Quais os riscos para a Otan da campanha de Trump para anexar a Groenlândia?
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Reuters/Jonathan Ernst Ato contínuo à intervenção militar dos EUA na Venezuela, com a retirada à força de Nicolás Maduro do país, Donald Trump mudou o foco para a Groenlândia, renovando a intenção de obter o controle do território semiautônomo da Dinamarca. A campanha expansionista e intimidatória do presidente americano e seus correligionários estremeceu os parceiros europeus da Otan, a aliança militar que garante há 76 anos a estabilidade do Atlântico Norte. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp “Se os Estados Unidos atacarem outro país da Otan, tudo para, inclusive a Otan”, vaticinou, com razão, a premiê da Dinamarca, Mette Frederiksen, diante das ameaças de Trump de anexar a Groenlândia. O reino controla a política externa e a segurança do território. Os riscos à sobrevivência da aliança atlântica integrada por 32 países, entre eles a Dinamarca, são concretos. Não há nada que defina o que aconteceria se um dos Estados-membros atacasse o outro, já que o fundamento da organização é a proteção mútua dos parceiros. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A ruptura interna da Otan, a partir de um desafio à soberania de um de seus membros, funcionaria ainda como uma oferenda do Ocidente à Rússia e à China. Desde o primeiro mandato, Trump tem feito incursões desestabilizadoras à aliança transatlântica, ao sugerir que não protegeria membros inadimplentes. Como maior contribuidor da Otan, impôs que os demais países aumentassem, em dez anos, os gastos com defesa para 3,5% do PIB. Apenas a Espanha não subscreveu o compromisso. Ao que parece, as declarações bajuladoras do secretário-geral da organização, Mark Rutte, que chegou a referir-se a Trump como “papai”, não amenizaram a má-vontade de Trump com a Otan e o desprezo pelos europeus. A confirmação da Casa Branca de que a opção militar está sob a mesa do presidente para conquistar a Groenlândia indica a importância da conquista do território para o atual governo — seja pela força, como admitiu o assessor Stephen Miller, ou pela compra, como revelou o secretário de Estado, Marco Rubio, a congressistas. Europa prepara plano para caso de invasão dos EUA à Groenlândia A cobiça por novas rotas marítimas no Ártico, abertas pelo derretimento do gelo, e pela exploração de minerais raros do território deixou mais explícita a retórica belicista, logo após a operação militar na Venezuela. Nicolás Maduro e Cília Flores ainda estavam sendo transferidos para os EUA quando Katie Miller, esposa do vice-chefe de Gabinete do presidente, publicou em suas redes sociais um mapa da Groenlândia com as cores dos Estados Unidos e a expressão “em breve”. Trump corroborou a intenção, citando a presença ativa de navios chineses e russos na região: “Precisamos da Groenlândia, sem dúvida.” O território de 60 mil moradores já conta, entretanto, com uma base militar em Pituffik, importante para os EUA desde a Guerra Fria. Numa declaração aparentemente orquestrada, o influente Stephen Miller, expoente do movimento MAGA, foi além do chefe, vangloriando-se do poderio militar de seu país para a anexação do território. “Ninguém vai lutar contra os EUA pelo futuro da Groenlândia.” No entender de Marion Messmer, diretora do Programa de Segurança Internacional do think tank Chatham House, as ameaças devem ser levadas a sério. Ela pondera que as nações europeias não podem mais se dar o luxo de refletir como seria a Otan sem os EUA e têm instrumentos para reagir às investidas do atual governo americano. “Se os EUA continuarem a ameaçar os Estados-membros da OTAN, os países europeus poderão dificultar ainda mais a situação para os EUA. Poderiam recusar-se a reabastecer navios americanos em portos europeus; recusar-se a aceitar militares feridos para tratamento em hospitais militares europeus; e exigir pagamentos elevados pela manutenção da presença militar americana. Poderiam também propor o encerramento de certas instalações militares”, explica Messmer. Por enquanto a resposta europeia ainda parece tímida. Atropelados pelas ameaças durante uma reunião em que tratavam de uma solução para o fim da guerra da Ucrânia, líderes de sete países, entre os quais Reino Unido, França e Alemanha, emitiram um comunicado em apoio à Dinamarca e à Groenlândia, que pode ter soado como uma rara repreensão à Casa Branca. “Cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidirem sobre assuntos que dizem respeito à Dinamarca e à Groenlândia.” LEIA TAMBÉM: Interesse dos EUA pela Groenlândia remonta ao século XIX: entenda o que está por trás disso Groenlândia ameaçada e 'fim da Otan': entenda o que Trump disse sobre o território e como a Europa está reagindo Quais países podem estar na mira de Trump depois da Venezuela?

