Governo do Irã diz que ameaças de Trump podem configurar crimes de guerra

Trump faz novas ameaças contra Irã e países do Golfo relatam novos ataques O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou nesta segunda-feira (6) que as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de atacar usinas de energia e pontes no país podem constituir crimes de guerra. A declaração ocorre após Trump publicar, no domingo (5), uma ameaça direta relacionada ao Estreito de Ormuz, caso o Irã não reabra a passagem marítima. Em publicação na rede social Truth Social, o presidente afirmou: “Terça-feira será o Dia das Usinas de Energia e o Dia das Pontes, tudo em um só, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram a p*** do estreito, seus bastardos loucos, ou vocês vão viver no inferno — é só esperar! Louvado seja Alá”. No sábado (4), Trump já havia dito que o governo iraniano teria 48 horas para normalizar as atividades na passagem marítima e ameaçado novos ataques caso a exigência não fosse cumprida. “O presidente americano, como a mais alta autoridade de seu país, ameaçou publicamente cometer crimes de guerra”, disse Gharibabadi em uma postagem no X, citando disposições do direito internacional que poderiam ser violadas. “A ameaça de atacar centrais elétricas e pontes (infraestrutura civil) é um crime de guerra nos termos do artigo 8.º, n.º 2, alínea b), do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional”, acrescentou. O vice-ministro acrescentou que as declarações do presidente norte-americano configurariam, segundo sua avaliação, violações do direito internacional, ao mencionar dispositivos previstos no Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. Na mesma linha, Trump também afirmou neste domingo, em entrevista à Fox News, que acredita ser possível fechar um acordo com o Irã até segunda-feira, em meio às negociações por um cessar-fogo. Segundo ele, as conversas estão em andamento e os negociadores iranianos envolvidos receberam uma anistia limitada para participar das tratativas, com expectativa de um desfecho rápido para reduzir as tensões. Trump também fez ameaças diretas caso o acordo não avance. Disse que, se o Irã se recusar a firmar um entendimento, os Estados Unidos poderão tomar o petróleo iraniano. Ainda na entrevista, afirmou que o governo americano enviou armas a manifestantes iranianos no início do ano, por meio dos curdos, mas disse acreditar que esse armamento acabou retido, sem chegar aos opositores do regime em Teerã. Na sexta-feira (3), o Irã havia rejeitado uma proposta de 48 horas de cessar-fogo feita pelos Estados Unidos, segundo agência de notícias semioficial iraniana Fars. De acordo com uma fonte anônima ouvida pela agência, a proposta foi apresentada por um outro país e Teerã acredita que foi resultado da surpresa do governo Trump com a capacidade de resposta militar iraniana. “As avaliações indicam que essa proposta surgiu após a intensificação da crise na região e o aparecimento de sérios problemas para as forças militares americanas, em consequência de uma estimativa equivocada sobre a capacidade militar da República Islâmica do Irã. Segundo este relatório, a resposta do Irã a essa proposta não foi dada por escrito, mas sim no campo de batalha, com a continuidade dos ataques pesados”, disse a fonte.

abril 6, 2026 - 04:30
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Governo do Irã diz que ameaças de Trump podem configurar crimes de guerra
Trump faz novas ameaças contra Irã e países do Golfo relatam novos ataques O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou nesta segunda-feira (6) que as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de atacar usinas de energia e pontes no país podem constituir crimes de guerra. A declaração ocorre após Trump publicar, no domingo (5), uma ameaça direta relacionada ao Estreito de Ormuz, caso o Irã não reabra a passagem marítima. Em publicação na rede social Truth Social, o presidente afirmou: “Terça-feira será o Dia das Usinas de Energia e o Dia das Pontes, tudo em um só, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram a p*** do estreito, seus bastardos loucos, ou vocês vão viver no inferno — é só esperar! Louvado seja Alá”. No sábado (4), Trump já havia dito que o governo iraniano teria 48 horas para normalizar as atividades na passagem marítima e ameaçado novos ataques caso a exigência não fosse cumprida. “O presidente americano, como a mais alta autoridade de seu país, ameaçou publicamente cometer crimes de guerra”, disse Gharibabadi em uma postagem no X, citando disposições do direito internacional que poderiam ser violadas. “A ameaça de atacar centrais elétricas e pontes (infraestrutura civil) é um crime de guerra nos termos do artigo 8.º, n.º 2, alínea b), do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional”, acrescentou. O vice-ministro acrescentou que as declarações do presidente norte-americano configurariam, segundo sua avaliação, violações do direito internacional, ao mencionar dispositivos previstos no Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. Na mesma linha, Trump também afirmou neste domingo, em entrevista à Fox News, que acredita ser possível fechar um acordo com o Irã até segunda-feira, em meio às negociações por um cessar-fogo. Segundo ele, as conversas estão em andamento e os negociadores iranianos envolvidos receberam uma anistia limitada para participar das tratativas, com expectativa de um desfecho rápido para reduzir as tensões. Trump também fez ameaças diretas caso o acordo não avance. Disse que, se o Irã se recusar a firmar um entendimento, os Estados Unidos poderão tomar o petróleo iraniano. Ainda na entrevista, afirmou que o governo americano enviou armas a manifestantes iranianos no início do ano, por meio dos curdos, mas disse acreditar que esse armamento acabou retido, sem chegar aos opositores do regime em Teerã. Na sexta-feira (3), o Irã havia rejeitado uma proposta de 48 horas de cessar-fogo feita pelos Estados Unidos, segundo agência de notícias semioficial iraniana Fars. De acordo com uma fonte anônima ouvida pela agência, a proposta foi apresentada por um outro país e Teerã acredita que foi resultado da surpresa do governo Trump com a capacidade de resposta militar iraniana. “As avaliações indicam que essa proposta surgiu após a intensificação da crise na região e o aparecimento de sérios problemas para as forças militares americanas, em consequência de uma estimativa equivocada sobre a capacidade militar da República Islâmica do Irã. Segundo este relatório, a resposta do Irã a essa proposta não foi dada por escrito, mas sim no campo de batalha, com a continuidade dos ataques pesados”, disse a fonte.

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