Ex-eleitores de Trump, voluntários abrigam filhos de imigrantes detidos pelo ICE em Minnesota: 'O que estão fazendo não é cristão'
Crianças de uma família de brincam na casa de parentes, onde se esconderam fugindo de agentes de imigração, em janeiro de 2025. Jack Brook/ AP Quando agentes de imigração dos Estados Unidos bateram à porta de sua casa em Minneapolis o filho mais velho de uma família de oito crianças soube que precisava fugir com seus irmãos. A mãe deles, a indígena equatoriana Wampash Tuntuam, de 41 anos, que trabalhava como faxineira e não tinha antecedentes criminais além de pequenas infrações de trânsito, foi detida no início de janeiro. Os dois filhos mais velhos da família Wampash Tuntuam temiam ser os próximos e, com isso, teriam de deixar para trás os seis irmãos menores, um deles com apenas 5 meses de vida. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp “Os agentes de imigração estavam batendo na nossa porta muito tarde da noite, e foi aí que fiquei com medo”, disse o filho mais velho da família, de 20 anos, que falou à agência de notícias Associated Press sob condição de anonimato. “Tenho medo de ser levado e que meus irmãos e irmãs fiquem nas mãos do governo”. Foi então que a família contatou Feliza Martínez, uma amiga da família da igreja, que mobilizou um grupo de voluntários para levá-los discretamente para uma casa segura no sul de Minneapolis. A voluntária Feliza Martínez segura um bebê cuja mãe foi presa por agentes do ICE, em janeiro de 2026. Ela abrigou os filhos da imigrante em sua casa. Jack Brook/ AP Martinez é um dos inúmeros moradores de Minneapolis que vêm ajudando imigrantes, diante da ação de agentes do ICE, o Serviço de Alfândega e Imigração, que arrombam portas sem mandado e entram em confronto violento com manifestantes durante a repressão do governo Trump. Enquanto mais de 2.000 agentes do ICE vasculham a capital do Minnesota em busca de imigrantes e o Departamento de Segurança Interna dos EUA relata mais de 3.000 prisões desde o início de dezembro, os moradores do estado vêm se organizando em várias frentes. Além de pagar o aluguel de imigrantes que têm medo de sair para trabalhar e entregar refeições a famílias, os voluntários estão agora fazendo uma espécie de guarda emergencial para garantir que crianças sejam cuidadas caso seus pais sejam detidos. “Recebo ligações todos os dias de famílias apavoradas, e nós só tentamos ajudá-las o máximo possível”, disse Martínez, voluntária da organização cristã sem fins lucrativos Source MN. Mãe de cinco filhos, a voluntária tirou uma licença do trabalho em uma linha de montagem de fábrica para ajudar. “Eu só tento trazer esperança, dizer ‘Estamos aqui com vocês’”. Saindo de casa para se manterem seguros Câmera lenta: veja em detalhes como ICE agrediu, desarmou e matou enfermeiro nos EUA A rua estava coberta de neve quando a família de Wampash Tuntuam chegou à casa segura. Uma fila de visitantes trouxe lanches, suprimentos para bebês e livros de colorir para as crianças. Eles montaram beliches e carregaram colchões. Os irmãos mais novos se acomodaram no sofá de pijama, onde dividiram um pacote de biscoito e um livro de colorir. Logo, a casa soava como qualquer outra, cheia de gritos e risadas de crianças pequenas brincando. Mas os filhos mais velhos de Wampash Tuntuam, inquietos no sofá, ainda estavam preocupados com o futuro. Eles contaram à Associated Press que a mãe forneceu o endereço da casa alugada aos agentes do ICE, que disseram querer enviar uma assistente social para verificar a situação das crianças menores. Em vez disso, agentes de imigração armados e mascarados apareceram e cercaram a casa duas vezes. “Foi aí que percebemos que não haviam enviado uma assistente social, mas sim agentes para nos deter”, relembrou a filha de 22 anos de Wampash Tuntuam, que, junto dos outros dois irmãos maiores de idade, ainda estão tramitando a cidadania. Seus irmãos mais novos já são cidadãos americanos. Martinez, uma cristã devota, disse que votou no presidente Donald Trump nas últimas três eleições por causa de sua postura