Em discurso ao Congresso, rei Charles III exalta Otan e diz que EUA e Reino Unido têm 'dever de promover a paz'
Rei Charles III chega aos Estados Unidos mesmo após tiroteio em jantar no sábado (25) O rei Charles III da Inglaterra discursou nesta terça-feira (28), no Congresso dos EUA, em Washington. Ele e sua mulher, a rainha Camilla, realizam uma visita de Estado de quatro dias ao país num momento em que as duas partes vivem um momento conturbado. Em sua fala, Charles deu destaque à Otan, a aliança militar Ocidental, cujos membros são alvos frequentes de críticas de Trump, falou em "promover a paz" e buscou reforçar os laços entre os EUA e o Reino Unido. "A essência de nossas duas nações é uma generosidade de espírito e um dever de cultivar a compaixão, promover a paz, aprofundar a compreensão mútua e valorizar todas as pessoas, de todas as religiões — e também aquelas que não têm religião". O rei Charles III fez várias referências à independência americana da Inglaterra, que completa 250 anos em 2026. "A nossa é uma parceria que nasceu da disputa, mas nem por isso é menos forte… Portanto, podemos discernir que as nossas nações são, na verdade, instintivamente semelhantes em termos de mentalidade – um produto das tradições democráticas, jurídicas e sociais comuns em que a nossa governança está enraizada até hoje", disse Charles, em seu discurso. O discurso de Charles pregou a união entre os dois países e reforçou a importância de defender os valores democráticos. O rei foi bastante aplaudido diversas vezes, incluindo quando citou os princípios de controle dos poderes Executivos pelo Legislativo e Judiciário, previsto nas Constituições de ambos os países. Rei Charles II da Inglaterra discursa no Congresso dos EUA em 28 de abril de 2026 Eric Lee/Reuters Houve menções à Otan e à Ucrânia, no que pode ser lido como uma reprovação velada à tendência de Trump intervir em questões internacionais sozinho, à revelia de órgãos multilaterais. "Imediatamente após o 11 de setembro, quando a Otan invocou o Artigo 5 pela primeira vez e o Conselho de Segurança das Nações Unidas se uniu diante do terror, respondemos juntos ao chamado", disse o monarca. "Hoje, essa mesma determinação inabalável é necessária para a defesa da Ucrânia e de seu povo corajoso – a fim de garantir uma paz verdadeiramente justa e duradoura." "O compromisso e a experiência das Forças Armadas dos Estados Unidos e seus aliados estão no cerne da Otan, comprometidos com a defesa mútua, protegendo nossos cidadãos e interesses, mantendo norte-americanos e europeus a salvo de nossos adversários comuns. Nossos laços de defesa, inteligência e segurança estão intrinsecamente ligados por meio de relações medidas não em anos, mas em décadas." Charles também deu destaque à defesa do meio ambiente, uma das bandeiras que ele costuma levantar constantemente, desde antes de ascender ao trono. "Nos próximos 250 anos, devemos também refletir sobre nossa responsabilidade compartilhada de proteger a natureza, nosso ativo mais precioso e insubstituível." Momento de tensão A viagem ocorre em meio a um momento de tensão entre Londres e Washington — aliados históricos — e pouco após um homem armado invadir, no sábado (25) à noite, um jantar com a imprensa com a intenção de atirar em Trump. Planejada antes da guerra com o Irã, a visita também marca os 250 anos da independência americana, comemorados no próximo 4 de julho. A agenda foi definida antes da ofensiva liderada por Trump e pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, contra o Irã. Veja o cronograma abaixo. Apesar do incidente de segurança no fim de semana, a programação foi mantida, com reforço na proteção do monarca. Após o discurso, Charles e Camilla participam de um banquete oficial. Na quarta-feira, o casal segue para Nova York, onde prestará homenagem às vítimas dos atentados de 11 de setembro e participará de um evento com representantes das indústrias criativas. Na quinta-feira, a agenda continua no estado da Virgínia, em celebrações pelos 250 anos da independência americana. Crise diplomática O momento da visita do monarca inglês aos EUA é considerado delicado. Historiadores britânicos classificam o momento como a pior crise anglo-americana em um século, segundo a AFP. Trump tem feito críticas públicas ao primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. Já chamou os porta-aviões britânicos de “brinquedos” e afirmou que o premiê “não é Winston Churchill”. Um dos pontos de atrito envolve a soberania das Ilhas Malvinas. Um e-mail vazado do Pentágono indicou que os EUA poderiam rever o apoio ao Reino Unido no tema. O governo britânico reagiu, reiterando que o arquipélago pertence ao país desde 1833, apesar da disputa com a Argentina. Embora a Casa Branca não tenha comentado oficialmente o vazamento, o documento é visto como pressão sobre aliados da OTAN que, na avaliação de Trump — como Reino Unido e Espanha —, estariam contribuindo menos do que o esperado na guerra contra o Irã. Além disso, Trump é alinhado politicamente com o presidente argentino Javier Milei.

