Líbano acusa Irã de usar o país como 'moeda de troca' nas negociações com os EUA
Israel e Hezbollah voltam a trocar ataques um dia depois do anúncio oficial de uma nova trégua O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, acusou o Irã de tratar o Líbano como uma "moeda de troca" em suas negociações com os Estados Unidos nesta sexta-feira (5). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Em uma coletiva de imprensa sobre um apelo feito pela ONU por ajuda humanitária para o país, o premiê afirmou: "Se me permitem dirigir algumas palavras ao Irã, é o seguinte: tenham misericórdia do nosso sul, parem de tratá-lo e ao seu povo como mera moeda de troca para melhorar os termos das suas negociações". O presidente libanês, Joseph Aoun, também condenou a postura do Irã em entrevista para a emissora americana CNN. Ele classificou o que chamou de "interferência no país" de "inaceitável". "Este não é o seu país, é o nosso país... Não é da sua conta interferir no nosso país. eles estão usando o Líbano como moeda de troca nas negociações com os Estados Unidos. Isso é inaceitável. O Hezbollah precisa entender que não há outro caminho a não ser sentar e conversar, não há outra maneira de resolver este problema e salvar o que resta a não ser por meio de negociação e diplomacia", declarou. O Líbano voltou a sofrer ataques aéreos de Israel desde o começo de março, quando o grupo extremista Hezbollah lançou mísseis contra o território israelense em retaliação ao começo da guerra no Irã, país que é seu aliado. Na noite desta quinta-feira (4), inclusive, o regime iraniano reafirmou seu apoio ao seu aliado libanês e exigiu que Israel se retire do sul do Líbano. Há quatro dias, o porta-voz da diplomacia de Teerã condicionou qualquer tipo de acordo com os EUA à interrupção dos bombardeios israelenses contra alvos em território libanês. "Esta guerra só terminará quando terminar também no Líbano. O fim da guerra no Líbano deve ser acompanhado pela retirada das forças israelenses dos territórios que ocuparam", declarou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, à emissora de TV libanesa Al Mayadeen. EUA anunciou acordo de cessar-fogo, mas confronto continua Destruição em Tiro, no sul do Líbano, após ataque israelense REUTERS Na quarta-feira (3), o Departamento de Estado dos EUA anunciou que Israel e Líbano haviam concordado com um cessar-fogo. No entanto, poucas horas após o anúncio da trégua, ataques israelenses mataram pelo menos quatro pessoas em território libanês. Na noite desta quinta-feira (4), sete pessoas morreram em ataques aéreos de Israel realizados contra a cidade de Tiro, no sul do Líbano, segundo uma fonte da Defesa Civil libanesa. De acordo com a fonte, um dos ataques ocorreu nas proximidades do Hospital Jabal Amel, um dos três da cidade, e deixou quatro mortos e sete feridos. Uma agência bancária foi destruída e o hospital sofreu danos. O outro bombardeio matou três pessoas e feriu cinco, incluindo duas crianças, em um bairro residencial. Em comunicado oficial, o Exército israelense anunciou ataques contra o Hezbollah em três locais ao norte do rio Litani, a cerca de 40 quilômetros da fronteira, e ordenou a evacuação da população local. Nesta sexta-feira, após os ataques a Tiro, o presidente do Parlamento libanês e aliado do Hezbollah, Nabih Berri, disse que concordaria com a retirada do grupo do sul do país se as tropas israelenses deixassem simultaneamente o território que ocupam. Em declarações escritas distribuídas por seu gabinete, Berri criticou o acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA, considerando-o injusto e afirmando que deveria ter incluído um "cessar-fogo incondicional por terra, mar e ar". Fumaça sobe do sul do Líbano após um ataque israelense nesta sexta (5) REUTERS/Stringer Um dia antes, o chefe do grupo extremista Hezbollah rejeitou o acordo anunciado em Washington. Naim Qassem disse que, enquanto aldeias libanesas forem bombardeadas e pessoas forem mortas, o norte de Israel não estará seguro: "As negociações com Israel são vergonhosas. Só nos importamos com um cessar-fogo completo e a retirada de Israel do sul. Enquanto Israel estiver no Líbano, a resistência continuará". Os ataques israelenses no Líbano mataram 3.526 pessoas desde o início do conflito, em 2 de março, e deslocaram mais de um milhão de moradores, segundo as autoridades. Do lado israelense, 27 soldados e um prestador de serviços civil morreram no Líbano.

