EUA e Irã voltam a trocar ataques apenas 10 dias após trégua
EUA acusa Irã de violar cessar-fogo ao atingir um navio no Estreito de Ormuz com um drone em meio a negociações de paz
Os Estados Unidos (EUA) voltaram a atacar o Irã apenas 10 dias após o anúncio de uma trégua entre os dois países e em meio a negociações para o cessar-fogo definitivo.
Segundo o exército norte-americano, a ação desta sexta-feira (26/6) é uma “resposta contundente”a um ataque a um navio comercial no Estreito de Ormuz, atribuído às forças iranianas. A embarcação foi atingida por um drone na quinta-feira (25/6).
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que atingiu instalações de armazenamento de mísseis e drones no Irã.
“A agressão injustificada de forças iranianas contra a navegação comercial violou claramente o cessar-fogo. Além disso, o comportamento perigoso do Irã comprometeu a liberdade de navegação em um momento em que o fluxo comercial cresce nesse corredor vital para o comércio internacional”, justificou. O Centcom divulgou um vídeo de um dos ataques contra alvos iranianos:
https://t.co/CckXLJSpah pic.twitter.com/NoMQ7cNtN5
— U.S. Central Command (@CENTCOM) June 27, 2026
Na sexta-feira, o presidente Donald Trump acusou o Irã de disparar pelo menos quatro drones contra navios em trânsito e que um deles atingiu um navio. “Obviamente, trata-se de uma violação insensata do nosso acordo de cessar-fogo”, afirmou.
Em resposta, o chefe da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, disse que o ataque não foi uma violação do cessar-fogo e acusou os Estados Unidos de não estarem cumprindo as regras de navegação. “O Estreito de Ormuz é controlado pelo Irã, portanto: respeite as regras. Use rotas seguras. Não confunda controle com escalada”, disse.
Na quinta-feira, a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico do Irã disse que “qualquer passagem por rotas fora da estrutura designada pela PGSA não será coberta pelas garantias de passagem segura e não terá direito a cobertura de seguro ou responsabilidades relacionadas”.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que se o Irã tiver “desacordos sobre como o MOU [Memorando de Entendimento] está sendo aplicado, eles podem pegar o telefone. Mas a violência será respondida com violência”.
A Guarda Revolucionária do Irã disse ter revidado o novo ataque norte-americano, mas não deu detalhes. “O presidente fracassado dos Estados Unidos provou novamente que não tem nenhum compromisso com os princípios de negociação e cessar-fogo”, afirmou Ebrahim Azizi.
Ataque no Estreito de Ormuz
A agência britânica de segurança marítima Ukmto informou que um navio com bandeira de Singapura foi atingido por “um projétil desconhecido”, a cerca de 14 quilômetros a sudeste do porto de Duqm, em Omã, na quinta-feira (25/6). Não houve vítimas.
O ataque fez com que a Organização Marítima Internacional (OMI) suspendesse temporariamente a operação de evacuação de 11 mil marinheiros retidos no Estreito de Ormuz. Os profissionais estão no local desde o início do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, no fim de fevereiro.
Frágil acordo entre EUA e Irã
A trégua entre os dois países foi firmada em 17 de junho. Na ocasião, foi acordado um memorando de entendimento com 14 pontos. Entre eles, a liberação da navegação no Estreito de Ormuz. A rota marítima estava fechada desde o início do conflito entre os dois países.
O acordo não é claro sobre se Teerã poderá cobrar taxas para a travessia de navios pela rota. Trump afirmou que a travessia permaneceria gratuita, mas o Irã disse que teria o direito de cobrar das embarcações.
Os 14 pontos do acordo firmado entre EUA e Irã:
1. Fim das operações militares
2. Respeito à soberania
3. Prazo para acordo definitivo
4. Retirada do bloqueio naval
5. Reabertura do Estreito de Ormuz
6. Plano de reconstrução econômica
7. Fim gradual das sanções
8. Compromissos nucleares
9. Manutenção do status quo
10. Exportação de petróleo
11. Liberação de ativos congelados
12. Mecanismo de monitoramento
13. Início das negociações finais
14. Aval da ONU
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