Governo Trump quer manter americanos expostos ao Ebola em quarentena no Quênia
O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo durante uma reunião de gabinete na Sala do Gabinete da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 27 de maio de 2026 REUTERS/Evan Vucci O governo de Donald Trump negocia com o Quênia a criação de um centro de quarentena para cidadãos americanos expostos ao vírus Ebola durante o surto que atinge a República Democrática do Congo. A medida faz parte da estratégia adotada pelos Estados Unidos para evitar que pessoas potencialmente infectadas retornem imediatamente ao país. Segundo autoridades americanas ouvidas pela Reuters, os expostos ao vírus seriam monitorados em território queniano antes de serem autorizados a voltar para casa. O governo do Quênia ainda não aprovou o plano. Nesta quarta-feira (27), durante uma reunião de gabinete na Casa Branca, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos pretendem impedir a entrada de casos da doença no país. "Não podemos e não vamos permitir que nenhum caso de Ebola entre nos Estados Unidos", disse. Surto de ebola preocupa o mundo Mudança em relação ao surto de 2014 A estratégia representa uma mudança em relação à resposta americana durante o surto de Ebola de 2014. Naquela ocasião, pacientes infectados foram transferidos para tratamento em alguns dos centros especializados em doenças infecciosas existentes nos Estados Unidos. Agora, o governo Trump afirma que seu foco é conter a doença o mais próximo possível da região afetada. O atual surto na República Democrática do Congo já provocou cerca de 220 mortes e 900 casos. A Organização Mundial da Saúde classificou o evento como o terceiro maior já registrado da cepa Bundibugyo do vírus Ebola e declarou emergência de saúde pública de interesse internacional. Especialistas questionam proposta A ideia de construir uma instalação de quarentena no Quênia foi recebida com ceticismo por especialistas em saúde pública. Amesh Adalja, pesquisador sênior do Centro Johns Hopkins para Segurança da Saúde, afirmou que pacientes expostos ao vírus estariam em melhores condições em unidades de alta contenção já existentes nos Estados Unidos ou na Alemanha. Segundo ele, esses centros possuem experiência acumulada no atendimento de doenças altamente infecciosas e contam com infraestrutura para oferecer tratamentos complexos, quando necessários. Para o especialista, reproduzir esse nível de preparo em uma instalação criada do zero seria difícil. Adalja também avalia que a medida pode desestimular profissionais de saúde a se voluntariarem para atuar na resposta ao surto. Caso de missionário gerou controvérsia Na semana passada, um missionário médico americano que trabalhava na República Democrática do Congo foi diagnosticado com Ebola e transferido para a Alemanha para tratamento. Outras cinco pessoas expostas ao vírus também foram levadas ao país europeu, enquanto uma sétima foi encaminhada para a República Tcheca. Segundo o jornal The Washington Post, a Casa Branca resistiu inicialmente à ideia de permitir que o missionário retornasse aos Estados Unidos, o que teria atrasado sua evacuação e tratamento. Restrições de viagem Além das negociações com o Quênia, os Estados Unidos ampliaram as restrições para viajantes vindos da região afetada pelo surto. Na semana passada, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças impuseram restrições de entrada por 30 dias a pessoas que estiveram na República Democrática do Congo, em Uganda ou no Sudão do Sul nos 21 dias anteriores à viagem, incluindo residentes permanentes do país. A agência também passou a realizar triagens em três aeroportos americanos e convocou voluntários para reforçar as equipes responsáveis pelo monitoramento dos viajantes. Especialistas em doenças infecciosas, porém, questionam a eficácia dessas medidas para impedir a disseminação do vírus. Chris Meekins, que atuou na área de saúde durante o primeiro governo Trump, afirmou à Reuters que a estratégia parece refletir uma tentativa de evitar, sempre que possível, o retorno de pessoas potencialmente infectadas aos Estados Unidos. Segundo ele, autoridades avaliam que a capacidade disponível nas instalações americanas para esse tipo de atendimento é limitada.

