Quando a corrupção escolhe suas vítimas: os doentes

Não existe corrupção neutra. Toda vez que dinheiro público é desviado, alguém perde. Mas quando o alvo é a saúde, a perda tem nome, rosto e sofrimento. É profundamente lamentável que gestões eleitas pelo povo, que receberam votos, confiança e esperança, acabem associadas a esquemas que envolvem recursos da saúde. Isso não é apenas um […] O post Quando a corrupção escolhe suas vítimas: os doentes apareceu primeiro em Jornal O Mossoroense.

Jan 27, 2026 - 20:00
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Quando a corrupção escolhe suas vítimas: os doentes

Não existe corrupção neutra. Toda vez que dinheiro público é desviado, alguém perde. Mas quando o alvo é a saúde, a perda tem nome, rosto e sofrimento.
É profundamente lamentável que gestões eleitas pelo povo, que receberam votos, confiança e esperança, acabem associadas a esquemas que envolvem recursos da saúde. Isso não é apenas um crime administrativo. É uma agressão direta aos mais vulneráveis.
Quem depende do SUS sabe: saúde não pode esperar.
Quem sente dor não pode aguardar licitação. Quem tem câncer não pode esperar investigação. Quem sofre um AVC não pode esperar auditoria. Quem está numa fila de cirurgia não pode esperar ano eleitoral.
Tirar dinheiro da saúde é mais do que ilegal: é desumano.
Em cidades como Mossoró, a rede pública atende diariamente milhares de pessoas. São crianças com infecções respiratórias, idosos com hipertensão e diabetes, mulheres em tratamento oncológico, vítimas de acidentes de trânsito, pacientes com doenças renais, pessoas em sofrimento psíquico.
Segundo dados públicos do próprio sistema de saúde municipal:

São milhares de atendimentos mensais nas UBSs
Centenas de internações hospitalares
Procedimentos de média e alta complexidade
Demanda crescente por exames como tomografia, ressonância e ultrassom
Fila permanente por cirurgias eletivas
Cada real da saúde tem destino certo: medicamento, seringa, gaze, soro, luva, anestésico, combustível da ambulância, salário de quem cuida.
Quando esse dinheiro não chega onde deveria, o efeito é concreto:

Falta remédio
Falta insumo
Falta exame
Falta vaga
Falta dignidade
E sobra dor.
A corrupção na saúde não rouba apenas cofres. Rouba tempo de vida. Rouba chance de cura. Rouba esperança de quem já está fragilizado.
É por isso que operações policiais que investigam contratos da área da saúde não podem ser tratadas como “disputa política”. Não são. São defesa da vida. São defesa do dinheiro que deveria salvar pessoas.
Porque enquanto alguém lucra irregularmente com contratos, alguém está numa fila. Enquanto alguém enriquece com notas frias, alguém está numa maca. Enquanto alguém brinca com planilha, alguém luta para respirar.
A coincidência entre aumento de contratos milionários e anos eleitorais não pode ser naturalizada. O povo não pode se acostumar com escândalo como se fosse rotina administrativa. Não é.
Quem vota não entrega só o título. Entrega a própria sobrevivência.
O mais cruel é perceber que, na maioria esmagadora das vezes, os atingidos são exatamente os mais pobres:, quem não pode pagar plano de saúde, quem depende da UBS, quem depende da ambulância, quem depende do hospital público, quem depende do medicamento fornecido pelo município.
Essas pessoas confiaram. Apostaram. Esperaram cuidado.
Desviar dinheiro da saúde é brincar com a vida humana. É trocar remédio por enriquecimento. É trocar soro por esquema. É trocar tratamento por contrato.
Não existe argumento político que justifique isso. Não existe narrativa que amenize isso. Não existe marketing que limpe isso.
Se a democracia é escolher quem vai cuidar da cidade, a corrupção na saúde é a prova de quando essa escolha vira traição.
Que toda investigação vá até o fim. Que toda irregularidade seja punida. E que fique claro para o Brasil inteiro:
Mexer com dinheiro da saúde não é só corrupção. É violência institucional contra os doentes.
E isso nenhuma cidade deveria aceitar como normal.

Por Joyce Moura – jornalista

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