intransigente contra o aborto e o atendimento de afirmação de gênero para jovens. Neta de um imigrante mexicano, ela apoiava a deportação de criminosos violentos e não havia prestado muita atenção às notícias sobre a separação de famílias durante o primeiro mandato de Trump. Mas, nos últimos dois meses, depois de assistir a vídeos de agentes federais detendo agressivamente seus vizinhos e trabalhando diretamente com crianças separadas de seus pais, ela mudou de opinião. “Estando na linha de frente e tendo vivenciado tudo isso, gostaria de nunca ter votado nele”, disse Martinez. “O que ele está fazendo não é cristão. Não condiz com as minhas crenças.” Menina, cuja mãe foi detida por agentes do ICE, observa voluntário montar uma cama beliche em casa de família que a abrigou, em Minneapolis, em janeiro de 2026. Jack Brook/ AP A porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS), Tricia McLaughlin, afirmou em um comunicado que “o ICE não separa famílias”, em que diz que os pais são questionados se desejam ser deporta

Crianças de uma família de brincam na casa de parentes, onde se esconderam fugindo de agentes de imigração, em janeiro de 2025. Jack Brook/ AP Quando agentes de imigração dos Estados Unidos bateram à porta de sua casa em Minneapolis o filho mais velho de uma família de oito crianças soube que precisava fugir com seus irmãos. A mãe deles, a indígena equatoriana Wampash Tuntuam, de 41 anos, que trabalhava como faxineira e não tinha antecedentes criminais além de pequenas infrações de trânsito, foi detida no início de janeiro. Os dois filhos mais velhos da família Wampash Tuntuam temiam ser os próximos e, com isso, teriam de deixar para trás os seis irmãos menores, um deles com apenas 5 meses de vida. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp “Os agentes de imigração estavam batendo na nossa porta muito tarde da noite, e foi aí que fiquei com medo”, disse o filho mais velho da família, de 20 anos, que falou à agência de notícias Associated Press sob condição de anonimato. “Tenho medo de ser levado e que meus irmãos e irmãs fiquem nas mãos do governo”. Foi então que a família contatou Feliza Martínez, uma amiga da família da igreja, que mobilizou um grupo de voluntários para levá-los discretamente para uma casa segura no sul de Minneapolis. A voluntária Feliza Martínez segura um bebê cuja mãe foi presa por agentes do ICE, em janeiro de 2026. Ela abrigou os filhos da imigrante em sua casa. Jack Brook/ AP Martinez é um dos inúmeros moradores de Minneapolis que vêm ajudando imigrantes, diante da ação de agentes do ICE, o Serviço de Alfândega e Imigração, que arrombam portas sem mandado e entram em confronto violento com manifestantes durante a repressão do governo Trump. Enquanto mais de 2.000 agentes do ICE vasculham a capital do Minnesota em busca de imigrantes e o Departamento de Segurança Interna dos EUA relata mais de 3.000 prisões desde o início de dezembro, os moradores do estado vêm se organizando em várias frentes. Além de pagar o aluguel de imigrantes que têm medo de sair para trabalhar e entregar refeições a famílias, os voluntários estão agora fazendo uma espécie de guarda emergencial para garantir que crianças sejam cuidadas caso seus pais sejam detidos. “Recebo ligações todos os dias de famílias apavoradas, e nós só tentamos ajudá-las o máximo possível”, disse Martínez, voluntária da organização cristã sem fins lucrativos Source MN. Mãe de cinco filhos, a voluntária tirou uma licença do trabalho em uma linha de montagem de fábrica para ajudar. “Eu só tento trazer esperança, dizer ‘Estamos aqui com vocês’”. Saindo de casa para se manterem seguros Câmera lenta: veja em detalhes como ICE agrediu, desarmou e matou enfermeiro nos EUA A rua estava coberta de neve quando a família de Wampash Tuntuam chegou à casa segura. Uma fila de visitantes trouxe lanches, suprimentos para bebês e livros de colorir para as crianças. Eles montaram beliches e carregaram colchões. Os irmãos mais novos se acomodaram no sofá de pijama, onde dividiram um pacote de biscoito e um livro de colorir. Logo, a