Saiba como funciona a maior oficina de próteses de São Paulo
Em funcionamento desde 1962, a Oficina de Próteses da AACD foi uma das pioneiras na fabricação de produtos de ortopedia técnica no Brasil
Órteses, próteses, coletes, capacetes, palmilhas e adaptações para cadeiras de rodas sob medida são apenas alguns dos produtos fabricados na Oficina de Próteses da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), localizada na Avenida Professor Ascendino Reis, no Ibirapuera, zona sul de São Paulo. O Metrópoles conheceu o local que fornece dispositivos para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Com cheiro de óleo e barulho de furadeiras, o espaço lembra muito uma oficina de carros e é dividido por setores. Há, por exemplo, a parte em que se faz o molde e a fabricação de órteses; a área das cadeiras de rodas; a sala de impressoras 3D.
No setor das próteses, são confeccionados os dispositivos transtibiais, quando a amputação é feita do joelho para baixo; as transfemorais, quando é feita na altura da coxa; e a de desarticulação de quadril, quando a amputação é feita na parte superior do quadril.
Outro destaque fica para o setor de usinagem, no qual estão computadores equipados com sistemas que auxiliam tanto na fabricação das órteses, sejam elas de membros ou coluna, quanto das espumas para as cadeiras de rodas. Os softwares transformam uma imagem, que é um modelo matemático, em comandos para as máquinas para que seja possível acertar o formato necessário para aquela pessoa.
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Oficina Ortopédica da AACDIsabela Thurmann/ Metrópoles
Oficina Ortopédica da AACDIsabela Thurmann/ Metrópoles
Setor de próteses da Oficina de Próteses da AACDIsabela Thurmann/ Metrópoles
Setor de próteses da Oficina de Próteses da AACDIsabela Thurmann/ Metrópoles
Setor de próteses da Oficina de Próteses da AACDIsabela Thurmann/ Metrópoles
Setor de acabamento da Oficina de Próteses da AACDIsabela Thurmann/ Metrópoles
Setor de usinagem da Oficina de Próteses da AACDIsabela Thurmann/ Metrópoles
Setor de usinagem da Oficina de Próteses da AACDIsabela Thurmann/ Metrópoles
Setor de usinagem da Oficina de Próteses da AACDIsabela Thurmann/ Metrópoles
Setor de usinagem da Oficina de Próteses da AACDIsabela Thurmann/ Metrópoles
Setor de usinagem da Oficina de Próteses da AACDIsabela Thurmann/ Metrópoles
Setor de usinagem da Oficina de Próteses da AACDIsabela Thurmann/ Metrópoles
Setor de usinagem da Oficina de Próteses da AACDIsabela Thurmann/ Metrópoles
Sala de impressoras 3D da Oficina de Próteses da AACDIsabela Thurmann/ Metrópoles
Sala de impressoras 3D da Oficina de Próteses da AACDIsabela Thurmann/ Metrópoles
Setor de cadeiras de roda da Oficina de Próteses da AACDIsabela Thurmann/ Metrópoles
Setor de cadeiras de roda da Oficina de Próteses da AACDIsabela Thurmann/ Metrópoles
Setor de testes da Oficina de Próteses da AACDIsabela Thurmann/ Metrópoles
O local também tem estações para acabamento dos aparelhos e, é claro, para testes. Nenhum produto é levado para casa antes de ser provado e, se preciso, adaptado novamente.
Nas oficinas, mais de 75% dos processos de produção utilizam tecnologias digitais para escaneamento e modelagem computadorizada por meio de softwares e uso de manufatura aditiva, como impressoras 3D. Além de médicos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, a equipe é composta por protesistas e ortesistas ortopédicos.
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Como conseguir uma prótese pelo SUS
- Para conseguir uma prótese no sistema público de saúde, o primeiro passo é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde o paciente será direcionado para um Centros Especializados em Reabilitação (CER).
- No sistema estadual, o paciente é encaminhado para a Rede de Reabilitação Lucy Montoro, coordenada pelo Hospital das Clínicas. Então, recebe órteses, próteses e outros materiais, de acordo com o diagnóstico e as necessidades.
- Já no caso do sistema municipal, o paciente paciente passa por um processo de moldagem, prova e entrega realizadas em parceria com a empresa contratada pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS).
- A capital paulista oferece próteses por meio dos CERs Tucuruvi, Milton Aldred, M’Boi Mirim, Ermelino Matarazzo e Flávio Gianotti, além de um convênio com a AACD.
- O tratamento continua após o recebimento da prótese, e os pacientes passam pelo acompanhamento regular previsto no plano terapêutico.
Além da oficina do Ibirapuera, há outras unidades em Osasco (SP), Porto Alegre (RS), Uberlândia (MG) e Recife (PE). Em funcionamento desde 1962, elas desempenham um papel essencial na reabilitação de pacientes e oferecem soluções personalizadas para melhoria da mobilidade e ganhos na qualidade de vida.
A oficina de próteses da associação lembra tanto uma oficina mecânica que até implantou o Sistema Toyota de Produção (TPS) – uma filosofia e um conjunto de práticas para fabricação, em prol da excelência, eficiência e melhoria contínua. Isso torna o trabalho mais fácil para os trabalhadores. O sistema ampliou em 30% a capacidade de produção das cadeiras de rodas e próteses.
Apenas em 2024, as oficinas entregaram 62.471 produtos ortopédicos, sendo 9.705 próteses. Durante o período, 88% dos atendimentos foram via SUS e 12% de forma privada. Na Oficina da AACD Ibirapuera, foram 63% via rede pública e 37% de forma particular.
Paraoficina Móvel
Além das oficinas de próteses, a AACD criou, em 2019, a Paraoficina Móvel, que oferece, de forma gratuita, serviços de manutenção e higienização de cadeiras de rodas, órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção (OPMs), como muletas, bengalas e andadores.
Os atendimentos ocorrem em 10 Centros Especializados em Reabilitação (CERs), localizados nos bairros de M’Boi Mirim, Parelheiros, Tucuruvi, São Miguel, Lapa, Flávio Gianotti, Sé, Campo Limpo, Santo Amaro e Interlagos, em São Paulo.
Déficit
Ao conciliar 80% dos atendimentos via SUS, o modelo de negócio da AACD se tornou algo único no sistema de saúde brasileiro. Os atendimentos privados e a área de captação de recursos contribuem para a viabilização da operação.
Porém, o custo médio geral de um atendimento na instituição é de R$ 128,71 e o valor geral do repasse do SUS é de cerca de R$ 10,65. Com isso, a associação tem um déficit anual de R$ 94 milhões.
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