Irã arma população e faz treinamentos nas ruas em meio à possibilidade de guerra contra os EUA escalar

Até crianças participam de treinamento para o uso de armas. Vahid Salemi/AP Integrantes da Guarda Revolucionária do Irã passaram a mostrar à população da capital do país como manusear fuzis no estilo Kalashnikov. Armas passaram a ser exibidas com frequência em Teerã e treinamentos passaram a ser realizados nas ruas, em meio ao aumento das tensões com os Estados Unidos e ao medo da escalada da guerra. Na terça-feira (19), o presidente americano, Donald Trump, ameaçou retomar os ataques caso as negociações fracassem e o Irã mantenha o controle do Estreito de Ormuz. Em um treinamento realizado na terça-feira na capital, homens e mulheres foram separados em turmas diferentes. Hadi Khoosheh, integrante da milícia Basij, ligada à Guarda Revolucionária, ensinou como manusear um fuzil. “Ao final do curso, os participantes receberão um cartão chamado ‘Janfada’, comprovando que receberam treinamento básico e podem usar essa arma se algo acontecer ao nosso país”, disse Khoosheh. LEIA TAMBÉM: Em derrota para Trump, Senado dos EUA avança projeto para obrigar retirada do país da guerra contra o Irã Apresentador no Irã dispara tiro de fuzil ao vivo dentro do estúdio após 'aula' de militar “Com certeza vamos enfrentar os americanos e não cederemos nem um centímetro do nosso território”, afirmou Ali Mofidi, morador de Teerã de 47 anos, durante um treinamento militar na terça-feira. “Não importa se vierem pelo mar ou pela terra. Vamos defender nossa bandeira.” Aumento das tensões As demonstrações refletem a ameaça enfrentada pelo Irã. Trump sugeriu que forças americanas poderiam tomar à força o estoque iraniano de urânio altamente enriquecido. Ele também afirmou anteriormente que enviou armas a combatentes curdos para repassá-las a manifestantes antigoverno. Um integrante da milícia voluntária Basij, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, demonstra como manusear um fuzil no estilo Kalashnikov durante um treinamento com armas em Teerã. Vahid Salemi/AP Ao mesmo tempo, as exibições servem para reforçar o discurso da ala mais radical do regime e entreter a população em um momento de crise econômica. O país enfrenta demissões em massa, fechamento de empresas e aumento no preço de alimentos, remédios e outros produtos. A possibilidade de mais civis armados também pode ajudar o governo a conter novos protestos contra a teocracia iraniana. Em janeiro, manifestações nacionais foram reprimidas com violência. Segundo ativistas, mais de 7 mil pessoas morreram e dezenas de milhares foram presas. “É necessário que toda a população receba treinamento porque estamos em uma situação de guerra”, afirma Mofidi. “Se necessário, todos devem estar preparados e saber usar uma arma.” Apesar disso, a maior parte das demonstrações recentes ocorre em Teerã, e não em áreas rurais, onde tradicionalmente famílias mantêm rifles e espingardas em casa.

May 20, 2026 - 10:00
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Irã arma população e faz treinamentos nas ruas em meio à possibilidade de guerra contra os EUA escalar

Até crianças participam de treinamento para o uso de armas. Vahid Salemi/AP Integrantes da Guarda Revolucionária do Irã passaram a mostrar à população da capital do país como manusear fuzis no estilo Kalashnikov. Armas passaram a ser exibidas com frequência em Teerã e treinamentos passaram a ser realizados nas ruas, em meio ao aumento das tensões com os Estados Unidos e ao medo da escalada da guerra. Na terça-feira (19), o presidente americano, Donald Trump, ameaçou retomar os ataques caso as negociações fracassem e o Irã mantenha o controle do Estreito de Ormuz. Em um treinamento realizado na terça-feira na capital, homens e mulheres foram separados em turmas diferentes. Hadi Khoosheh, integrante da milícia Basij, ligada à Guarda Revolucionária, ensinou como manusear um fuzil. “Ao final do curso, os participantes receberão um cartão chamado ‘Janfada’, comprovando que receberam treinamento básico e podem usar essa arma se algo acontecer ao nosso país”, disse Khoosheh. LEIA TAMBÉM: Em derrota para Trump, Senado dos EUA avança projeto para obrigar retirada do país da guerra contra o Irã Apresentador no Irã dispara tiro de fuzil ao vivo dentro do estúdio após 'aula' de militar “Com certeza vamos enfrentar os americanos e não cederemos nem um centímetro do nosso território”, afirmou Ali Mofidi, morador de Teerã de 47 anos, durante um treinamento militar na terça-feira. “Não importa se vierem pelo mar ou pela terra. Vamos defender nossa bandeira.” Aumento das tensões As demonstrações refletem a ameaça enfrentada pelo Irã. Trump sugeriu que forças americanas poderiam tomar à força o estoque iraniano de urânio altamente enriquecido. Ele também afirmou anteriormente que enviou armas a combatentes curdos para repassá-las a manifestantes antigoverno. Um integrante da milícia voluntária Basij, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, demonstra como manusear um fuzil no estilo Kalashnikov durante um treinamento com armas em Teerã. Vahid Salemi/AP Ao mesmo tempo, as exibições servem para reforçar o discurso da ala mais radical do regime e entreter a população em um momento de crise econômica. O país enfrenta demissões em massa, fechamento de empresas e aumento no preço de alimentos, remédios e outros produtos. A possibilidade de mais civis armados também pode ajudar o governo a conter novos protestos contra a teocracia iraniana. Em janeiro, manifestações nacionais foram reprimidas com violência. Segundo ativistas, mais de 7 mil pessoas morreram e dezenas de milhares foram presas. “É necessário que toda a população receba treinamento porque estamos em uma situação de guerra”, afirma Mofidi. “Se necessário, todos devem estar preparados e saber usar uma arma.” Apesar disso, a maior parte das demonstrações recentes ocorre em Teerã, e não em áreas rurais, onde tradicionalmente famílias mantêm rifles e espingardas em casa.

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