Israel e Hezbollah voltam a trocar ataques um dia depois do anúncio oficial de uma nova trégua O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, acusou o Irã de tratar o Líbano como uma "moeda de troca" em suas negociações com os Estados Unidos nesta sexta-feira (5). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Em uma coletiva de imprensa sobre um apelo feito pela ONU por ajuda humanitária para o país, o premiê afirmou: "Se me permitem dirigir algumas palavras ao Irã, é o seguinte: tenham misericórdia do nosso sul, parem de tratá-lo e ao seu povo como mera moeda de troca para melhorar os termos das suas negociações". O presidente libanês, Joseph Aoun, também condenou a postura do Irã em entrevista para a emissora americana CNN. Ele classificou o que chamou de "interferência no país" de "inaceitável". "Este não é o seu país, é o nosso país... Não é da sua conta interferir no nosso país. eles estão usando o Líbano como moeda de troca nas negociações com os Estados Unidos. Isso é inaceitável. O Hezbollah precisa entender que não há outro caminho a não ser sentar e conversar, não há outra maneira de resolver este problema e salvar o que resta a não ser por meio de negociação e diplomacia", declarou. O Líbano voltou a sofrer ataques aéreos de Israel desde o começo de março, quando o grupo extremista Hezbollah lançou mísseis contra o território israelense em retaliação ao começo da guerra no Irã, país que é seu aliado. Na noite desta quinta-feira (4), inclusive, o regime iraniano reafirmou seu apoio ao seu aliado libanês e exigiu que Israel se retire do sul do Líbano. Há quatro dias, o porta-voz da diplomacia de Teerã condicionou qualquer tipo de acordo com os EUA à interrupção dos bombardeios israelenses contra alvos em território libanês. "Esta guerra só terminará quando terminar também no Líbano. O fim da guerra no Líbano deve ser acompanhado pela retirada das forças israelenses dos territórios que ocuparam", declarou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, à emissora de TV libanesa Al Mayadeen. EUA anunciou acordo de cessar-fogo, mas confronto continua Destruição em Tiro, no sul do Líbano, após ataque israelense REUTERS Na quarta-feira (3), o Departamento de Estado dos EUA anunciou que Israel e Líbano haviam concordado com um cessar-fogo. No entanto, poucas horas após o anúncio da trégua, ataques israelenses mataram pelo menos quatro pessoas em território libanês. Na noite desta quinta-feira (4), sete pessoas morreram em ataques aéreos de Israel realizados contra a cidade de Tiro, no sul do Líbano, segundo uma fonte da Defesa Civil libanesa. De acordo com a fonte, um dos ataques ocorreu nas proximidades do Hospital Jabal Amel, um dos três da cidade, e deixou quatro mortos e sete feridos. Uma agência bancária foi destruída e o hospital sofreu danos. O outro bombardeio matou três pessoas e feriu cinco, incluindo duas crianças, em um bairro residencial. Em comunicado oficial, o Exército israelense anunciou ataques contra o Hezbollah em três locais ao norte do rio Litani, a cerca de 40 quilômetros da fronteira, e ordenou a evacuação da população local. Nesta sexta-feira, após os ataques a Tiro, o presidente do Parlamento libanês e aliado do Hezbollah, Nabih Berri, disse que concordaria com a retirada do grupo do sul do país se as tropas israelenses deixassem simultaneamente o território que ocupam. Em declarações escritas distribuídas por seu gabinete, Berri criticou o acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA, considerando-o injusto e afirmando que deveria ter incluído um "cessar-fogo incondicional por terra, mar e ar". Fumaça sobe do sul do Líbano após um ataque israelense nesta sexta (5) REUTERS/Stringer Um dia antes, o chefe do grupo extremista Hezbollah rejeitou o acordo anunciado em Washington. Naim Qassem disse que, enquanto aldeias libanesas forem bombardeadas e pessoas forem mortas, o norte de Israel não estará seguro: "As negociações com Israel são vergonhosas. Só nos importamos com um cessar-fogo completo e a retirada de Israel do sul. Enquanto Israel estiver no Líbano, a resistência continuará". Os ataques israelenses no Líbano mataram 3.526 pessoas desde o início do conflito, em 2 de março, e deslocaram mais de um milhão de moradores, segundo as autoridades. Do lado israelense, 27 soldados e um prestador de serviços civil morreram no Líbano.
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