Espanha recusa convite de Trump para fazer parte do Conselho da Paz
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, discursa durante uma coletiva de imprensa após participar de uma cúpula especial de líderes da União Europeia REUTERS/Yves Herman A Espanha recusou o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para fazer parte do Conselho da Paz. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp SANDRA COHEN: Conselho da Paz nasce esvaziado e à imagem de Trump O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, na noite desta quinta-feira (22), após uma cúpula da União Europeia em Bruxelas. "Agradecemos o convite, mas recusamos", afirmou. Sánchez citou a coerência com o compromisso de Madri com o direito internacional, a ONU e o multilateralismo como os principais motivos para a recusa em participar. Também criticou o fato do conselho, que foi criado inicialmente para supervisionar o trabalho do governo de transição que acaba de assumir o comando da Faixa de Gaza, não incluir a Autoridade Palestina. Lançamento oficial do Conselho da Paz ocorreu em Davos Trump lança 'Conselho de Paz' no Fórum Econômico Mundial, em Davos Com críticas à Organização das Nações Unidas (ONU) e um plano para reconstruir a Faixa de Gaza com uma fila de arranha-céus, Trump lançou oficialmente nesta quinta-feira (22) seu "Conselho da Paz". ➡️ Criada por seu governo para supervisionar a paz na Faixa de Gaza e reconstruir o território palestino, a estrutura é vista por parte da comunidade internacional como uma tentativa de esvaziar a ONU. Em cerimônia dentro do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, Trump disse que seu conselho terá aval "para fazer tudo o que quisermos" não só em Gaza, e seu governo também apresentou um plano de reconstrução que chamou de "Nova Gaza" (leia mais abaixo). "Quando esse conselho estiver completamente formado, poderemos fazer praticamente tudo o que quisermos. E faremos isso em conjunto com as Nações Unidas", disse Trump, que será o presidente vitalício do órgão e o único com poder de veto. Cerca de 30 dos 60 líderes mundiais que aceitaram participar do conselho participaram da cerimônia, como o presidente argentino, Javier Milei — o presidente Lula foi convidado para integrar o Conselho da Paz, mas ainda não respondeu ao convite. Nenhum grande aliado ocidental estava no lançamento. Em discurso na cerimônia, Trump disse ser um "dia muito empolgante" e voltou a criticar a ONU — que críticos dizem que Trump quer substituir com a criação de seu "Conselho da Paz". "Eu nunca nem falei com a ONU. Eles tinham um potencial tremendo", afirmou Trump. No entanto, ele disse que seu conselho dialogará "com muitos outros, incluindo a ONU". Ele disse ainda que o conselho não se dedicará apenas a Gaza, mas começará pelo território palestino, que ele disse que será "desmilitarizado e lindamente reconstruído". O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante o lançamento de seu "Conselho da Paz", em 22 de janeiro de 2026. Denis Balibouse/ Reuters A criação do conselho estava prevista na segunda fase do acordo de paz mediado pelos EUA e assinado por Israel e pelo grupo terrorista Hamas, em outubro do ano passado. O plano de paz, divulgado pela Casa Branca no fim de setembro, tem 20 pontos e prevê a Faixa de Gaza como uma zona livre de grupos armados e sob o comando de um governo de transição, formado por um comitê palestino tecnocrático e apolítico, que será supervisionado pelo conselho. A entidade "ajudará a apoiar uma governança eficaz e a prestação de serviços de alto nível que promovam a paz, a estabilidade e a prosperidade do povo de Gaza", anunciou a Casa Branca. Donald Trump será o presidente inaugural. Com amplos poderes, ele terá a palavra final em votações, pode escolher os países que deseja convidar e também pode revogar a participação de quem o desagradar. De acordo com o projeto de estatuto do conselho, quem quiser fazer parte do grupo exercerá mandatos de três anos, mas uma taxa bilionária garante a permanência fixa. "Cada Estado-membro cumprirá um mandato de no máximo três anos a partir da data de entrada em vigor desta Carta, renovável pelo presidente. Este mandato de três anos não se aplicará aos Estados-membros que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em dinheiro para o Conselho da Paz no primeiro ano", diz o documento. Na quarta-feira (21), a Casa Branca afirmou que 25 países já aceitaram o convite para integrar o Conselho da Paz . Entre eles estão: Israel Argentina Arábia Saudita Emirados Árabes Unidos Bahrein Jordânia Catar Egito Turquia Hungria Marrocos Paquistão Indonésia Kosovo Uzbequistão Cazaquistão Paraguai Vietnã Armênia Azerbaijão Belarus Até o momento, apenas a Noruega, a Suécia e a Itália se pronunciaram recusando o convite. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse que precisa de mais tempo para analisar a proposta antes de se comprometer como membro. Nesta quinta-feira (22), Trump enviou uma carta ao primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, informando a retirada de um convite para integ

