Justiça nega habeas corpus de empresário que se passou por médico

Justiça já havia rejeitado um recurso apresentado pela defesa de Wellington Augusto Mazini Silva em março deste ano

Jul 5, 2026 - 22:00
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Justiça nega habeas corpus de empresário que se passou por médico

A Justiça de São Paulo negou um pedido de habeas-corpus de Wellington Augusto Mazini Silva, acusado de realizar exames e assinar documentos médicos utilizando registros de outros profissionais e manteve o empresário preso. Em março deste ano, a 3ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), já havia que rejeitado um recurso apresentado pela defesa do réu.

Na decisão, a Justiça destacou que a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública, a investigação e para proteger a segurança do sistema público de saúde. Os desembargadores entendem que o réu poderia burlar medidas de fiscalização utilizando outras identidades.

Foram imputados ao empresário quatro crimes: exercício ilegal da medicina, falsidade ideológica, estelionato e perigo para a vida ou saúde de outros.

Entenda o caso

  • Wellington Augusto Mazini Silva foi preso em flagrante no dia 7 de janeiro de 2026 dentro de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) em Cananéia, no litoral sul de São Paulo.
  • Segundo a Polícia Civil, ele se apresentava como médico e realizava exames de ultrassonografia sem possuir formação ou registro profissional.
  • As investigações apontam que Wellington teria utilizado o número de CRM pertencente a outro médico, além de assinar laudos e documentos médicos em nome de terceiros.
  • Durante as apurações, também foi identificado que o suspeito portava carimbos e receituários médicos de diferentes profissionais e clínicas.
  • O próprio suspeito teria admitido que receberia cerca de R$ 2 mil pelos atendimentos realizados naquele dia.
  • Uma paciente afirmou à polícia que o homem disse ter identificado a vesícula biliar em um exame de ultrassom, apesar de ela já ter retirado o órgão em uma cirurgia anterior.
  • O caso passou a ser investigado como exercício ilegal da medicina, entre outras possíveis irregularidades apontadas nos documentos do processo.

Justiça mantém prisão

No dia seguinte à prisão, durante audiência de custódia, o juiz responsável homologou o flagrante e determinou a conversão da prisão em preventiva. O magistrado considerou inadequada a substituição da prisão por medidas cautelares alternativas.

A defesa contestou essa decisão posteriormente. Os advogados argumentaram que o réu é primário e que não haveria indícios de que sua liberdade representaria risco concreto à investigação ou à sociedade. Também sustentaram que a fundamentação utilizada pela Justiça para manter a prisão seria genérica e abstrata. No pedido apresentado, os advogados solicitaram que Wellington pudesse responder ao processo em liberdade, ainda que com a aplicação de medidas cautelares alternativas.

O Metrópoles tentou contato com a defesa de Wellington Augusto Mazini Silva. Procurado pela reportagem, o então advogado do caso, Celino Barbosa de Souza Netto, informou que não representa mais o investigado. Até a publicação desta reportagem, a nova defesa não foi localizada. O espaço permanece aberto para manifestações.

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