O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo durante uma reunião de gabinete na Sala do Gabinete da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 27 de maio de 2026 REUTERS/Evan Vucci O governo de Donald Trump negocia com o Quênia a criação de um centro de quarentena para cidadãos americanos expostos ao vírus Ebola durante o surto que atinge a República Democrática do Congo. A medida faz parte da estratégia adotada pelos Estados Unidos para evitar que pessoas potencialmente infectadas retornem imediatamente ao país. Segundo autoridades americanas ouvidas pela Reuters, os expostos ao vírus seriam monitorados em território queniano antes de serem autorizados a voltar para casa. O governo do Quênia ainda não aprovou o plano. Nesta quarta-feira (27), durante uma reunião de gabinete na Casa Branca, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos pretendem impedir a entrada de casos da doença no país. "Não podemos e não vamos permitir que nenhum caso de Ebola entre nos Estados Unidos", disse. Surto de ebola preocupa o mundo Mudança em relação ao surto de 2014 A estratégia representa uma mudança em relação à resposta americana durante o surto de Ebola de 2014. Naquela ocasião, pacientes infectados foram transferidos para tratamento em alguns dos centros especializados em doenças infecciosas existentes nos Estados Unidos. Agora, o governo Trump afirma que seu foco é conter a doença o mais próximo possível da região afetada. O atual surto na República Democrática do Congo já provocou cerca de 220 mortes e 900 casos. A Organização Mundial da Saúde classificou o evento como o terceiro maior já registrado da cepa Bundibugyo do vírus Ebola e declarou emergência de saúde pública de interesse internacional. Especialistas questionam proposta A ideia de construir uma instalação de quarentena no Quênia foi recebida com ceticismo por especialistas em saúde pública. Amesh Adalja, pesquisador sênior do Centro Johns Hopkins para Segurança da Saúde, afirmou que pacientes expostos ao vírus estariam em melhores condições em unidades de alta contenção já existentes nos Estados Unidos ou na Alemanha. Segundo ele, esses centros possuem experiência acumulada no atendimento de doenças altamente infecciosas e contam com infraestrutura para oferecer tratamentos complexos, quando necessários. Para o especialista, reproduzir esse nível de preparo em uma instalação criada do zero seria difícil. Adalja também avalia que a medida pode desestimular profissionais de saúde a se voluntariarem para atuar na resposta ao surto. Caso de missionário gerou controvérsia Na semana passada, um missionário médico americano que trabalhava na República Democrática do Congo foi diagnosticado com Ebola e transferido para a Alemanha para tratamento. Outras cinco pessoas expostas ao vírus também foram levadas ao país europeu, enquanto uma sétima foi encaminhada para a República Tcheca. Segundo o jornal The Washington Post, a Casa Branca resistiu inicialmente à ideia de permitir que o missionário retornasse aos Estados Unidos, o que teria atrasado sua evacuação e tratamento. Restrições de viagem Além das negociações com o Quênia, os Estados Unidos ampliaram as restrições para viajantes vindos da região afetada pelo surto. Na semana passada, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças impuseram restrições de entrada por 30 dias a pessoas que estiveram na República Democrática do Congo, em Uganda ou no Sudão do Sul nos 21 dias anteriores à viagem, incluindo residentes permanentes do país. A agência também passou a realizar triagens em três aeroportos americanos e convocou voluntários para reforçar as equipes responsáveis pelo monitoramento dos viajantes. Especialistas em doenças infecciosas, porém, questionam a eficácia dessas medidas para impedir a disseminação do vírus. Chris Meekins, que atuou na área de saúde durante o primeiro governo Trump, afirmou à Reuters que a estratégia parece refletir uma tentativa de evitar, sempre que possível, o retorno de pessoas potencialmente infectadas aos Estados Unidos. Segundo ele, autoridades avaliam que a capacidade disponível nas instalações americanas para esse tipo de atendimento é limitada.
What's Your Reaction?