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Reuters/Jonathan Ernst Ato contínuo à intervenção militar dos EUA na Venezuela, com a retirada à força de Nicolás Maduro do país, Donald Trump mudou o foco para a Groenlândia, renovando a intenção de obter o controle do território semiautônomo da Dinamarca. A campanha expansionista e intimidatória do presidente americano e seus correligionários estremeceu os parceiros europeus da Otan, a aliança militar que garante há 76 anos a estabilidade do Atlântico Norte. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp “Se os Estados Unidos atacarem outro país da Otan, tudo para, inclusive a Otan”, vaticinou, com razão, a premiê da Dinamarca, Mette Frederiksen, diante das ameaças de Trump de anexar a Groenlândia. O reino controla a política externa e a segurança do território. Os riscos à sobrevivência da aliança atlântica integrada por 32 países, entre eles a Dinamarca, são concretos. Não há nada que defina o que aconteceria se um dos Estados-membros atacasse o outro, já que o fundamento da organização é a proteção mútua dos parceiros. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A ruptura interna da Otan, a partir de um desafio à soberania de um de seus membros, funcionaria ainda como uma oferenda do Ocidente à Rússia e à China. Desde o primeiro mandato, Trump tem feito incursões desestabilizadoras à aliança transatlântica, ao sugerir que não protegeria membros inadimplentes. Como maior contribuidor da Otan, impôs que os demais países aumentassem, em dez anos, os gastos com defesa para 3,5% do PIB. Apenas a Espanha não subscreveu o compromisso. Ao que parece, as declarações bajuladoras do secretário-geral da organização, Mark Rutte, que chegou a referir-se a Trump como “papai”, não amenizaram a má-vontade de Trump com a Otan e o desprezo pelos europeus. A confirmação da Casa Branca de que a opção militar está sob a mesa do presidente para conquistar a Groenlândia indica a importância da conquista do território para o atual governo — seja pela força, como admitiu o assessor Stephen Miller, ou pela compra, como revelou o secretário de Estado, Marco Rubio, a congressistas. Europa prepara plano para caso de invasão dos EUA à Groenlândia A cobiça por novas rotas marítimas no Ártico, abertas pelo derretimento do gelo, e pela exploração de minerais raros do território deixou mais explícita a retórica belicista, logo após a operação militar na Venezuela. Nicolás Maduro e Cília Flores ainda estavam sendo transferidos para os EUA quando Katie Miller, esposa do vice-chefe de Gabinete do presidente, publicou em suas redes sociais um mapa da Groenlândia com as cores dos Estados Unidos e a expressão “em breve”. Trump corroborou a intenção, citando a presença ativa de navios chineses e russos na região: “Precisamos da Groenlândia, sem dúvida.” O território de 60 mil moradores já conta, entretanto, com uma base militar em Pituffik, importante para os EUA desde a Guerra Fria. Numa declaração aparentemente orquestrada, o influente Stephen Miller, expoente do movimento MAGA, foi além do chefe, vangloriando-se do poderio militar de seu país para a anexação do território. “Ninguém vai lutar contra os EUA pelo futuro da Groenlândia.” No entender de Marion Messmer, diretora do Programa de Segurança Internacional do think tank Chatham House, as ameaças devem ser levadas a sério. Ela pondera que as nações europeias não podem mais se dar o luxo de refletir como seria a Otan sem os EUA e têm instrumentos para reagir às investidas do atual governo americano. “Se os EUA continuarem a ameaçar os Estados-membros da OTAN, os países europeus poderão dificultar ainda mais a situação para os EUA. Poderiam recusar-se a reabastecer navios americanos em portos europeus; recusar-se a aceitar militares feridos para tratamento em hospitais militares europeus; e exigir pagamentos elevados pela manutenção da presença militar americana. Poderiam também propor o encerramento de certas instalações militares”, explica Messmer. Por enquanto a resposta europeia ainda parece tímida. Atropelados pelas ameaças durante uma reunião em que tratavam de uma solução para o fim da guerra da Ucrânia, líderes de sete países, entre os quais Reino Unido, França e Alemanha, emitiram um comunicado em apoio à Dinamarca e à Groenlândia, que pode ter soado como uma rara repreensão à Casa Branca. “Cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidirem sobre assuntos que dizem respeito à Dinamarca e à Groenlândia.” LEIA TAMBÉM: Interesse dos EUA pela Groenlândia remonta ao século XIX: entenda o que está por trás disso Groenlândia ameaçada e 'fim da Otan': entenda o que Trump disse sobre o território e como a Europa está reagindo Quais países podem estar na mira de Trump depois da Venezuela?
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