Eleitores dos EUA demonstram pessimismo em relação à economia às vésperas das eleições

O presidente dos EUA, Donald Trump, participa de um comício de campanha para as eleições de meio de mandato no Five Flags Center em Dubuque, Iowa, EUA, em 1º de novembro de 2026 REUTERS/Evan Vucci Na véspera das eleições que decidirão se o Partido Republicano, do presidente Donald Trump, manterá o controle do Congresso, a atenção dos eleitores está voltada para a economia. Os preços elevados são uma das principais preocupações, e muitos americanos atribuem a inflação persistente às políticas do presidente, especialmente às tarifas comerciais e à guerra com o Irã. Em resumo, os norte-americanos estão insatisfeitos. Os números, no entanto, contam uma história mais complexa. Do lado positivo, a taxa de desemprego permanece historicamente baixa, há mais pessoas empregadas do que nunca e o crescimento econômico é sólido. Além disso, o aumento dos investimentos em inteligência artificial (IA) impulsionou o mercado de ações — pelo menos até recentemente —, elevando o valor das reservas financeiras para a aposentadoria de milhões de pessoas. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp ACOMPANHE: as últimas notícias sobre as midterms MAPAS vão mostrar resultados em tempo real Na contramão desse cenário está a inflação. Embora esteja longe dos níveis registrados há alguns anos, ela continua elevada e afeta o orçamento das famílias. Os consumidores sentem o impacto no bolso ao abastecer o carro, pagar as contas de serviços públicos ou pedir uma refeição. Trump não está na cédula eleitoral de 3 de novembro, mas os eleitores levam em conta o desempenho econômico de seu governo ao se dirigirem às urnas. O clima é de ceticismo, quando não de puro descontentamento. Agora no g1 Pessimismo na economia Pesquisas com consumidores mostram que o sentimento em relação à economia piorou de maneira geral desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025. Há, porém, diferenças entre os indicadores: um dos principais índices de confiança, divulgado pelo Conference Board, registrou melhora em outubro, enquanto o indicador da Universidade de Michigan atingiu um dos níveis mais baixos de sua história. Um dos fatores que sustentam uma visão mais positiva da economia é o mercado de trabalho. As empresas podem não estar contratando em ritmo acelerado, e os recém-formados enfrentam dificuldades para encontrar emprego, mas também não há demissões em massa. Os pedidos semanais de auxílio-desemprego estão próximos do menor nível em 57 anos. Além disso, a taxa de desemprego, que ficou em 4,2% em setembro, não ultrapassa 4,5% há cinco anos consecutivos — o período mais longo já registrado. As famílias também percebem essa situação. O Conference Board acompanha a diferença entre os consumidores que dizem que há empregos disponíveis em abundância e aqueles que consideram difícil conseguir uma vaga. Esse indicador aumentou no mês passado, sinalizando uma melhora na percepção sobre o mercado de trabalho. Outro fator positivo são os ganhos no mercado de ações. Os principais índices das bolsas dos Estados Unidos registraram dezenas de recordes neste ano, como Trump costuma destacar em seus comícios. A maioria dos americanos possui algum investimento em ações, embora as famílias de renda mais alta concentrem uma parcela muito maior desses ativos. O aumento do patrimônio dessas famílias ajudou a sustentar o consumo, um dos principais motores do crescimento econômico. Dados divulgados na semana passada mostraram que a economia dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 3,4% no último trimestre, seu melhor resultado neste ano. “As pesquisas com consumidores podem parecer um pouco pessimistas, mas o comportamento do consumidor está bastante sólido”, disse o secretário do Tesouro, Scott Bessent, à CNBC na semana passada. “O comportamento das empresas está, na verdade, bastante sólido, e acho que, com a política tributária, a política comercial, a política energética e a política regulatória, temos uma combinação muito boa.” A demanda por tecnologias de inteligência artificial está impulsionando boa parte dos ganhos no mercado de ações e na economia. Os investimentos das empresas cresceram a uma taxa anualizada de 12,7% no último trimestre. 'Reajuste brusco' Ainda assim, alguns economistas alertam que esse cenário pode esconder fragilidades — e os primeiros sinais de desgaste começam a aparecer. Com a aproximação das eleições de meio de mandato, resultados financeiros de empresas como Amazon e Intel aumentaram as preocupações sobre a sustentabilidade dos investimentos em inteligência artificial. A repercussão contribuiu para uma forte queda de índices como o Nasdaq Composite. Além dessas incertezas, há um problema que economistas e autoridades do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, reconhecem como a principal preocupação de muitas famílias: a inflação. Embora tenha desacelerado desde o pico registrado em 2022, ela continua bem acima da meta de 2% estabelecida pelo banco central para manter os preços estáveis

Nov 2, 2026 - 09:00
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Eleitores dos EUA demonstram pessimismo em relação à economia às vésperas das eleições

