Lula defende Mercosul após crítica de Flávio Bolsonaro
Lula criticou proposta de Flávio Bolsonaro de flexibilizar regras do Mercosul para negociar diretamente com os Estados Unidos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em defesa do Mercosul nesta quinta-feira (2/7), após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmar, em documento enviado ao governo dos Estados Unidos, que o Brasil deve buscar formas de “se libertar das amarras” do bloco para negociar diretamente com os norte-americanos.
“Defender o fim do Mercosul, o bloco econômico mais importante da América Latina e que acaba de firmar um acordo histórico com a União Europeia, é outro ataque ao interesse do povo brasileiro”, escreveu o chefe do Executivo.
Veja post:
É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano.
Nós sempre vamos dialogar de igual pra igual com qualquer…
— Lula (@LulaOficial) July 2, 2026
No ofício enviado ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) nessa quarta-feira (1º/7), Flávio defende que o Brasil flexibilize as regras do Mercosul para permitir acordos bilaterais com os Estados Unidos.
Segundo o senador, o bloco sul-americano impediu governos anteriores de negociar diretamente com os norte-americanos. No texto, ele afirma que o Brasil “busca formas de se libertar das amarras do Mercosul” e cita o presidente da Argentina, Javier Milei, como um exemplo a ser seguido nessa discussão.
Lula critica família Bolsonaro
Além da defesa do Mercosul, Lula também criticou o envio do documento ao governo norte-americano. O presidente disse ser “inaceitável” que a família Bolsonaro queira “submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos” e afirmou que o país continuará dialogando “de igual para igual” com qualquer nação.
Lula também rebateu outro trecho da manifestação de Flávio, em que o senador pede que os Estados Unidos adiem a aplicação das tarifas em estudo contra produtos brasileiros para depois das eleições.
Para o presidente, “nunca houve e não há qualquer justificativa” para a adoção do tarifaço, seja agora ou após o pleito. Ele ainda afirmou que a medida teria sido motivada pela própria família Bolsonaro, que, segundo ele, defendeu publicamente o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros.
O presidente também comentou as propostas relacionadas ao sistema de pagamentos. Flávio afirma, no documento, que o Pix não deve ser alvo de sanções comerciais, mas defende a redução da carga tributária e regulatória sobre empresas de cartão de crédito e outros meios privados de pagamento.
Lula respondeu dizendo que o Pix é “uma conquista do Brasil” e que o governo não permitirá que o sistema seja entregue a interesses estrangeiros. Ao encerrar a publicação, o presidente afirmou que “a soberania é inegociável” e escreveu que “o Brasil é dos brasileiros”.
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