativos entram cedo para aliviar dor e falta de ar. Stefani diz que, em alguns casos de tumor inicial, o médico recomenda quimioterapia ou imunoterapia depois da cirurgia para reduzir o risco de a doença voltar. A análise do material retirado define se esse reforço é necessário. Chance de cura cai conforme a doença avança O estágio é o que mais pesa no prognóstico. Ele é definido por três medidas: o tamanho do tumor, o envolvimento dos linfonodos da região e a presença de metástase, quando a doença chega a outros órgãos. Nos pacientes em estágio 1A, o mais inicial, a taxa de cura passa de 90%, segundo Stefani. No estágio 2, cai para algo entre 50% e 60%. No estágio 3, em que há comprometimento de linfonodos dos dois lados do tórax, a média é de 25%. No estágio 4, com a doença disseminada, menos de 10% dos pacientes estão vivos depois de cinco anos. O médico destaca que a queda não é gradual: a cada degrau que a doença avança, a perda de chances é grande. O que ainda não se sabe sobre o caso do Papa O estágio do tumor do papa não foi divulgado, e é ele que dirá em qual faixa de chance de cura o pontífice está. O resultado da análise do tumor retirado também trará o perfil genético do tumor. São as mutações encontradas que indicam se o Papa precisará de tratamento complementar depois da cirurgia e qual, já que há remédios desenhados para atacar cada uma delas. Sem essas duas respostas, não é possível dizer qual será o caminho a seguir. Stefani lembra que o tratamento tem objetivo de cura, principalmente em pacientes sem outras doenças associadas, e que o fato de o tumor ter sido descoberto em exame de rotina, e não por sintomas, aumenta as chances. Mesmo depois de uma cirurgia bem-sucedida, o acompanhamento é longo. O Inca recomenda exames de imagem a cada três meses nos dois primeiros anos e a cada seis meses até o quinto ano, período em que se concentra a maior parte dos retornos da doença, e depois tomografia anual, já que o risco de um novo tumor persiste.

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