Extrema direita ganha força na Colômbia com Abelardo de la Espriella, fã de Trump, Milei e Bukele

Abelardo de la Espriella REUTERS/Nathalia Angarita O perfil de Abelardo de la Espriella, que está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais que acontecem neste domingo (31) na Colômbia, segue o padrão dos candidatos de extrema direita: outsider, sem experiência política, antissistema, excêntrico e autoproclamado salvador do país. O candidato ultradireitista está claramente identificado com modelos aplicados no continente por Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele. Empunha com vigor a bandeira de seu movimento independente Defensores da Pátria, calcado em segurança, patriotismo e num estilo de governança mais corporativa do que política. As propostas se repetem. Ele promete a construção de dez megaprisões de segurança máxima para reduzir o número de homicídios, como fez o presidente de El Salvador, com quem até se parece fisicamente. Prega soluções radicais de um jeito simples: erradicar o narcoterrorismo e a esquerda; reduzir em 40% o tamanho do Estado, assim como os impostos para as empresas; campos de cocaína serão pulverizados e 330 mil hectares de plantações ilícitas desaparecerão. O candidato assegura que, se eleito, nos primeiros dias no cargo assinará 90 decretos, fazendo amplo uso do Poder Executivo para implementar seu programa, denominado “País Milagroso”. Com essas credenciais embutidas numa mensagem radical de mudança, De La Espriella ascendeu e conquistou o eleitor desencantado com os partidos moderados, num país polarizado e violento. Tem boas chances de entrar para o segundo turno, de acordo com as pesquisas. Colômbia vive onda de violência a 1 mês de eleições presidenciais O ultradireitista enfrentará Iván Cepeda, candidato do atual presidente, Gustavo Petro, e Paloma Valencia, apoiada pelo ex-presidente Alvaro Uribe. As simulações do segundo turno o apontam como favorito a assumir a Presidência. A retórica agressiva é característica do advogado criminalista e empresário, de 47 anos, que gosta de ser chamado de “O Tigre”, veste roupas de grife e exibe a aparência impecável de um dândi. Antes de se embrenhar na campanha colombiana, ele se dividia entre as residências de Miami e Toscana, na Itália. Multifacetado, gravou dois álbuns de música, publicou cinco livros e participou de séries de TV. Como advogado, defendeu clientes controversos, como David Murcia, responsável por um esquema de pirâmide que arruinou milhares de colombianos, e Alex Saab, apontado como testa de ferro de Nicolás Maduro e que está preso nos EUA. De La Espriella alardeia a fama de machão, sem medir as consequências num país em que as mulheres representam mais da metade do eleitorado. Protagonizou um incidente grotesco e desrespeitoso, ao participar de um podcast, com três homens e mulheres, no qual se vangloriou do tamanho de seu pênis, que, segundo ele, havia lhe garantido apoio de parte do eleitorado feminino. Initial plugin text Em determinado momento, o candidato mostrou uma foto em seu celular e pediu à jornalista que desse um zoom em uma imagem sugestiva de sua virilha. “O que você vê aqui, querida? Dê um zoom e me diga o que você vê aí”, insistiu. O episódio repercutiu mal, e o candidato foi forçado a se desculpar pelas redes sociais. “Foi uma falta de respeito total, me senti violada, assediada e furiosa”, reagiu a jornalista Laura Rodríguez, do programa de rádio Piso 8. A dúvida é se o gesto terá impacto negativo para De La Espriella nas urnas.

May 30, 2026 - 07:00
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Extrema direita ganha força na Colômbia com Abelardo de la Espriella, fã de Trump, Milei e Bukele

Abelardo de la Espriella REUTERS/Nathalia Angarita O perfil de Abelardo de la Espriella, que está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais que acontecem neste domingo (31) na Colômbia, segue o padrão dos candidatos de extrema direita: outsider, sem experiência política, antissistema, excêntrico e autoproclamado salvador do país. O candidato ultradireitista está claramente identificado com modelos aplicados no continente por Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele. Empunha com vigor a bandeira de seu movimento independente Defensores da Pátria, calcado em segurança, patriotismo e num estilo de governança mais corporativa do que política. As propostas se repetem. Ele promete a construção de dez megaprisões de segurança máxima para reduzir o número de homicídios, como fez o presidente de El Salvador, com quem até se parece fisicamente. Prega soluções radicais de um jeito simples: erradicar o narcoterrorismo e a esquerda; reduzir em 40% o tamanho do Estado, assim como os impostos para as empresas; campos de cocaína serão pulverizados e 330 mil hectares de plantações ilícitas desaparecerão. O candidato assegura que, se eleito, nos primeiros dias no cargo assinará 90 decretos, fazendo amplo uso do Poder Executivo para implementar seu programa, denominado “País Milagroso”. Com essas credenciais embutidas numa mensagem radical de mudança, De La Espriella ascendeu e conquistou o eleitor desencantado com os partidos moderados, num país polarizado e violento. Tem boas chances de entrar para o segundo turno, de acordo com as pesquisas. Colômbia vive onda de violência a 1 mês de eleições presidenciais O ultradireitista enfrentará Iván Cepeda, candidato do atual presidente, Gustavo Petro, e Paloma Valencia, apoiada pelo ex-presidente Alvaro Uribe. As simulações do segundo turno o apontam como favorito a assumir a Presidência. A retórica agressiva é característica do advogado criminalista e empresário, de 47 anos, que gosta de ser chamado de “O Tigre”, veste roupas de grife e exibe a aparência impecável de um dândi. Antes de se embrenhar na campanha colombiana, ele se dividia entre as residências de Miami e Toscana, na Itália. Multifacetado, gravou dois álbuns de música, publicou cinco livros e participou de séries de TV. Como advogado, defendeu clientes controversos, como David Murcia, responsável por um esquema de pirâmide que arruinou milhares de colombianos, e Alex Saab, apontado como testa de ferro de Nicolás Maduro e que está preso nos EUA. De La Espriella alardeia a fama de machão, sem medir as consequências num país em que as mulheres representam mais da metade do eleitorado. Protagonizou um incidente grotesco e desrespeitoso, ao participar de um podcast, com três homens e mulheres, no qual se vangloriou do tamanho de seu pênis, que, segundo ele, havia lhe garantido apoio de parte do eleitorado feminino. Initial plugin text Em determinado momento, o candidato mostrou uma foto em seu celular e pediu à jornalista que desse um zoom em uma imagem sugestiva de sua virilha. “O que você vê aqui, querida? Dê um zoom e me diga o que você vê aí”, insistiu. O episódio repercutiu mal, e o candidato foi forçado a se desculpar pelas redes sociais. “Foi uma falta de respeito total, me senti violada, assediada e furiosa”, reagiu a jornalista Laura Rodríguez, do programa de rádio Piso 8. A dúvida é se o gesto terá impacto negativo para De La Espriella nas urnas.

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