MG tem 675 radares nas rodovias estaduais; veja onde eles estão
Dados mostram cidades e rodovias que concentram mais equipamentos de fiscalização; governo de MG prevê ampliar rede com radares inteligentes
Belo Horizonte — Minas Gerais conta atualmente com 675 radares fixos em operação nas rodovias estaduais e trechos concedidos. Levantamento realizado pelo Metrópoles, com base na relação oficial do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), identificou que os equipamentos estão distribuídos por 281 municípios e 184 rodovias, mas se concentram principalmente em importantes corredores de tráfego do estado.
Os dados mostram que Itaúna, no Centro-Oeste mineiro, e Uberlândia, no Triângulo Mineiro, lideram o ranking estadual, com 16 radares cada. Em seguida aparecem Montes Claros, com 14 equipamentos, e Belo Horizonte, com 11. Além dos radares fixos, o DER-MG também mantém 180 trechos aptos a receber fiscalização por meio de medidores de velocidade portáteis.
Os números ajudam a dimensionar a fiscalização nas estradas, mas vale ressaltar que eles não refletem a quantidade total de radares existentes em Minas Gerais. Isso porque a base do DER-MG considera apenas equipamentos instalados em rodovias estaduais e trechos concedidos, sem incluir a fiscalização eletrônica das vias urbanas, que é de responsabilidade dos municípios.
As cidades com mais radares nas rodovias de MG
- 1º (16 radares): Itaúna e Uberlândia
- 2º (14 radares): Montes Claros
- 3º (11 radares): Belo Horizonte
- 4º (10 radares): Araguari e Vespasiano
- 5º (9 radares): Nova Lima
- 6º (8 radares): Poços de Caldas
- 7º (7 radares): Paracatu, São Sebastião do Paraíso, Tupaciguara e Varginha
- 8º (6 radares): Coronel Pacheco, Diamantina, Entre Rios de Minas, Esmeraldas, Jaboticatubas, Juiz de Fora, Ribeirão das Neves e Sabará
- 9º (5 radares): Aguanil, Araxá, Conceição do Mato Dentro, Congonhas, Curvelo, Mariana, Mercês, Ponte Nova, Pouso Alegre e Presidente Olegário
- 10º (4 radares): Abaeté, Alfenas, Astolfo Dutra, Augusto de Lima, Barbacena, Bocaiúva, Bom Despacho, Bueno Brandão, Buenópolis, Carmo de Minas, Carmo do Rio Claro, Carmo do Cajuru, Catas Altas, Cataguases, Conceição do Rio Verde, Conselheiro Lafaiete, Corinto, Dona Euzébia, Elói Mendes, Ferros, Guanhães, Guaxupé, Itabira, Janaúba, João Pinheiro, Lagoa Santa, Patos de Minas, Rio Pomba, São Gotardo, Três Corações, Ubá e Uberaba
As rodovias estaduais com mais radares em MG
- 1º MGC-120 (26 radares) — trechos distribuídos entre o Vale do Rio Doce e a Zona da Mata
- 2º MG-050 (23) — liga a Região Metropolitana de Belo Horizonte ao Centro-Oeste e ao Sul de Minas
- 3º MG-010 (20) — principal acesso ao Norte da Grande BH, ao Aeroporto de Confins e à Serra do Cipó
- 4º MG-431 (17) — atende a região industrial do Centro-Oeste de Minas
- 5º MGC-491 (16) — importante corredor do Sul de Minas
- 6º MGC-383 (15) — corta municípios do Campo das Vertentes e do Sul de Minas
- 7º BR/MGC-135 (14) — principal corredor do Norte de Minas
- 8º MG-129 e MGC-497 (13) — a MG-129 atende o Quadrilátero Ferrífero (maior produtor de minério) e a região Central; a MGC-497 corta o Triângulo Mineiro
- 9º MG-424 (11) — liga Belo Horizonte ao Norte da Região Metropolitana
- 10º MG-030, MGC-259, MGC-262, MGC-452 e MG-179 (10) — atendem, respectivamente, a Região Metropolitana de Belo Horizonte, o Vale do Rio Doce, a Zona da Mata e região Central, o Triângulo Mineiro e o Sul de Minas
O levantamento considera apenas os radares administrados pelo DER-MG em rodovias estaduais e trechos concedidos sob responsabilidade do órgão. Equipamentos instalados em rodovias federais, como as BRs 040, 381, 262 e 116, não entram na contagem.
