Ajuda global é insuficiente para conter ebola no Congo, alertam organizações
Cartaz com os números de contato de emergência para o Ebola está afixado em uma tenda na passagem de fronteira de Busunga, entre Uganda e a República Democrática do Congo, em Bundibugyo, em 18 de maio de 2026 BADRU KATUMBA / AFP Desde que o Ministério da Saúde da República Democrática do Congo (RDC) declarou surto de ebola, em 15 de maio, ele já se tornou o terceiro maior já registrado. A epidemia continua a crescer nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, no leste da RDC, com 1.077 casos suspeitos e 246 mortes suspeitas, segundo os dados mais recentes dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África (África CDC). A Organização Mundial da Saúde (OMS) teme que o vírus continue a se espalhar pelo país e além, e grupos humanitários alertam que, sem uma intervenção mais incisiva, este poderá ser o surto de ebola mais letal da história. "Estamos enfrentando um surto extremamente grave e difícil. Vai piorar antes de melhorar", afirmou no início da semana o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Entenda o Ebola em 7 pontos O organismo internacional de saúde quer prestar ajuda em campo o mais rapidamente possível, com o envio de equipamentos e especialistas médicos. No entanto, os recursos da OMS são limitados, especialmente após a saída dos Estados Unidos da organização, que eram o maior contribuinte individual. Essa falta de financiamento obrigou a OMS a reduzir e até cortar alguns programas. Financiamentos prometidos inclusive após o início da epidemia também minguaram, segundo o diretor-geral da África CDC, Jean Kaseya. Ele afirmou na sexta-feira (29/05) que parceiros do órgão, que haviam prometido quase 500 milhões de dólares no começo da semana para apoiar o combate ao surto, recuaram e reduziram a estimativa de envio para 290 milhões de dólares. "As pessoas estão morrendo! Como alguém pode anunciar um compromisso de X milhões de dólares e, no dia seguinte, me ligar para dizer que foi um erro?", afirmou Kaseya durante entrevista coletiva virtual, sem citar nomes. Embora a Alemanha seja atualmente o maior doador da OMS, também diminuiu suas contribuições. O país ainda reduziu o orçamento do Ministério Federal de Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ) neste ano. "O orçamento de 2026 mostra que todos os recursos destinados ao Ministério da Saúde e ao Ministério de Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ) foram reduzidos", disse Julia Stoffner, especialista em política de saúde da organização humanitária alemã Brot für die Welt (Pão para o Mundo), ligada à igreja protestante. Esses cortes incluem contribuições voluntárias à OMS. O BMZ vem reduzindo o financiamento para programas de saúde há anos, explicou Stoffner à DW: "Quando os sistemas de saúde no Sul Global ficam cada vez mais fracos ou deixam de ser apoiados, isso contribui para que surtos como o da RDC passem despercebidos por muito tempo antes de se tornarem evidentes". A CARE, outra organização de ajuda humanitária, também pediu à comunidade internacional que invista mais em assistência e educação. A Caritas, entidade assistencial católica, publicou apelo semelhante. Cortes de financiamento criam cenário preocupante Josue Ibulungu dirige o escritório da organização alemã de ajuda humanitária Diakonie em Goma, capital da província de Kivu do Norte, no leste da RDC. Ele organiza apoio para os afetados na região do surto, mas afirma que apenas 30% da demanda de ajuda consegue ser atendida.

Cartaz com os números de contato de emergência para o Ebola está afixado em uma tenda na passagem de fronteira de Busunga, entre Uganda e a República Democrática do Congo, em Bundibugyo, em 18 de maio de 2026 BADRU KATUMBA / AFP Desde que o Ministério da Saúde da República Democrática do Congo (RDC) declarou surto de ebola, em 15 de maio, ele já se tornou o terceiro maior já registrado. A epidemia continua a crescer nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, no leste da RDC, com 1.077 casos suspeitos e 246 mortes suspeitas, segundo os dados mais recentes dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África (África CDC). A Organização Mundial da Saúde (OMS) teme que o vírus continue a se espalhar pelo país e além, e grupos humanitários alertam que, sem uma intervenção mais incisiva, este poderá ser o surto de ebola mais letal da história. "Estamos enfrentando um surto extremamente grave e difícil. Vai piorar antes de melhorar", afirmou no início da semana o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Entenda o Ebola em 7 pontos O organismo internacional de saúde quer prestar ajuda em campo o mais rapidamente possível, com o envio de equipamentos e especialistas médicos. No entanto, os recursos da OMS são limitados, especialmente após a saída dos Estados Unidos da organização, que eram o maior contribuinte individual. Essa falta de financiamento obrigou a OMS a reduzir e até cortar alguns programas. Financiamentos prometidos inclusive após o início da epidemia também minguaram, segundo o diretor-geral da África CDC, Jean Kaseya. Ele afirmou na sexta-feira (29/05) que parceiros do órgão, que haviam prometido quase 500 milhões de dólares no começo da semana para apoiar o combate ao surto, recuaram e reduziram a estimativa de envio para 290 milhões de dólares. "As pessoas estão morrendo! Como alguém pode anunciar um compromisso de X milhões de dólares e, no dia seguinte, me ligar para dizer que foi um erro?", afirmou Kaseya durante entrevista coletiva virtual, sem citar nomes. Embora a Alemanha seja atualmente o maior doador da OMS, também diminuiu suas contribuições. O país ainda reduziu o orçamento do Ministério Federal de Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ) neste ano. "O orçamento de 2026 mostra que todos os recursos destinados ao Ministério da Saúde e ao Ministério de Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ) foram reduzidos", disse Julia Stoffner, especialista em política de saúde da organização humanitária alemã Brot für die Welt (Pão para o Mundo), ligada à igreja protestante. Esses cortes incluem contribuições voluntárias à OMS. O BMZ vem reduzindo o financiamento para programas de saúde há anos, explicou Stoffner à DW: "Quando os sistemas de saúde no Sul Global ficam cada vez mais fracos ou deixam de ser apoiados, isso contribui para que surtos como o da RDC passem despercebidos por muito tempo antes de se tornarem evidentes". A CARE, outra organização de ajuda humanitária, também pediu à comunidade internacional que invista mais em assistência e educação. A Caritas, entidade assistencial católica, publicou apelo semelhante. Cortes de financiamento criam cenário preocupante Josue Ibulungu dirige o escritório da organização alemã de ajuda humanitária Diakonie em Goma, capital da província de Kivu do Norte, no leste da RDC. Ele organiza apoio para os afetados na região do surto, mas afirma que apenas 30% da demanda de ajuda consegue ser atendida.
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