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, discursa durante uma coletiva de imprensa após participar de uma cúpula especial de líderes da União Europeia REUTERS/Yves Herman A Espanha recusou o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para fazer parte do Conselho da Paz. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp SANDRA COHEN: Conselho da Paz nasce esvaziado e à imagem de Trump O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, na noite desta quinta-feira (22), após uma cúpula da União Europeia em Bruxelas. "Agradecemos o convite, mas recusamos", afirmou. Sánchez citou a coerência com o compromisso de Madri com o direito internacional, a ONU e o multilateralismo como os principais motivos para a recusa em participar. Também criticou o fato do conselho, que foi criado inicialmente para supervisionar o trabalho do governo de transição que acaba de assumir o comando da Faixa de Gaza, não incluir a Autoridade Palestina. Lançamento oficial do Conselho da Paz ocorreu em Davos Trump lança 'Conselho de Paz' no Fórum Econômico Mundial, em Davos Com críticas à Organização das Nações Unidas (ONU) e um plano para reconstruir a Faixa de Gaza com uma fila de arranha-céus, Trump lançou oficialmente nesta quinta-feira (22) seu "Conselho da Paz". ➡️ Criada por seu governo para supervisionar a paz na Faixa de Gaza e reconstruir o território palestino, a estrutura é vista por parte da comunidade internacional como uma tentativa de esvaziar a ONU. Em cerimônia dentro do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, Trump disse que seu conselho terá aval "para fazer tudo o que quisermos" não só em Gaza, e seu governo também apresentou um plano de reconstrução que chamou de "Nova Gaza" (leia mais abaixo). "Quando esse conselho estiver completamente formado, poderemos fazer praticamente tudo o que quisermos. E faremos isso em conjunto com as Nações Unidas", disse Trump, que será o presidente vitalício do órgão e o único com poder de veto. Cerca de 30 dos 60 líderes mundiais que aceitaram participar do conselho participaram da cerimônia, como o presidente argentino, Javier Milei — o presidente Lula foi convidado para integrar o Conselho da Paz, mas ainda não respondeu ao convite. Nenhum grande aliado ocidental estava no lançamento. Em discurso na cerimônia, Trump disse ser um "dia muito empolgante" e voltou a criticar a ONU — que críticos dizem que Trump quer substituir com a criação de seu "Conselho da Paz". "Eu nunca nem falei com a ONU. Eles tinham um potencial tremendo", afirmou Trump. No entanto, ele disse que seu conselho dialogará "com muitos outros, incluindo a ONU". Ele disse ainda que o conselho não se dedicará apenas a Gaza, mas começará pelo território palestino, que ele disse que será "desmilitarizado e lindamente reconstruído". O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante o lançamento de seu "Conselho da Paz", em 22 de janeiro de 2026. Denis Balibouse/ Reuters A criação do conselho estava prevista na segunda fase do acordo de paz mediado pelos EUA e assinado por Israel e pelo grupo terrorista Hamas, em outubro do ano passado. O plano de paz, divulgado pela Casa Branca no fim de setembro, tem 20 pontos e prevê a Faixa de Gaza como uma zona livre de grupos armados e sob o comando de um governo de transição, formado por um comitê palestino tecnocrático e apolítico, que será supervisionado pelo conselho. A entidade "ajudará a apoiar uma governança eficaz e a prestação de serviços de alto nível que promovam a paz, a estabilidade e a prosperidade do povo de Gaza", anunciou a Casa Branca. Donald Trump será o presidente inaugural. Com amplos poderes, ele terá a palavra final em votações, pode escolher os países que deseja convidar e também pode revogar a participação de quem o desagradar. De acordo com o projeto de estatuto do conselho, quem quiser fazer parte do grupo exercerá mandatos de três anos, mas uma taxa bilionária garante a permanência fixa. "Cada Estado-membro cumprirá um mandato de no máximo três anos a partir da data de entrada em vigor desta Carta, renovável pelo presidente. Este mandato de três anos não se aplicará aos Estados-membros que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em dinheiro para o Conselho da Paz no primeiro ano", diz o documento. Na quarta-feira (21), a Casa Branca afirmou que 25 países já aceitaram o convite para integrar o Conselho da Paz . Entre eles estão: Israel Argentina Arábia Saudita Emirados Árabes Unidos Bahrein Jordânia Catar Egito Turquia Hungria Marrocos Paquistão Indonésia Kosovo Uzbequistão Cazaquistão Paraguai Vietnã Armênia Azerbaijão Belarus Até o momento, apenas a Noruega, a Suécia e a Itália se pronunciaram recusando o convite. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse que precisa de mais tempo para analisar a proposta antes de se comprometer como membro. Nesta quinta-feira (22), Trump enviou uma carta ao primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, informando a retirada de um convite para integrar o conselho. A decisão ocorreu após troca de farpas entre Mark Carney e Trump no Fórum Econômico Mundial. Outros países afirmaram ainda estar avaliando o que farão. Alguns deles são: Brasil Rússia China França Reino Unido Alemanha Japão Ucrânia Vaticano
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