'ONU paralela': por que o Conselho da Paz lançado por Trump preocupa comunidade internacional

Trump diz que ONU não se empenhou para acabar com guerras O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente nesta quinta-feira (22) seu "Conselho da Paz", uma estrutura com a qual seu governo pretende supervisionar a paz na Faixa de Gaza e em outras regiões do mundo, com outros 60 líderes mundiais convidados por Trump. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O presidente Lula (PT) está entre os convidados foi convidado pelo norte-americano para integrar o conselho, mas ainda não respondeu ao convite. A proposta de Trump vem sendo vista também, entre parte da comunidade internacional e da diplomacia mundia como uma tentativa de enfraquecer o papel da Organização das Nações Unidas (ONU). ▶️ O Conselho da Paz é uma estrutura criada por Trump para atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza. A iniciativa também pode atuar em outros conflitos internacionais no futuro. Desde que Trump anunciou o conselho, diplomatas vêm dizendo que a medida também pode enfraquecer as Nações Unidas como um todo. "É uma 'Nações Unidas de Trump' que ignora os princípios fundamentais da Carta da ONU", afirmou um diplomata à agência de notícia Reuters. "E se questionarmos isso... retrocedemos para tempos muito, muito sombrios", disse o presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas Annalena Baerbock à rede de TV Sky News. Trump costuma criticar instituições multilaterais, principalmente ONU. O presidente norte-americano questiona a eficácia, o custo e a responsabilidade desses organismos e afirma que, muitas vezes, eles não servem aos interesses dos Estados Unidos. Nesta quinta, durante a cerimônia de lançamento do conselho, em Davos, na Suíça, Trump voltou a criticar as Nações Unidas. "Eu nunca nem falei com a ONU. Eles tinham um potencial tremendo", afirmou. Problemas Trump exibe tratado de paz de Gaza Fabrice Coffrini/AFP Para Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), a estrutura proposta por Trump reúne uma série de falhas e concentra poder demais em uma única liderança, que seria a do próprio presidente dos Estados Unidos. Ao exigir uma contribuição de US$ 1 bilhão por país interessado em um assento permanente e afirmar que administraria esses recursos, Trump levanta dúvidas sobre transparência e sobre o controle das decisões estratégicas, segundo o professor. "O arranjo reflete uma abordagem personalista e unilateral, concentrando poder na figura de Trump, que teria influência decisiva e poder de veto sobre o funcionamento do órgão", afirma. "Há um temor real de que o Conselho se torne uma espécie de ONU paralela, controlada pelos Estados Unidos." Ainda segundo Stuenkel, há questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse, já que Trump nomeou o próprio genro, Jared Kushner, e o conselheiro Steve Witkoff para fazer parte da estrutura. Ambos têm interesses empresariais na região de Gaza. "Enquanto isso, a ONU alerta que a situação humanitária em Gaza continua dramática, independentemente de novos fóruns políticos." VÍDEOS: mais assistidos do g1

Jan 22, 2026 - 10:30
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'ONU paralela': por que o Conselho da Paz lançado por Trump preocupa comunidade internacional

Trump diz que ONU não se empenhou para acabar com guerras O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente nesta quinta-feira (22) seu "Conselho da Paz", uma estrutura com a qual seu governo pretende supervisionar a paz na Faixa de Gaza e em outras regiões do mundo, com outros 60 líderes mundiais convidados por Trump. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O presidente Lula (PT) está entre os convidados foi convidado pelo norte-americano para integrar o conselho, mas ainda não respondeu ao convite. A proposta de Trump vem sendo vista também, entre parte da comunidade internacional e da diplomacia mundia como uma tentativa de enfraquecer o papel da Organização das Nações Unidas (ONU). ▶️ O Conselho da Paz é uma estrutura criada por Trump para atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza. A iniciativa também pode atuar em outros conflitos internacionais no futuro. Desde que Trump anunciou o conselho, diplomatas vêm dizendo que a medida também pode enfraquecer as Nações Unidas como um todo. "É uma 'Nações Unidas de Trump' que ignora os princípios fundamentais da Carta da ONU", afirmou um diplomata à agência de notícia Reuters. "E se questionarmos isso... retrocedemos para tempos muito, muito sombrios", disse o presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas Annalena Baerbock à rede de TV Sky News. Trump costuma criticar instituições multilaterais, principalmente ONU. O presidente norte-americano questiona a eficácia, o custo e a responsabilidade desses organismos e afirma que, muitas vezes, eles não servem aos interesses dos Estados Unidos. Nesta quinta, durante a cerimônia de lançamento do conselho, em Davos, na Suíça, Trump voltou a criticar as Nações Unidas. "Eu nunca nem falei com a ONU. Eles tinham um potencial tremendo", afirmou. Problemas Trump exibe tratado de paz de Gaza Fabrice Coffrini/AFP Para Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), a estrutura proposta por Trump reúne uma série de falhas e concentra poder demais em uma única liderança, que seria a do próprio presidente dos Estados Unidos. Ao exigir uma contribuição de US$ 1 bilhão por país interessado em um assento permanente e afirmar que administraria esses recursos, Trump levanta dúvidas sobre transparência e sobre o controle das decisões estratégicas, segundo o professor. "O arranjo reflete uma abordagem personalista e unilateral, concentrando poder na figura de Trump, que teria influência decisiva e poder de veto sobre o funcionamento do órgão", afirma. "Há um temor real de que o Conselho se torne uma espécie de ONU paralela, controlada pelos Estados Unidos." Ainda segundo Stuenkel, há questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse, já que Trump nomeou o próprio genro, Jared Kushner, e o conselheiro Steve Witkoff para fazer parte da estrutura. Ambos têm interesses empresariais na região de Gaza. "Enquanto isso, a ONU alerta que a situação humanitária em Gaza continua dramática, independentemente de novos fóruns políticos." VÍDEOS: mais assistidos do g1

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