Irã acelerou execuções de prisioneiros após início da guerra, denunciam ONGs; veja relatos

Manifestante segura foto do iraniano Vahid Bani Amerian, preso e executado no Irã, durante manifestação contra o regime dos aiatolás, em Bruxelas, na Bélgica, em abril de 2026. Omar Havana/ Reuters Em meio a bombardeios, negociações, o bloqueio do Estreito de Ormuz e impasses, o Irã aumentou internamente a repressão a manifestações e acelerou execuções de prisioneiros, segundo apontaram organizações internacionais nesta segunda-feira (18). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Ao menos 21 pessoas foram executadas pelo regime dos aiatolás desde o início da guerra dos EUA contra o Irã no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, de acordo com o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk. No período, disse o comissário, cerca de 4 mil cidadãos iranianos foram detidos. O Iran Human Rights, organização de direitos humanos que monitora a repressão do regime dos aiatolás, afirmou que as execuções de prisioneiros políticos, manifestantes e pessoas acusadas de espionagem se tornaram diárias após o conflito, alcançando níveis "alarmantes". "Estamos acompanhando a situação dos direitos humanos no Irã com grande preocupação", disse o diretor Iran Human Rights, o ativista norueguês-iraniano Mahmood Amiry-Moghaddam, à DW. Amiry-Moghaddam atribui a alta à falta de atenção da comunidade internacional ao cenário interno do Irã. "Numa situação em que a comunidade internacional dedica atenção limitada às violações de direitos humanos dentro do Irã, a República Islâmica utiliza essa margem para executar prisioneiros com o menor custo político possível", afirma. No ano passado, a alta já pode ser observada, segundo um relatório da ONG Anistia Internacional divulgado nesta segunda-feira (18) (leia mais abaixo). O número de execuções em 2025 foi de 1.639 pessoas, uma alta de 75% na comparação com o ano anterior e o maior maior número em 35 anos. Relatos Protestosque tomaram ruas de Teerã no início do ano. Reprodução/TV Globo Ativistas perseguidos pelo regime dos aiatolás também relataram à DW que as execuções foram aceleradas após o início da guerra. "Nem ouso imaginar o que as execuções sucessivas dos últimos dias provocaram na atmosfera das alas políticas das prisões", afirmou um dos mais conhecidos ativistas estudantis de direitos civis no Irã, Zia Nabavi, que foi preso várias vezes nos últimos anos. Ele está entre os poucos ativistas que, apesar das severas restrições, continuam a se manifestar ocasionalmente nas redes sociais. A internet está fortemente restrita no Irã desde o fim de fevereiro. O regime intensificou as ações contra conexões feitas por VPN e terminais via satélite, que permitem contornar a censura estatal. Essa situação dificulta consideravelmente a comunicação dentro e fora do país. "Por meio da colaboração com colegas no Irã, com os quais só conseguimos entrar em contato com muita dificuldade, ficamos sabendo que o andamento dos processos judiciais de prisioneiros políticos foi acelerado e, ao mesmo tempo, tornou-se mais opaco", disse o advogado de direitos humanos Saeid Dehghan à DW, também perseguido pelo regime. "Isso permite que sentenças de morte sejam pronunciadas e executadas mais rapidamente." Dehghan é fundador da rede YekKalameh Lawyers Network e atua, junto com advogados iranianos de direitos humanos, na documentação de violações de direitos civis pelo regime. Diversos juristas independentes que atuam em questões políticas também foram presos ou convocados para interrogatório. O sistema de segurança os intimida sistematicamente e elimina dissidentes e manifestantes. "A pressão sobre prisioneiros políticos doentes aumentou. Um exemplo disso é (a ativista vencedora do Prêmio Nobel) Narges Mohammadi, que sofre de uma doença cardíaca."

May 18, 2026 - 17:30
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Irã acelerou execuções de prisioneiros após início da guerra, denunciam ONGs; veja relatos

Manifestante segura foto do iraniano Vahid Bani Amerian, preso e executado no Irã, durante manifestação contra o regime dos aiatolás, em Bruxelas, na Bélgica, em abril de 2026. Omar Havana/ Reuters Em meio a bombardeios, negociações, o bloqueio do Estreito de Ormuz e impasses, o Irã aumentou internamente a repressão a manifestações e acelerou execuções de prisioneiros, segundo apontaram organizações internacionais nesta segunda-feira (18). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Ao menos 21 pessoas foram executadas pelo regime dos aiatolás desde o início da guerra dos EUA contra o Irã no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, de acordo com o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk. No período, disse o comissário, cerca de 4 mil cidadãos iranianos foram detidos. O Iran Human Rights, organização de direitos humanos que monitora a repressão do regime dos aiatolás, afirmou que as execuções de prisioneiros políticos, manifestantes e pessoas acusadas de espionagem se tornaram diárias após o conflito, alcançando níveis "alarmantes". "Estamos acompanhando a situação dos direitos humanos no Irã com grande preocupação", disse o diretor Iran Human Rights, o ativista norueguês-iraniano Mahmood Amiry-Moghaddam, à DW. Amiry-Moghaddam atribui a alta à falta de atenção da comunidade internacional ao cenário interno do Irã. "Numa situação em que a comunidade internacional dedica atenção limitada às violações de direitos humanos dentro do Irã, a República Islâmica utiliza essa margem para executar prisioneiros com o menor custo político possível", afirma. No ano passado, a alta já pode ser observada, segundo um relatório da ONG Anistia Internacional divulgado nesta segunda-feira (18) (leia mais abaixo). O número de execuções em 2025 foi de 1.639 pessoas, uma alta de 75% na comparação com o ano anterior e o maior maior número em 35 anos. Relatos Protestosque tomaram ruas de Teerã no início do ano. Reprodução/TV Globo Ativistas perseguidos pelo regime dos aiatolás também relataram à DW que as execuções foram aceleradas após o início da guerra. "Nem ouso imaginar o que as execuções sucessivas dos últimos dias provocaram na atmosfera das alas políticas das prisões", afirmou um dos mais conhecidos ativistas estudantis de direitos civis no Irã, Zia Nabavi, que foi preso várias vezes nos últimos anos. Ele está entre os poucos ativistas que, apesar das severas restrições, continuam a se manifestar ocasionalmente nas redes sociais. A internet está fortemente restrita no Irã desde o fim de fevereiro. O regime intensificou as ações contra conexões feitas por VPN e terminais via satélite, que permitem contornar a censura estatal. Essa situação dificulta consideravelmente a comunicação dentro e fora do país. "Por meio da colaboração com colegas no Irã, com os quais só conseguimos entrar em contato com muita dificuldade, ficamos sabendo que o andamento dos processos judiciais de prisioneiros políticos foi acelerado e, ao mesmo tempo, tornou-se mais opaco", disse o advogado de direitos humanos Saeid Dehghan à DW, também perseguido pelo regime. "Isso permite que sentenças de morte sejam pronunciadas e executadas mais rapidamente." Dehghan é fundador da rede YekKalameh Lawyers Network e atua, junto com advogados iranianos de direitos humanos, na documentação de violações de direitos civis pelo regime. Diversos juristas independentes que atuam em questões políticas também foram presos ou convocados para interrogatório. O sistema de segurança os intimida sistematicamente e elimina dissidentes e manifestantes. "A pressão sobre prisioneiros políticos doentes aumentou. Um exemplo disso é (a ativista vencedora do Prêmio Nobel) Narges Mohammadi, que sofre de uma doença cardíaca."

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