Venezuela representa reviravolta de Trump — e agora pode determinar o seu legado

O presidente Donald Trump e o diretor da CIA, John Ratcliffe, acompanharam o ataque dos EUA à Venezuela a partir de Washington. Governo dos EUA Depois de lançar um ataque no estilo "choque e pavor" na Venezuela, Donald Trump agora parece estar entrando no ramo da reconstrução nacional. Em uma coletiva de imprensa extraordinária realizada na manhã de sábado em seu resort em Mar-a-Lago, o presidente anunciou que forças americanas haviam capturado com sucesso o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa durante uma operação noturna em Caracas. Em seguida, Trump afirmou que uma equipe que inclui o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, trabalhando com venezuelanos, passaria a assumir o controle do país em crise. "Nós vamos administrar o país até que seja possível fazer uma transição segura, adequada e criteriosa", disse. O que exatamente significa "administrar o país" ainda não está claro, mas a promessa representa uma mudança abrupta de rumo do presidente, repleta de contradições e obstáculos intimidadores. VEJA TAMBÉM: China pede que EUA libertem Maduro imediatamente Um presidente que fez campanha contra "guerras eternas", que criticou duramente esforços anteriores dos EUA de mudança de regime e que prometeu implementar uma política externa de "America First" ("EUA em primeiro lugar") agora aposta sua presidência no sucesso da reconstrução de uma nação sul-americana cuja economia está em frangalhos e cuja estabilidade política foi minada por décadas de governo autoritário. Ainda assim, Trump mostrou-se implacavelmente otimista. Ele afirmou que seu governo tem um "histórico perfeito de vitórias" — e que desta vez não seria diferente. Prometeu recrutar empresas americanas do setor de energia para reconstruir a infraestrutura industrial em colapso da Venezuela, gerando recursos para os esforços de reconstrução dos EUA e beneficiando o povo venezuelano. Trump não descartou o envio de soldados americanos à Venezuela para avançar nesses esforços. "Não temos medo de enviar tropas terrestres... ontem já as enviamos", disse. Trump, um vigoroso crítico da invasão americana ao Iraque, agora terá que prestar atenção às palavras de um dos artífices da Guerra do Iraque, o ex-secretário de Estado Colin Powell (morto no ano passado): "Se você quebra, você paga". Os Estados Unidos remodelaram o futuro da Venezuela — para melhor ou para pior. Trump assumiu o cargo há quase um ano prometendo ser um pacificador, mas ao longo desse período demonstrou estar mais do que disposto a usar força militar ao redor do mundo. Na última semana, ordenou ataques aéreos na Síria e na Nigéria. Em 2025, mirou instalações nucleares no Irã, embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe, forças rebeldes no Iêmen, grupos armados na Somália e militantes islâmicos no Iraque. Diferentemente dessas ações anteriores — que em grande parte envolveram mísseis e aeronaves, reduzindo a exposição das forças americanas a riscos — o ataque de Trump à Venezuela, assim como seus compromissos com o futuro do país, são claramente distintos. Seu objetivo, disse ele durante a coletiva de imprensa, é "tornar a Venezuela grande novamente". GETTY IMAGES via BBC Essa adaptação do slogan de Trump "Make America Great Again" — ou Maga — pode ser difícil de engolir para alguns de seus apoiadores. A deputada Marjorie Taylor Greene, ex-aliada fiel de Trump que rompeu com o presidente após acusá-lo de abandonar sua base política, foi rápida em condenar a ação nas redes sociais. "O repúdio dos americanos à agressão militar interminável do nosso próprio governo e ao apoio a guerras estrangeiras é justificado, porque somos forçados a pagar por isso, e ambos os partidos, republicanos e democratas, sempre mantêm a máquina militar de Washington financiada e em funcionamento", escreveu. "Isso é o que muitos no Maga achavam que tinham votado para acabar. Como estávamos enganados." Outro crítico proeminente de Trump, o deputado republicano Thomas Massie, do Kentucky, contrastou a justificativa legal para a prisão de Maduro — por acusações de tráfico de armas e cocaína — com a explicação de Trump de que a operação tinha como objetivo recuperar petróleo americano confiscado e interromper a produção de fentanil. A maioria dos parlamentares republicanos se alinhou ao presidente, com o presidente da Câmara, Mike Johnson, descrevendo a ação militar contra um "regime criminoso" como "decisiva e justificada". Durante a coletiva de imprensa, o presidente afirmou que a operação na Venezuela avançou suas prioridades de "America First" porque garantiu a segurança regional dos EUA e forneceu uma fonte estável de petróleo. Ele resgatou a Doutrina Monroe — uma política externa americana do início do século 19 que defendia que o Hemisfério Ocidental deveria estar livre da influência de potências europeias — e a rebatizou de "Doutrina Donroe". A ação na Venezuela, disse Trump, mostra que "a dominância americana no Hemisfério Ocidental nunca mais