Radares inteligentes
A fiscalização nas estradas deve ficar ainda mais intensa nos próximos anos. O governo de Minas Gerais iniciou a implantação de uma nova geração de radares inteligentes, capazes de fazer leitura automática de placas em tempo real, identificar veículos roubados ou clonados, cruzar informações e detectar padrões considerados suspeitos de circulação.
A expectativa do departamento de estradas é ampliar a rede para 1,3 mil radares até 2028.
“Se um veículo percorre o mesmo trajeto diversas vezes ao dia ou apresenta um padrão de circulação incomum, o sistema sinaliza automaticamente, permitindo que a fiscalização atue de forma muito mais assertiva”, explica o diretor de Operação Viária do DER-MG, Rodrigo Santos Colares.
O órgão afirma que a definição dos locais de instalação é baseada em estudos técnicos e geoprocessamento, priorizando trechos com maior incidência de acidentes. A expectativa é que a nova tecnologia gere uma economia de aproximadamente R$ 76 milhões relacionada aos custos com acidentes nas rodovias.
Minas Gerais tem três das rodovias mais mortais do país. Veja o ranking aqui.
Nas redes sociais, no entanto, a medida gerou críticas de parte dos motoristas. Alguns usuários questionaram a prioridade dada pelo poder público à ampliação da fiscalização eletrônica em comparação com investimentos na infraestrutura das rodovias.
“O governo estadual disse que não consegue arrumar as estradas e precisa pedagiá-las, mas consegue mudar todos os radares. O Brasil é um dos mais tecnológicos quando se fala em radares, multas e vigilância; no resto, é atrasado”, escreveu um internauta.
Outro comentou: “Colocar as estradas impecáveis isso não fazem. Mas, quando é para instalar radar e monitorar em tempo real, tudo é muito rápido e ágil. Para arrecadar dinheiro, investem em tecnologia. Agora, não gastam nenhum centavo para arrumar as estradas”.
Fiscalização na capital mineira
Enquanto o levantamento do DER-MG contempla apenas radares instalados em rodovias estaduais e trechos concedidos, Belo Horizonte possui uma rede própria de fiscalização eletrônica nas vias urbanas.
A base pública disponibilizada pela Prefeitura de Belo Horizonte, atualizada em maio deste ano, indica 287 pontos de fiscalização eletrônica distribuídos pela capital. Em resposta ao Metrópoles, entretanto, a administração municipal informou que 252 locais estão atualmente em operação.
Segundo a prefeitura, esse é o número atualizado da rede, o que indica que a base pública pode não refletir alterações mais recentes, como equipamentos desativados ou retirados de funcionamento.
Entre os equipamentos cadastrados estão controladores eletrônicos de velocidade, detectores de avanço de sinal vermelho, fiscalização de conversões proibidas e monitoramento das faixas exclusivas do transporte coletivo.
As avenidas com mais radares em BH
- 1º Avenida Amazonas (25)
- 2º Avenida do Contorno (24)
- 3º Anel Rodoviário Celso Mello Azevedo (20)
- 4º Avenida Afonso Pena (18)
- 5º Avenida Cristiano Machado (17)
- 6º Avenida Nossa Senhora do Carmo e Avenida Waldyr Soeiro Emrich (12)
- 7º Avenida dos Andradas, Avenida Presidente Antônio Carlos e Avenida Teresa Cristina
- 8º Avenida José Cândido da Silveira (8)
- 9º Avenida Dom Pedro I (7)
- 10º Avenida Dom Pedro II (6)
Na contramão de motoristas que reclamam da lentidão do trânsito por causa dos equipamentos, o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União), tem defendido a utilização dos radares na capital mineira, principalmente em avenidas de maior circulação, com o intuito de reduzir acidentes.
“Quem reclama de radar são aqueles que passam além da velocidade. E os que usam isso politicamente para fazer média nas redes sociais. Claro que a população aprova, porque diminui o número de acidentes, de mortes. É isso que as pessoas querem ver na prática”, disse recentemente o prefeito.
Ele também classificou como “irrisório” o valor arrecadado com multas diante do orçamento municipal e afirmou que os recursos são revertidos para melhorias na infraestrutura de mobilidade urbana.
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