Firma sancionada nos EUA recebeu R$ 514 milhões da rede de lavagem do Careca do INSS
Firma “Victory Trading” recebeu R$ 514 milhões de empresa que integrava rede de lavagem de dinheiro usada pelo Careca do INSS
Uma das empresas sancionadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos nesta quarta-feira (1º/7), por suposto envolvimento com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), recebeu R$ 514 milhões de uma firma suspeita de integrar a rede de lavagem de dinheiro usada por Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
A empresa em questão é a Victory Trading Intermediação de Negócios, pertencente a Victor Henrique de Oliveira Shimada.
Em apenas um ano, entre setembro de 2023 e setembro de 2024, ela recebeu R$ 514,5 milhões da Wave Intermediações, considerada um dos principais CNPJs da chamada “rede Arpar”.
A “rede Arpar” é um grupo de mais de 40 empresas relacionadas entre si, com indícios de serem de fachada, usadas para lavagem de dinheiro, segundo a CPMI do INSS. O nome vem de uma das firmas do grupo, pertencente a um associado do Careca do INSS.
No relatório final da CPMI, elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), a rede Arpar é descrita como uma “estrutura de lavagem de capitais que movimentou mais de R$ 39 bilhões e é responsável pelo branqueamento dos recursos desviados no esquema do INSS”.
Leia aqui a íntegra do relatório final da CPMI do INSS.
A Wave Intermediações, que repassou os R$ 514 milhões para a Victory, não parece ter relação com a outra empresa sancionada pelos EUA nesta quarta-feira: a Wave Construções Inteligentes.
Além da Victory e da Wave Construções, os EUA sancionaram Victor Shimada e uma outra empresa dele, a Pixwave Soluções de Pagamentos. Também foram punidas uma secretária de Victor, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, e uma empresa de Portugal, Avenidas Flutuantes Unipessoal.
É a primeira vez que os EUA fizeram uma sanção por elo com o PCC depois do país enquadrar a facção como grupo terrorista.
“Mesmo dispositivo” de firma da rede de lavagem
Ao longo dos trabalhos, no fim do ano passado, a CPMI do INSS não conseguiu quebrar os sigilos da Victory Trading. Mesmo assim, a empresa aparece em relatórios de inteligência financeira (RIFs) enviados à comissão e aos quais a coluna teve acesso.
Um deles relaciona a Victory a uma das principais empresas da “rede Arpar”: a ACX ITC Serviços de Tecnologia. Como mostrou a coluna, a quebra dos sigilos da ACX revelou que a empresa fez pagamentos para a ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Sterman, e para o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Nefi Cordeiro.
“Identificamos que a empresa ACX ITC utiliza o mesmo dispositivo para realizar login em contas de outras duas empresas, a saber, Texas Quantum Serviços Digitais e Victory Trading. Sendo que a Victory já foi comunicada anteriormente por atividade suspeita”, diz um trecho do relatório.
No papel, a ACX ITC tem capital de R$ 101 milhões e pertence ao paulistano Ericsson de Azevedo, de 52 anos.
Ericsson não parece ter o padrão de vida do proprietário de uma empresa desse porte. Durante a pandemia de Covid-19, recebeu dez parcelas do auxílio emergencial. Seu último endereço registrado fica em um condomínio simples no bairro do Jaçanã, em São Paulo (SP).
Corinthians e VaideBet
Tanto a Wave Intermediações quanto a Victory Trading são mencionadas nas investigações sobre o desvio de milhões de reais do patrocínio da VaideBet ao Corinthians. Para o Ministério Público, Victor Shimada era operador financeiro do esquema.
As empresas também foram citadas pelo delator do PCC Vinicius Gritzbach, assassinado em novembro de 2024 no Aeroporto de Guarulhos.
Segundo o relatório da CPMI do INSS, a Wave movimentou R$ 2,68 bilhões entre setembro de 2023 e agosto de 2025. O Relatório de Inteligência Financeira sobre a empresa afirma não ter encontrado “justificativas nem fundamentos econômicos ou legais para a movimentação financeira”, o que pode configurar “indícios do crime de lavagem de dinheiro”.
A lavagem de dinheiro é o processo de dar aparência de legalidade a recursos de origem criminosa para que possam ser utilizados na economia formal.
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