Jan 4, 2026 - 10:30
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Venezuela representa reviravolta de Trump — e agora pode determinar o seu legado

O presidente Donald Trump e o diretor da CIA, John Ratcliffe, acompanharam o ataque dos EUA à Venezuela a partir de Washington. Governo dos EUA Depois de lançar um ataque no estilo "choque e pavor" na Venezuela, Donald Trump agora parece estar entrando no ramo da reconstrução nacional. Em uma coletiva de imprensa extraordinária realizada na manhã de sábado em seu resort em Mar-a-Lago, o presidente anunciou que forças americanas haviam capturado com sucesso o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa durante uma operação noturna em Caracas. Em seguida, Trump afirmou que uma equipe que inclui o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, trabalhando com venezuelanos, passaria a assumir o controle do país em crise. "Nós vamos administrar o país até que seja possível fazer uma transição segura, adequada e criteriosa", disse. O que exatamente significa "administrar o país" ainda não está claro, mas a promessa representa uma mudança abrupta de rumo do presidente, repleta de contradições e obstáculos intimidadores. VEJA TAMBÉM: China pede que EUA libertem Maduro imediatamente Um presidente que fez campanha contra "guerras eternas", que criticou duramente esforços anteriores dos EUA de mudança de regime e que prometeu implementar uma política externa de "America First" ("EUA em primeiro lugar") agora aposta sua presidência no sucesso da reconstrução de uma nação sul-americana cuja economia está em frangalhos e cuja estabilidade política foi minada por décadas de governo autoritário. Ainda assim, Trump mostrou-se implacavelmente otimista. Ele afirmou que seu governo tem um "histórico perfeito de vitórias" — e que desta vez não seria diferente. Prometeu recrutar empresas americanas do setor de energia para reconstruir a infraestrutura industrial em colapso da Venezuela, gerando recursos para os esforços de reconstrução dos EUA e beneficiando o povo venezuelano. Trump não descartou o envio de soldados americanos à Venezuela para avançar nesses esforços. "Não temos medo de enviar tropas terrestres... ontem já as enviamos", disse. Trump, um vigoroso crítico da invasão americana ao Iraque, agora terá que prestar atenção às palavras de um dos artífices da Guerra do Iraque, o ex-secretário de Estado Colin Powell (morto no ano passado): "Se você quebra, você paga". Os Estados Unidos remodelaram o futuro da Venezuela — para melhor ou para pior. Trump assumiu o cargo há quase um ano prometendo ser um pacificador, mas ao longo desse período demonstrou estar mais do que disposto a usar força militar ao redor do mundo. Na última semana, ordenou ataques aéreos na Síria e na Nigéria. Em 2025, mirou instalações nucleares no Irã, embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe, forças rebeldes no Iêmen, grupos armados na Somália e militantes islâmicos no Iraque. Diferentemente dessas ações anteriores — que em grande parte envolveram mísseis e aeronaves, reduzindo a exposição das forças americanas a riscos — o ataque de Trump à Venezuela, assim como seus compromissos com o futuro do país, são claramente distintos. Seu objetivo, disse ele durante a coletiva de imprensa, é "tornar a Venezuela grande novamente". GETTY IMAGES via BBC Essa adaptação do slogan de Trump "Make America Great Again" — ou Maga — pode ser difícil de engolir para alguns de seus apoiadores. A deputada Marjorie Taylor Greene, ex-aliada fiel de Trump que rompeu com o presidente após acusá-lo de abandonar sua base política, foi rápida em condenar a ação nas redes sociais. "O repúdio dos americanos à agressão militar interminável do nosso próprio governo e ao apoio a guerras estrangeiras é justificado, porque somos forçados a pagar por isso, e ambos os partidos, republicanos e democratas, sempre mantêm a máquina militar de Washington financiada e em funcionamento", escreveu. "Isso é o que