casa soava como qualquer outra, cheia de gritos e risadas de crianças pequenas brincando. Mas os filhos mais velhos de Wampash Tuntuam, inquietos no sofá, ainda estavam preocupados com o futuro. Eles contaram à Associated Press que a mãe forneceu o endereço da casa alugada aos agentes do ICE, que disseram querer enviar uma assistente social para verificar a situação das crianças menores. Em vez disso, agentes de imigração armados e mascarados apareceram e cercaram a casa duas vezes. “Foi aí que percebemos que não haviam enviado uma assistente social, mas sim agentes para nos deter”, relembrou a filha de 22 anos de Wampash Tuntuam, que, junto dos outros dois irmãos maiores de idade, ainda estão tramitando a cidadania. Seus irmãos mais novos já são cidadãos americanos. Martinez, uma cristã devota, disse que votou no presidente Donald Trump nas últimas três eleições por causa de sua postura intransigente contra o aborto e o atendimento de afirmação de gênero para jovens. Neta de um imigrante mexicano, ela apoiava a deportação de criminosos violentos e não havia prestado muita atenção às notícias sobre a separação de famílias durante o primeiro mandato de Trump. Mas, nos últimos dois meses, depois de assistir a vídeos de agentes federais detendo agressivamente seus vizinhos e trabalhando diretamente com crianças separadas de seus pais, ela mudou de opinião. “Estando na linha de frente e tendo vivenciado tudo isso, gostaria de nunca ter votado nele”, disse Martinez. “O que ele está fazendo não é cristão. Não condiz com as minhas crenças.” Menina, cuja mãe foi detida por agentes do ICE, observa voluntário montar uma cama beliche em casa de família que a abrigou, em Minneapolis, em janeiro de 2026. Jack Brook/ AP A porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS), Tricia McLaughlin, afirmou em um comunicado que “o ICE não separa famílias”, em que diz que os pais são questionados se desejam ser deportados com seus filhos ou se preferem que eles sejam colocados sob os cuidados de uma pessoa designada. McLaughlin disse que Wampash Tuntuam entrou ilegalmente no país em 2022 pela fronteira do Texas e, posteriormente, recebeu uma ordem final de deportação de um juiz de imigração. Ela afirmou que a imigrante teve direito ao devido processo legal e que o governo está cumprindo a lei. Enfrentando um futuro incerto Manifestante carrega cartaz com os dizeres "deter criaças é desumano", durante ato em Minneapolis, em janeiro de 2026. Caroline Brehman/ AP De acordo com a família de Wampash Tuntuam, sua mãe planejava se autodeportar, mas estava preparando os documentos de custódia de seu filho pequeno. Os filhos mais velhos disseram que a mãe não queria que os filhos fossem deportados, pois todos acabariam morando nas ruas de sua cidade natal na Amazônia equatoriana, como faziam antes de imigrar para os EUA. Os filhos mais velhos temem que a mãe seja deportada a qualquer momento e se preocupam com o que acontecerá com os cinco filhos mais novos. “Se descobrirem que o bebê está sozinho, podem levá-lo embora”, disse a filha da imigrante, de 22 anos. “Crescemos todos juntos. Vi meu irmãozinho nascer. Tenho muito medo de que o levem embora e eu nunca mais o veja.” Após a detenção da mãe, o filho de 20 anos largou o emprego em um restaurante para tomar conta dos irmãos. Ele ainda está aprendendo a cuidar do bebê, que precisou trocar o aleitamento materno pela fórmula infantil e tem dificuldades para dormir sem a mãe. O jovem de 20 anos disse que antes considerava Minneapolis uma "cidade linda" que oferecia oportunidades para imigrantes como ele, até a chegada em massa de agentes federais. "Ainda existem pessoas boas aqui", disse ele, referindo-se aos voluntários que abrigaram sua família. Mas seus irmãos mais novos continuam perguntando quando a mãe voltará. Ele os conforta dizendo que ela está no hospital e logo estará em casa. "Continuo dizendo a eles que ela vai voltar, que ela já está a caminho", disse ele. "Eles acreditam nisso." Veja os vídeos que estão em alta no g1
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