Rei Charles III chega aos Estados Unidos mesmo após tiroteio em jantar no sábado (25) O rei Charles III da Inglaterra discursou nesta terça-feira (28), no Congresso dos EUA, em Washington. Ele e sua mulher, a rainha Camilla, realizam uma visita de Estado de quatro dias ao país num momento em que as duas partes vivem um momento conturbado. Em sua fala, Charles deu destaque à Otan, a aliança militar Ocidental, cujos membros são alvos frequentes de críticas de Trump, falou em "promover a paz" e buscou reforçar os laços entre os EUA e o Reino Unido. "A essência de nossas duas nações é uma generosidade de espírito e um dever de cultivar a compaixão, promover a paz, aprofundar a compreensão mútua e valorizar todas as pessoas, de todas as religiões — e também aquelas que não têm religião". O rei Charles III fez várias referências à independência americana da Inglaterra, que completa 250 anos em 2026. "A nossa é uma parceria que nasceu da disputa, mas nem por isso é menos forte… Portanto, podemos discernir que as nossas nações são, na verdade, instintivamente semelhantes em termos de mentalidade – um produto das tradições democráticas, jurídicas e sociais comuns em que a nossa governança está enraizada até hoje", disse Charles, em seu discurso. O discurso de Charles pregou a união entre os dois países e reforçou a importância de defender os valores democráticos. O rei foi bastante aplaudido diversas vezes, incluindo quando citou os princípios de controle dos poderes Executivos pelo Legislativo e Judiciário, previsto nas Constituições de ambos os países. Rei Charles II da Inglaterra discursa no Congresso dos EUA em 28 de abril de 2026 Eric Lee/Reuters Houve menções à Otan e à Ucrânia, no que pode ser lido como uma reprovação velada à tendência de Trump intervir em questões internacionais sozinho, à revelia de órgãos multilaterais. "Imediatamente após o 11 de setembro, quando a Otan invocou o Artigo 5 pela primeira vez e o Conselho de Segurança das Nações Unidas se uniu diante do terror, respondemos juntos ao chamado", disse o monarca. "Hoje, essa mesma determinação inabalável é necessária para a defesa da Ucrânia e de seu povo corajoso – a fim de garantir uma paz verdadeiramente justa e duradoura." "O compromisso e a experiência das Forças Armadas dos Estados Unidos e seus aliados estão no cerne da Otan, comprometidos com a defesa mútua, protegendo nossos cidadãos e interesses, mantendo norte-americanos e europeus a salvo de nossos adversários comuns. Nossos laços de defesa, inteligência e segurança estão intrinsecamente ligados por meio de relações medidas não em anos, mas em décadas." Charles também deu destaque à defesa do meio ambiente, uma das bandeiras que ele costuma levantar constantemente, desde antes de ascender ao trono. "Nos próximos 250 anos, devemos também refletir sobre nossa responsabilidade compartilhada de proteger a natureza, nosso ativo mais precioso e insubstituível." Momento de tensão A viagem ocorre em meio a um momento de tensão entre Londres e Washington — aliados históricos — e pouco após um homem armado invadir, no sábado (25) à noite, um jantar com a imprensa com a intenção de atirar em Trump. Planejada antes da guerra com o Irã, a visita também marca os 250 anos da independência americana, comemorados no próximo 4 de julho. A agenda foi definida antes da ofensiva liderada por Trump e pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, contra o Irã. Veja o cronograma abaixo. Apesar do incidente de segurança no fim de semana, a programação foi mantida, com reforço na proteção do monarca. Após o discurso, Charles e Camilla participam de um banquete oficial. Na quarta-feira, o casal segue para Nova York, onde prestará homenagem às vítimas dos atentados de 11 de setembro e participará de um evento com representantes das indústrias criativas. Na quinta-feira, a agenda continua no estado da Virgínia, em celebrações pelos 250 anos da independência americana. Crise diplomática O momento da visita do monarca inglês aos EUA é considerado delicado. Historiadores britânicos classificam o momento como a pior crise anglo-americana em um século, segundo a AFP. Trump tem feito críticas públicas ao primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. Já chamou os porta-aviões britânicos de “brinquedos” e afirmou que o premiê “não é Winston Churchill”. Um dos pontos de atrito envolve a soberania das Ilhas Malvinas. Um e-mail vazado do Pentágono indicou que os EUA poderiam rever o apoio ao Reino Unido no tema. O governo britânico reagiu, reiterando que o arquipélago pertence ao país desde 1833, apesar da disputa com a Argentina. Embora a Casa Branca não tenha comentado oficialmente o vazamento, o documento é visto como pressão sobre aliados da OTAN que, na avaliação de Trump — como Reino Unido e Espanha —, estariam contribuindo menos do que o esperado na guerra contra o Irã. Além disso, Trump é alinhado politicamente com o presidente argentino Javier Milei.
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