Petista preso em SP por elo com PCC tem sítio de alto padrão em MG

Preso na semana passada em um apartamento milionário, o vereador Senival Moura (PT) adquiriu ao menos R$ 3,6 milhões em ativos imobiliários

Jun 30, 2026 - 04:30
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Petista preso em SP por elo com PCC tem sítio de alto padrão em MG

Preso em um apartamento milionário na zona leste de São Paulo, o vereador Senival Moura (PT) também tem outros imóveis, entre eles, um sítio em Minas Gerais, considerado de “elevado padrão” pela Polícia Civil paulista.

Senival é acusado de lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio da Transunião, empresa de ônibus que ganhou a concessão para operar 50 linhas na capital paulista – a concessionária foi alvo de intervenção da prefeitura paulistana na última semana.

Na quinta-feira passada (25/6), o parlamentar foi preso no apartamento onde mora, no Tatuapé. Em 2024, ele declarou a aquisição de um imóvel no bairro à Justiça Eleitoral por R$ 820 mil. A defesa de Senival, porém, informa outro valor. Os advogados dizem que a unidade foi comprada na planta por cerca de R$ 600 mil, em pagamento parcelado.

No entanto, nas imobiliárias, os apartamentos no mesmo prédio são anunciadas entre R$ 1,6 milhão e R$ 2,8 milhões.

“Eventual valorização imobiliária ocorrida ao longo dos anos decorre exclusivamente das condições do mercado, não representando o valor de aquisição do bem”, afirma nota enviada pelos advogados.

As unidades têm 167 metros quadrados, quatro dormitórios, quatro banheiros e três vagas na garagem.

Sítio de “elevado padrão”

No relatório policial que embasou a prisão de Senival Moura, os investigadores destacam mensagens que revelam valores acertados “com o presidente” em “Extrema”.

Os policiais apontam que “presidente” seria um dos apelidos do vereador e que “Extrema” se refere à cidade do sul de Minas Gerais, onde o parlamentar tem um sítio.

“Tal interpretação encontra respaldo no fato de que Senival Pereira de Moura possui imóvel de elevado padrão localizado naquele município, circunstância que reforça a identificação do ‘presidente’ mencionado nas mensagens e confere maior consistência à vinculação entre os interlocutores e o contexto patrimonial investigado”, diz a investigação.

Segundo a polícia, além de “presidente”, Senival Moura também foi chamado de “veio” em conversas entre Leonel Moereira Martins, apontado como operador financeiro do esquema, e Adauto Soares Jorge, ex-diretor-presidente da Transunião, assassindo em 2020.

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Defesa diz que sítio foi comprado há 20 anos e casa construída "de forma gradual e fracionada ao longo dos anos"
Operador financeiro e ex-diretor de empresa de ônibus combinaram pagamento para Senival em Extrema (MG), diz polícia
Imóvel em Extrema (MG), declarado por R$ 200 mil à Justiça Eleitoral
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Operador financeiro e ex-diretor de empresa de ônibus combinaram pagamento para Senival em Extrema (MG), diz polícia
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Operador financeiro e ex-diretor de empresa de ônibus combinaram pagamento para Senival em Extrema (MG), diz polícia

O sítio em Extrema foi declarado pelo vereador à Justiça Eleitoral nas eleições de 2024, como “terreno rural”, no valor de R$ 200 mil. O sítio foi comprado há cerca de 20 anos. A defesa do parlamentar afirma que a residência foi construída aos poucos, mas não revelou o valor do imóvel.

“A construção da residência ocorreu de forma gradual e fracionada ao longo dos anos, motivo pelo qual sua atualização patrimonial ainda não havia sido refletida na declaração correspondente”, explicou.

Outros imóveis

Além do apartamento milionário e do sítio em Minas Gerais, a Polícia Civil identificou a compra e manutenção de outros imóveis, que não seriam compatíveis com o salário do parlamentar, de R$ 26 mil, atualmente.

“Ativos imobiliários que, considerados em conjunto, representam patrimônio substancialmente superior àquele normalmente associado à remuneração formalmente conhecida de Senival Pereira de Moura enquanto vereador”, diz a investigação.

A reportagem levantou ao menos R$ 3,6 milhões em cinco imóveis. Um apartamento revelado pelo Metrópoles, sobre o qual o vereador é cobrado pela prefeitura por não pagar IPTU e alega que não tem dinheiro para arcar com as custas do processo, não foi contabilizado porque o valor do imóvel não foi estimado.

  • Apartamento Tatuapé, São Paulo: ao menos R$ 1,6 milhão
  • Apartamento Vila Madalena, São Paulo: R$ 585 mil
  • Apartamento Vila Maria, São Paulo: R$ 430 mil
  • Imóvel Vila Minerva, São Paulo: sem estimativa de preço
  • Imóvel Juquehy, São Sebastião (SP): R$ 800 mil
  • Imóvel rural, Extrema (MG): ao menos R$ 200 mil (valor do terreno)

PT afasta vereador

A pedido do próprio parlamentar, o PT afastou temporariamente Senival Moura do partido para que ele possa se concentrar em sua defesa. O caso dele será julgado pelo comitê de ética do diretório municipal da sigla, que decidirá se o vereador vai continuar filiado ao PT.

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