Estuprador de casal lésbico ameaçava matar mulheres que não fizessem sexo oral
Estuprador em série já havia ameaçado mulher de morte em 2020, para forçar ato sexual em ataque brutal no DF ocorrido também em Sobradinho
A crueldade e o sadismo que marcam a trajetória do estuprador Paulo Sérgio Sousa, 42 anos, ganharam contornos ainda mais sombrios com o avanço das investigações da 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho). Conhecido pela brutalidade extrema com que subjuga as vítimas, o criminoso acumula relatos de violência sexual marcados por forte pressão psicológica e perversão.
Em um dos crimes investigados, cometido em 2020, o agressor demonstrou o seu total desprezo pela vida humana ao ameaçar uma mulher de morte caso ela não se submetesse a realizar sexo oral nele.
O rastro de traumas deixado pelo criminoso ganhou um novo e trágico capítulo na última terça-feira (30/6), em Sobradinho (DF), quando duas jovens foram o alvo da vez. “Ele mandava a gente olhar para ele. Queria ver o nosso desespero”. Foi com essas palavras de dor profunda que uma das vítimas, de 20 anos, descreveu em depoimento os momentos de absoluto terror vividos ao lado da namorada, de 19 anos, durante quase duas horas nas mãos do agressor.
Relato de terror
O crime, que chocou a comunidade local, teve início por volta das 20h. As duas jovens haviam acabado de sair da Rodoviária de Sobradinho e seguiam a pé em direção à residência onde moram. Segundo relataram, o trajeto habitual era feito por meio de outra linha de ônibus que as deixava mais perto de casa, mas, naquele dia específico, o coletivo não passou, obrigando as duas a caminhar pela região.
No decorrer do percurso, as jovens notaram a presença de um homem que se aproximava de forma rápida. “Provavelmente ele já vinha nos seguindo, mas só notamos quando apontou a faca para nós. Era um facão de cozinha, aqueles de cortar carne”, relembrou uma delas. Armado e agressivo, o homem anunciou o assalto e exigiu a entrega imediata dos telefones celulares.
Ao revirar as mochilas e não encontrar os aparelhos, o criminoso ficou profundamente irritado, passando a acreditar que as vítimas estavam escondendo os objetos. Sob constantes ameaças de morte, ele obrigou as vítimas a entregar todos os pertences de valor, incluindo brincos, anéis, pulseiras e óculos. Logo em seguida, ordenou que ficassem nuas sob o pretexto de revistar o corpo delas atrás dos celulares. Sem os óculos, as duas jovens ficaram praticamente sem enxergar, o que ampliou a sensação de vulnerabilidade.
Omissão de socorro
Mesmo diante do movimento de veículos na via pública, o socorro não veio.
“Vários carros passaram pelo local enquanto tentávamos pedir ajuda, mas ninguém parou. Foi uma omissão de socorro muito grande. Quem passava via duas meninas nuas sendo levadas para uma área de mata e, mesmo assim, ninguém parou”, desabafou a jovem.
Ao perceber que as vítimas formavam um casal, o agressor utilizou a orientação afetiva das jovens para intensificar a tortura mental, prometendo assassinar uma caso a outra esboçasse qualquer reação ou tentativa de defesa.
O desfecho do martírio ocorreu em um momento de descuido do agressor. Em um ato arriscado de coragem, as jovens conseguiram lutar, tomar o facão das mãos do homem e fugiram correndo pela vegetação densa. Despidas e em estado completo de choque, alcançaram a pista e pediram socorro a um motorista de aplicativo, que as transportou diretamente até a delegacia.
Caçada imediata
A resposta da Polícia Civil do Distrito Federal foi célere. Agentes da 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho) iniciaram buscas intensivas e localizaram o suspeito a pouca distância do terreno baldio. Ao notar a aproximação das viaturas, Paulo Sérgio, que vivia em situação de rua, tentou se esconder debaixo de um caminhão, mas foi cercado e detido pelas equipas policiais.
Um fato que chamou a atenção das autoridades ocorreu no momento da abordagem: antes mesmo que a equipa mencionasse a natureza da ocorrência ou fizesse qualquer pergunta sobre os abusos, o homem apressou-se em afirmar aos polícias que “não havia estuprado ninguém”, caindo em severa contradição e reforçando a autoria do crime por iniciativa própria.
Após ser conduzido à unidade policial, o detido foi formalmente reconhecido pelas vítimas. Paralelamente, as jovens foram encaminhadas ao hospital para atendimento de urgência, aplicação de protocolos de profilaxia pós-exposição ao HIV (PEP) e amparo psicológico. O flagrante foi convertido em prisão preventiva pelo Poder Judiciário, e o criminoso permanecerá encarcerado enquanto aguarda o encerramento do inquérito e o julgamento.
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