Sem pagamento, ONG que atende 950 vulneráveis pode fechar as portas
Casa Azul Felipe Augusto alega que repasses de junho e julho não foram recebidos. Responsável por pagamentos, Sedes diz ter ciência do caso
Responsáveis pela Casa Azul Felipe Augusto (imagem em destaque), Organização da Sociedade Civil (OSC) sem fins lucrativos que atua no enfrentamento de desigualdades sociais no Distrito Federal, denunciam o atraso na liberação de recursos por parte da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF). Segundo a OSC, que está localizada em Samambaia (DF), é o segundo em menos de um ano.
A Sedes-DF confirma o problema (leia mais no fim da matéria).
A Casa Azul Felipe Augusto funciona há 36 anos no DF e atende cerca de 950 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social nas regiões de Samambaia, Riacho Fundo II e São Sebastião.
O espaço desenvolve atividades de convivência e fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, além de ações voltadas ao desenvolvimento de habilidades, inclusão social e prevenção de situações de vulnerabilidade e violação de direitos.
Segundo a instituição, os repasses financeiros previstos para junho e julho ainda não foram disponibilizados. Os valores seriam destinados à execução do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), firmado entre o Executivo e entidades como a Casa Felipe Augusto.
A coordenadora de sustentabilidade e captação da organização, Silvina Araújo, 51 anos, contou ao Metrópoles que a entidade mantém, desde 2003, parceria por meio de termos de colaboração Sedes-DF. Ela teme, contudo, que o atraso de dois meses leve a Casa Azul Felipe Augusto ao encerramento das atividades.
“[…] Nós já temos atraso do pagamento do mês de junho e julho e estamos na iminência de ter que fechar as portas para não poder mais acolher as crianças, que vão ficar desassistidas”, afirma Silvina.
Recorrência
Segundo Silvina, esta é a segunda vez em menos de um ano que a situação ocorre. Em outubro de 2025, o atraso dos repasses referentes aos meses de setembro e outubro levou à suspensão temporária das atividades.
“Em outubro do ano de 2025, nós tivemos que paralisar os serviços porque a Lei Orçamentária Anual (LOA) não contemplou o pagamento desses termos de colaboração. Foi um transtorno. Nós atrasamos pagamento de fornecedores e funcionários e tivemos que paralisar realmente os serviços, que só retomaram depois que foram feitos os pagamentos”, diz Silvina.
A coordenadora relata ainda que, para contornar a situação no ano passado, a instituição precisou recorrer a empréstimos bancários. “Mas, para este mês, não será possível”, afirma.
Diante dos atrasos, a Casa Azul afirma ter adotado medidas internas para evitar que o problema impacte diretamente as crianças e adolescentes atendidos. A instituição optou por manter o funcionamento, absorvendo custos e reorganizando o planejamento financeiro.
Entre as ações adotadas estão o cancelamento de férias programadas de colaboradores; renegociação de contratos com fornecedores; postergação de despesas administrativas; priorização de gastos essenciais e reorganização do fluxo financeiro interno. As medidas devem, momentaneamente, assegurar a continuidade dos atendimentos pelo maior tempo possível.
Mesmo assim, há risco de paralisação das atividades caso os repasses não sejam regularizados em tempo hábil.
“Essa é a angústia da Casa Azul e também de outras várias instituições que têm termo de colaboração com a Sedes”, acrescentou Silvina.
O que diz a Sedes-DF
Em nota, a Sedes-DF informou que tem ciência do atraso junto à Casa Azul Felipe Augusto.
Segundo a pasta, “o pagamento será realizado nos próximos dias”.
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