Governo das Ilhas Canárias cita risco sanitário e diz que não vai autorizar ancoragem de cruzeiro com casos de hantavírus
'Não posso permitir a entrada': o futuro incerto do navio com surto de hantavírus Reuters O governo das Ilhas Canárias, na Espanha, disse neste sábado (9) que não vai autorizar a ancoragem do cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus. A decisão foi tomada poucas horas antes do horário previsto para operação. Segundo o jornal "ABC", o motivo para o navio não entrar no porto local e os passageiros desembarque se dá por conta de uma divergência sobre o número de horas que o cruzeiro ficará ancorado. Ainda não está claro como a decisão que impede a ancoragem vai impactar o desembarque de passageiros, algo que poderia ser feito por barcos. Ainda de acordo com o periódico, o governo das Ilhas Canárias teria se irritado com a falta de respostas por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de autoridades do governo espanhol, como a ministra da Saúde, Mónica García. Países se preparam para retirar passageiros de cruzeiro com surto de hantavírus Em coletiva de imprensa feita na noite deste sábado, o presidente do governo das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, explicou sua decisão. "Colaboração, sim. Solidariedade, também. Mas não a qualquer preço. Não sem relatórios, não com imposições do Estado e não colocando em perigo a segurança sanitária do povo das Ilhas Canárias", escreveu no X. "Não temos nenhum conhecimento técnico que garanta que o risco da operação do MV Hondius seja zero, mas contamos com critérios técnicos que aconselham que o buque permaneça o menor tempo possível nas Ilhas Canárias." Visita de Tedros Adhanom Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS Reprodução/TV Globo Neste sábado, antes da decisão do governo local, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou neste sábado (9) a Tenerife, maior ilha do arquipélago das Canárias, para acompanhar a operação de desembarque do cruzeiro. Antes de viajar às Canárias, Tedros publicou uma carta aberta aos habitantes do arquipélago. "Sei que vocês estão preocupados. Sei que, quando ouvem a palavra 'surto' ou 'epidemia' e veem um navio se aproximar de suas costas, vêm à tona lembranças que nenhum de nós conseguiu superar completamente. A dor de 2020 continua real, e eu não a minimizo nem por um momento", escreveu. No texto, ele disse compreender a apreensão da população, mas afirmou que os riscos representados pela chegada do cruzeiro são “baixos”. “Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo”, escreveu o diretor-geral da OMS. Tedros também reconheceu que a cepa do hantavírus registrada no cruzeiro é grave. Carta do diretor da OMS. Reprodução/Instagram “Três pessoas perderam a vida, e nossos corações estão com suas famílias. O risco para vocês, em sua vida cotidiana em Tenerife, é baixo”, afirmou. Segundo ele, essa é a avaliação da OMS e “não a fazemos levianamente”. O caso reacendeu temores na região seis anos após a pandemia de Covid. Pessoas entrevistadas pela AFP nos últimos dias relataram preocupação com a chegada do navio, embora a rotina em Granadilla seguisse relativamente normal neste sábado, com banhistas, feira ambulante e cafés da manhã no calçadão. David Parada, vendedor de loteria na região, disse que acompanha as notícias porque o navio ficará a poucos quilômetros dali. Segundo ele, há preocupação principalmente com possíveis riscos para trabalhadores envolvidos na operação, mas a população local não parecia alarmada. O último balanço da OMS, divulgado na sexta-feira, apontava seis casos confirmados entre oito suspeitos. Entre os mortos estão um casal de passageiros holandeses e uma mulher alemã. A doença é provocada por um vírus conhecido, mas pouco frequente, para o qual não há vacina nem tratamento específico. De acordo com a OMS, todas as pessoas a bordo foram classificadas como “contatos de alto risco”. *Esta reportagem está em atualização

'Não posso permitir a entrada': o futuro incerto do navio com surto de hantavírus Reuters O governo das Ilhas Canárias, na Espanha, disse neste sábado (9) que não vai autorizar a ancoragem do cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus. A decisão foi tomada poucas horas antes do horário previsto para operação. Segundo o jornal "ABC", o motivo para o navio não entrar no porto local e os passageiros desembarque se dá por conta de uma divergência sobre o número de horas que o cruzeiro ficará ancorado. Ainda não está claro como a decisão que impede a ancoragem vai impactar o desembarque de passageiros, algo que poderia ser feito por barcos. Ainda de acordo com o periódico, o governo das Ilhas Canárias teria se irritado com a falta de respostas por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de autoridades do governo espanhol, como a ministra da Saúde, Mónica García. Países se preparam para retirar passageiros de cruzeiro com surto de hantavírus Em coletiva de imprensa feita na noite deste sábado, o presidente do governo das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, explicou sua decisão. "Colaboração, sim. Solidariedade, também. Mas não a qualquer preço. Não sem relatórios, não com imposições do Estado e não colocando em perigo a segurança sanitária do povo das Ilhas Canárias", escreveu no X. "Não temos nenhum conhecimento técnico que garanta que o risco da operação do MV Hondius seja zero, mas contamos com critérios técnicos que aconselham que o buque permaneça o menor tempo possível nas Ilhas Canárias." Visita de Tedros Adhanom Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS Reprodução/TV Globo Neste sábado, antes da decisão do governo local, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou neste sábado (9) a Tenerife, maior ilha do arquipélago das Canárias, para acompanhar a operação de desembarque do cruzeiro. Antes de viajar às Canárias, Tedros publicou uma carta aberta aos habitantes do arquipélago. "Sei que vocês estão preocupados. Sei que, quando ouvem a palavra 'surto' ou 'epidemia' e veem um navio se aproximar de suas costas, vêm à tona lembranças que nenhum de nós conseguiu superar completamente. A dor de 2020 continua real, e eu não a minimizo nem por um momento", escreveu. No texto, ele disse compreender a apreensão da população, mas afirmou que os riscos representados pela chegada do cruzeiro são “baixos”. “Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo”, escreveu o diretor-geral da OMS. Tedros também reconheceu que a cepa do hantavírus registrada no cruzeiro é grave. Carta do diretor da OMS. Reprodução/Instagram “Três pessoas perderam a vida, e nossos corações estão com suas famílias. O risco para vocês, em sua vida cotidiana em Tenerife, é baixo”, afirmou. Segundo ele, essa é a avaliação da OMS e “não a fazemos levianamente”. O caso reacendeu temores na região seis anos após a pandemia de Covid. Pessoas entrevistadas pela AFP nos últimos dias relataram preocupação com a chegada do navio, embora a rotina em Granadilla seguisse relativamente normal neste sábado, com banhistas, feira ambulante e cafés da manhã no calçadão. David Parada, vendedor de loteria na região, disse que acompanha as notícias porque o navio ficará a poucos quilômetros dali. Segundo ele, há preocupação principalmente com possíveis riscos para trabalhadores envolvidos na operação, mas a população local não parecia alarmada. O último balanço da OMS, divulgado na sexta-feira, apontava seis casos confirmados entre oito suspeitos. Entre os mortos estão um casal de passageiros holandeses e uma mulher alemã. A doença é provocada por um vírus conhecido, mas pouco frequente, para o qual não há vacina nem tratamento específico. De acordo com a OMS, todas as pessoas a bordo foram classificadas como “contatos de alto risco”. *Esta reportagem está em atualização
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