Dólar cai e Bolsa sobe com alívio das projeções de alta de juros

Moeda americana opera em baixa de 0,44% frente ao real, cotada a R$ 5,18. O Ibovespa avança 0,37%, aos 173,4 mil pontos

Jul 3, 2026 - 11:00
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Dólar cai e Bolsa sobe com alívio das projeções de alta de juros

O dólar opera em queda de 0,44% frente ao real, cotado a R$ 5,18, nesta sexta-feira (3/7). O Ibovespa, por sua vez, iniciou o pregão em alta. Às 10h30, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), subia 0,37% aos 173,4 mil pontos.

Essa é uma sessão, em tese, morna para os mercados de câmbio e ações. O feriado do Dia da Independência, nos Estados Unidos, comemorado em 4 de julho, foi antecipado para esta sexta-feira, o que reduz a liquidez nos pregões domésticos.

No front externo, prevalece um duplo alívio. De um lado, a guerra entre Estados Unidos e Israel deixou de ser um vetor decisivo para os investimentos, desde o momento em que os dois países firmaram um acordo provisório, ainda que sujeito a turbulências.

Por outro lado, a divulgação de dados mais fracos sobre o mercado de trabalho americano reduziu as projeções de uma nova alta dos juros no país, embora a política monetária americana ainda deva continuar restritiva.

Produção industrial

No Brasil, os investidores acompanharam a divulgação dos dados da produção industrial, que registrou queda de 0,2% em maio. O número veio abaixo da expectativa do mercado, que esperava aumento de 0,2%, e representou a primeira retração do ano na base de comparação mensal, interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de crescimento do indicador.

Contrariando as expectativas para o período, os segmentos voltados para o mercado externo apresentaram comportamento majoritariamente negativo, com destaque para o derivados de petróleo e biocombustível (-6,1%), indústria extrativa (-4,0%) e os produtos de madeira (-0,6%), cujas taxas de retração se encontraram entre as piores da pesquisa divulgada.

Para Matheus Pizzani, economista do PicPay, o mau comportamento no período pode ser atribuído à potencial correção estatística frente o forte crescimento do mês anterior, tendo em vista que o cenário internacional ainda se mostrava favorável para esta classe específica de produção, especialmente no caso do petróleo.

Na avaliação de Vitor Kayo, da Nomad, o resultado abaixo do esperado sugere um fôlego mais fraco da indústria depois de um início de ano mais aquecido. “Mas ainda é cedo para caracterizar o movimento como uma mudança de trajetória, já que o setor vinha de uma sequência positiva relevante e alguns dos recuos, como o de derivados de petróleo, refletem em parte a reversão de uma alta acumulada nos meses anteriores”, diz o analista. “Ainda assim, o resultado não muda o quadro geral de uma atividade econômica que segue resiliente, sustentada por estímulos fiscais e creditícios em ano eleitoral, o que reforça a cautela do Banco Central em relação ao processo de desinflação.”

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