DNA humano é encontrado pela primeira vez em paredes de cavernas
Estudo mostra que material genético pode permanecer preservado por milhares de anos e ajudar a revelar quem frequentava esses locais
Pela primeira vez, cientistas conseguiram identificar DNA humano antigo preservado diretamente nas paredes de cavernas. A descoberta mostra que vestígios genéticos podem permanecer na rocha por milhares de anos e oferece uma nova forma de investigar quem ocupava esses locais durante a pré-história.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Espanha, Portugal, Alemanha, Reino Unido e China, dentro do projeto First Art, e publicado na revista Nature Communications na última terça-feira (23/6).
Até agora, o DNA humano antigo era obtido principalmente a partir de ossos, dentes, sedimentos e alguns artefatos arqueológicos. A nova pesquisa demonstra que as próprias paredes das cavernas também podem guardar esse tipo de informação.
Como o DNA foi encontrado?
Os pesquisadores analisaram 120 amostras coletadas em 11 cavernas da Espanha e de Portugal. O material incluía fragmentos de paredes com pinturas rupestres, áreas sem pigmentação, sedimentos, ossos e até um antigo instrumento usado para aplicar tinta nas paredes.
Ao todo, cinco amostras apresentaram DNA mitocondrial humano antigo preservado. Parte delas veio de uma caverna em Portugal e outra parte de uma caverna no norte da Espanha.
Um dos resultados que mais chamou a atenção da equipe foi a identificação de DNA humano também em áreas das paredes que não possuíam pinturas rupestres. Isso indica que a presença de material genético não depende necessariamente da arte produzida no local.
Como o material permaneceu na estrutura
Segundo os pesquisadores, o DNA pode ter sido deixado nas paredes por meio do contato direto de pessoas pré-históricas, como saliva, suor ou outros fluidos corporais.
Em algumas amostras, os cientistas não encontraram DNA de animais, o que reforça a hipótese de que o material genético humano foi depositado diretamente na superfície da rocha.
Em outras, o DNA humano apareceu junto ao de animais, sugerindo que ele pode ter chegado ao local transportado por sedimentos ou pela água ao longo do tempo.
O que a descoberta pode revelar
As análises mostraram que o DNA de três amostras era predominantemente feminino, uma era masculina e outra não pôde ser identificada.
Em duas amostras da Espanha, os pesquisadores também conseguiram determinar que o material genético pertencia a humanos modernos ligados ao grupo dos caçadores-coletores que viveram na Península Ibérica.
Os autores ressaltam que os resultados não permitem afirmar que o DNA pertence aos artistas que produziram as pinturas, mesmo assim, a descoberta oferece uma nova ferramenta para estudar a ocupação humana das cavernas.
Limitações do estudo
Apesar do resultado, o DNA humano antigo foi encontrado em apenas cinco das 120 amostras analisadas, mostrando que sua preservação é rara e depende de condições específicas do ambiente.
Segundo os autores, mais estudos serão necessários para entender em quais tipos de cavernas e superfícies o material genético consegue permanecer preservado por mais tempo.
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