muitos no Maga achavam que tinham votado para acabar. Como estávamos enganados." Outro crítico proeminente de Trump, o deputado republicano Thomas Massie, do Kentucky, contrastou a justificativa legal para a prisão de Maduro — por acusações de tráfico de armas e cocaína — com a explicação de Trump de que a operação tinha como objetivo recuperar petróleo americano confiscado e interromper a produção de fentanil. A maioria dos parlamentares republicanos se alinhou ao presidente, com o presidente da Câmara, Mike Johnson, descrevendo a ação militar contra um "regime criminoso" como "decisiva e justificada". Durante a coletiva de imprensa, o presidente afirmou que a operação na Venezuela avançou suas prioridades de "America First" porque garantiu a segurança regional dos EUA e forneceu uma fonte estável de petróleo. Ele resgatou a Doutrina Monroe — uma política externa americana do início do século 19 que defendia que o Hemisfério Ocidental deveria estar livre da influência de potências europeias — e a rebatizou de "Doutrina Donroe". A ação na Venezuela, disse Trump, mostra que "a dominância americana no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionada". O objetivo da nova estratégia de segurança nacional dos EUA, afirmou, é "proteger o comércio, o território e os recursos que são centrais para a nossa segurança nacional". Ele classificou o Hemisfério Ocidental como a "região de origem" dos Estados Unidos. A decisão de Trump de capturar Maduro, no entanto, levanta preocupações mais amplas na política global e nas relações dos EUA com outras grandes potências militares do mundo. LEIA MAIS: Lançadores de mísseis, navios para desembarque terrestre e submarino: o arsenal militar dos EUA na Venezuela INFOGRÁFICO: como os EUA cercaram a Venezuela em operação que ameaça Maduro O Ministério das Relações Exteriores da China divulgou um comunicado expressando choque e condenando o que classificou como um ataque imprudente contra uma nação soberana. Durante o governo Biden, os EUA fizeram condenações semelhantes à Rússia após a invasão da Ucrânia. Agora, o governo Trump tenta mediar um acordo de paz entre os dois países — um esforço que frequentemente pareceu mais favorável ao lado russo. Don Bacon, deputado republicano de perfil centrista que se aposentará ao fim deste ano, expressou preocupação com a mensagem que as ações de Trump podem transmitir. "Minha principal preocupação é que agora a Rússia use isso para justificar suas ações militares ilegais e bárbaras contra a Ucrânia, ou que a China use para justificar uma invasão de Taiwan." Os críticos democratas de Trump foram mais diretos. "Os Estados Unidos não deveriam administrar outros países sob nenhuma circunstância", disse Brian Schatz, do Havaí, que integra o Comitê de Relações Exteriores do Senado. "Já deveríamos ter aprendido a não nos envolver em guerras intermináveis e missões de mudança de regime que trazem consequências catastróficas para os americanos." O deputado Hakeem Jeffries, que pode se tornar presidente da Câmara caso os democratas retomem o controle da Casa após as eleições legislativas de meio de mandato em novembro, afirmou que Maduro é um criminoso e um ditador com um histórico de violações de direitos humanos. Ainda assim, condenou a decisão de Trump de não consultar líderes do Legislativo antes de lançar o ataque. "Donald Trump tem a responsabilidade constitucional de cumprir a lei e proteger as normas democráticas nos Estados Unidos", disse. "É isso que colocar a América em primeiro lugar exige." Trump afirmou na coletiva de imprensa que optou por não informar o Congresso porque temia que parlamentares "vazassem" detalhes da operação antes do ataque. A operação militar foi considerada um sucesso — sem mortes de americanos e com danos limitados a equipamentos dos EUA. Trump, com sua bravata habitual, descreveu a ação como um "ataque espetacular" e "uma das demonstrações mais impressionantes, eficazes e poderosas da força e da competência militar americana na história dos Estados Unidos". Agora, ele aposta sua presidência na continuidade desse sucesso, enquanto os EUA dizem que irão assumir a administração e a reconstrução da Venezuela — embora ainda não esteja claro o que isso significa, na prática. Trump e sua equipe terão de fortalecer um país que vive em turbulência há décadas, ao mesmo tempo em que tentam estabilizar uma região que certamente observará com cautela o que a política externa de Trump reserva para ela.

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