O presidente dos EUA, Donald Trump, participa de um comício de campanha para as eleições de meio de mandato no Five Flags Center em Dubuque, Iowa, EUA, em 1º de novembro de 2026 REUTERS/Evan Vucci Na véspera das eleições que decidirão se o Partido Republicano, do presidente Donald Trump, manterá o controle do Congresso, a atenção dos eleitores está voltada para a economia. Os preços elevados são uma das principais preocupações, e muitos americanos atribuem a inflação persistente às políticas do presidente, especialmente às tarifas comerciais e à guerra com o Irã. Em resumo, os norte-americanos estão insatisfeitos. Os números, no entanto, contam uma história mais complexa. Do lado positivo, a taxa de desemprego permanece historicamente baixa, há mais pessoas empregadas do que nunca e o crescimento econômico é sólido. Além disso, o aumento dos investimentos em inteligência artificial (IA) impulsionou o mercado de ações — pelo menos até recentemente —, elevando o valor das reservas financeiras para a aposentadoria de milhões de pessoas. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp ACOMPANHE: as últimas notícias sobre as midterms MAPAS vão mostrar resultados em tempo real Na contramão desse cenário está a inflação. Embora esteja longe dos níveis registrados há alguns anos, ela continua elevada e afeta o orçamento das famílias. Os consumidores sentem o impacto no bolso ao abastecer o carro, pagar as contas de serviços públicos ou pedir uma refeição. Trump não está na cédula eleitoral de 3 de novembro, mas os eleitores levam em conta o desempenho econômico de seu governo ao se dirigirem às urnas. O clima é de ceticismo, quando não de puro descontentamento. Agora no g1 Pessimismo na economia Pesquisas com consumidores mostram que o sentimento em relação à economia piorou de maneira geral desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025. Há, porém, diferenças entre os indicadores: um dos principais índices de confiança, divulgado pelo Conference Board, registrou melhora em outubro, enquanto o indicador da Universidade de Michigan atingiu um dos níveis mais baixos de sua história. Um dos fatores que sustentam uma visão mais positiva da economia é o mercado de trabalho. As empresas podem não estar contratando em ritmo acelerado, e os recém-formados enfrentam dificuldades para encontrar emprego, mas também não há demissões em massa. Os pedidos semanais de auxílio-desemprego estão próximos do menor nível em 57 anos. Além disso, a taxa de desemprego, que ficou em 4,2% em setembro, não ultrapassa 4,5% há cinco anos consecutivos — o período mais longo já registrado. As famílias também percebem essa situação. O Conference Board acompanha a diferença entre os consumidores que dizem que há empregos disponíveis em abundância e aqueles que consideram difícil conseguir uma vaga. Esse indicador aumentou no mês passado, sinalizando uma melhora na percepção sobre o mercado de trabalho. Outro fator positivo são os ganhos no mercado de ações. Os principais índices das bolsas dos Estados Unidos registraram dezenas de recordes neste ano, como Trump costuma destacar em seus comícios. A maioria dos americanos possui algum investimento em ações, embora as famílias de renda mais alta concentrem uma parcela muito maior desses ativos. O aumento do patrimônio dessas famílias ajudou a sustentar o consumo, um dos principais motores do crescimento econômico. Dados divulgados na semana passada mostraram que a economia dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 3,4% no último trimestre, seu melhor resultado neste ano. “As pesquisas com consumidores podem parecer um pouco pessimistas, mas o comportamento do consumidor está bastante sólido”, disse o secretário do Tesouro, Scott Bessent, à CNBC na semana passada. “O comportamento das empresas está, na verdade, bastante sólido, e acho que, com a política tributária, a política comercial, a política energética e a política regulatória, temos uma combinação muito boa.” A demanda por tecnologias de inteligência artificial está impulsionando boa parte dos ganhos no mercado de ações e na economia. Os investimentos das empresas cresceram a uma taxa anualizada de 12,7% no último trimestre. 'Reajuste brusco' Ainda assim, alguns economistas alertam que esse cenário pode esconder fragilidades — e os primeiros sinais de desgaste começam a aparecer. Com a aproximação das eleições de meio de mandato, resultados financeiros de empresas como Amazon e Intel aumentaram as preocupações sobre a sustentabilidade dos investimentos em inteligência artificial. A repercussão contribuiu para uma forte queda de índices como o Nasdaq Composite. Além dessas incertezas, há um problema que economistas e autoridades do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, reconhecem como a principal preocupação de muitas famílias: a inflação. Embora tenha desacelerado desde o pico registrado em 2022, ela continua bem acima da meta de 2% estabelecida pelo banco central para manter os preços estáveis. Durante boa parte do segundo mandato de Trump, os salários cresceram mais rapidamente do que os preços. Isso permitiu que os trabalhadores mantivessem ou até ampliassem seu poder de compra, adquirindo a mesma quantidade — ou mais — de bens e serviços. Essa situação mudou no início deste ano, depois que Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã, dando início a uma guerra que já dura oito meses. O conflito elevou os preços dos combustíveis em todo o mundo e contribuiu para acelerar a inflação em outros setores. A demanda por inteligência artificial também pressiona os preços, segundo autoridades do Fed e economistas. Ao mesmo tempo, o ritmo de crescimento dos salários está diminuindo. Desde janeiro de 2025, os preços ao consumidor e a remuneração média por hora aumentaram cerca de 5,5%, segundo dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos. Na prática, isso significa que, em termos de poder de compra, os trabalhadores não estão nem em situação pior nem melhor do que quando Trump assumiu a Presidência, em janeiro de 2025. O banco central americano elevou sua taxa básica de juros em setembro e deve aumentar novamente os custos dos empréstimos em dezembro. A medida faz parte do esforço para conter a inflação sem, segundo o presidente do Fed, Kevin Warsh, “atrapalhar o funcionamento da economia e deixar as pessoas desempregadas”. Os juros de longo prazo também subiram, aumentando as dificuldades financeiras relatadas pelos eleitores. A combinação de taxas de financiamento imobiliário de 30 anos acima de 7% e da falta de imóveis disponíveis, que pressiona os preços para cima, tornou a compra da casa própria inacessível para muitas pessoas.

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