Plano do governo Trump de deportar afegãos gera temor de represálias do Talibã; entenda

Carro de patrulha da ICE procura imigrantes ilegais nas ruas dos Estados Unidos (imagem ilustrativa) Octavio Jones/Reuters O governo do presidente Donald Trump planeja deportar afegãos detidos nos EUA de volta para seu país de origem, via Paquistão, de acordo com documentos judiciais obtidos pela agência Associated Press — uma medida que, segundo grupos de defesa dos direitos humanos, pode colocar suas vidas em risco. Organizações de defesa dos direitos dos imigrantes afirmam que os deportados podem sofrer represálias do Talibã. Milhares fugiram da perseguição no Afeganistão e temiam por suas vidas após ajudarem as Forças Armadas americanas e grupos humanitários no país. "Isso é absolutamente inconcebível", disse Shawn VanDiver, veterano da Marinha dos EUA e presidente do grupo de defesa #AfghanEvac. "Parece que não há limites para a disposição deles em infringir a lei e violar os direitos humanos." Segundo documentos judiciais, os EUA pretendem deportar inicialmente imigrantes afegãos já na segunda-feira em voos partindo da Louisiana — onde a agência de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) mantém centros de detenção e processamento de imigrantes — com destino ao Paquistão. Agora no g1 O plano de deportar afegãos para o Paquistão foi noticiado pela primeira vez pela Bloomberg na segunda-feira. Na sexta-feira (30), o jornal The New York Times informou que os imigrantes seriam enviados para o Afeganistão após chegarem ao Paquistão. Um porta-voz do Departamento de Segurança Nacional dos EUA disse em um e-mail enviado à Associated Press no sábado que o ICE não comenta sobre futuras operações de deportação, alegando questões de segurança operacional e proteção de pessoal. Autoridades da Embaixada do Paquistão em Washington não responderam imediatamente aos contatos. Afegãos afetados pela repressão à imigração Autoridades americanas confirmaram as deportações de afegãos em documentos judiciais sigilosos obtidos pela AP. Em um documento apresentado na sexta-feira em um tribunal federal da Virgínia, um alto funcionário do ICE reconheceu que um imigrante afegão estava programado para embarcar em um voo fretado de Alexandria, na Louisiana, para o Paquistão, "com posterior transporte para o Afeganistão". O documento foi apresentado no caso de um imigrante que não está sob custódia e que contesta os esforços para deportá-lo. Em outro processo judicial federal, em Oklahoma, promotores apresentaram um documento na segunda-feira revelando que outro imigrante afegão estava programado para ser deportado para o país de origem na próxima semana. O governo Trump deportou milhares de imigrantes para países que não os seus. Isso ocorreu, em alguns casos, por não ser possível enviá-los de volta devido à ausência de relações diplomáticas formais entre os EUA e o governo talibã no Afeganistão. Em outros casos, a medida foi utilizada como forma de dissuasão. Em muitos processos, um juiz de imigração dos EUA determinou que as vidas dessas pessoas estariam em risco se fossem enviadas para suas nações de origem. Não ficou imediatamente claro se algum dos indivíduos designados para retornar ao Afeganistão possui ordens de proteção contra o envio para lá. Grupos criticam plano de deportação O presidente dos EUA, Donald Trump, para para falar com membros da imprensa ao partir para o Texas, na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, EUA, em 27 de outubro de 2026 Kevin Lamarque/Reuters A Human Rights First, um grupo de defesa dos direitos de refugiados e requerentes de asilo que monitora voos de repatriação dos EUA, afirmou no sábado ter confirmado um voo programado da Louisiana para o Paquistão na terça-feira transportando imigrantes afegãos. "É extremamente ultrajante que esta administração planeje realizar um voo de deportação em massa sem precedentes de afegãos, enviando-os à força através do Paquistão e diretamente para as mãos do Talibã", disse Savitri Arvey, diretora de políticas da organização, em um e-mail à AP. "Isso ocorre na sequência de outros voos inaceitáveis que monitoramos durante esta administração, incluindo cristãos iranianos convertidos e dissidentes políticos deportados para o Irã através do Catar e do Kuwait, bem como um dissidente político russo deportado para a Rússia através do Egito", afirmou Arvey. Alguns membros democratas do Congresso usaram as redes sociais para criticar a medida após lerem a reportagem do Times na sexta-feira. "É repreensível que o governo Trump planeje deportar centenas de afegãos, incluindo mulheres, crianças e aqueles que apoiaram as forças americanas, para o Paquistão — que então correm o risco de serem enviados de volta para as mãos do Talibã. O Congresso deve se opor a isso", publicou a senadora democrata Jeanne Shaheen no X. O senador Richard Blumenthal acrescentou em sua própria publicação no LinkedIn: "Fizemos uma promessa aos nossos aliados afegãos: a de que, após ajudarem a proteger nossas tropas durante o conflito no Afeganistão, os Estados Unidos não os abandona

Oct 31, 2026 - 20:16
 0  0
Plano do governo Trump de deportar afegãos gera temor de represálias do Talibã; entenda

Carro de patrulha da ICE procura imigrantes ilegais nas ruas dos Estados Unidos (imagem ilustrativa) Octavio Jones/Reuters O governo do presidente Donald Trump planeja deportar afegãos detidos nos EUA de volta para seu país de origem, via Paquistão, de acordo com documentos judiciais obtidos pela agência Associated Press — uma medida que, segundo grupos de defesa dos direitos humanos, pode colocar suas vidas em risco. Organizações de defesa dos direitos dos imigrantes afirmam que os deportados podem sofrer represálias do Talibã. Milhares fugiram da perseguição no Afeganistão e temiam por suas vidas após ajudarem as Forças Armadas americanas e grupos humanitários no país. "Isso é absolutamente inconcebível", disse Shawn VanDiver, veterano da Marinha dos EUA e presidente do grupo de defesa #AfghanEvac. "Parece que não há limites para a disposição deles em infringir a lei e violar os direitos humanos." Segundo documentos judiciais, os EUA pretendem deportar inicialmente imigrantes afegãos já na segunda-feira em voos partindo da Louisiana — onde a agência de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) mantém centros de detenção e processamento de imigrantes — com destino ao Paquistão. Agora no g1 O plano de deportar afegãos para o Paquistão foi noticiado pela primeira vez pela Bloomberg na segunda-feira. Na sexta-feira (30), o jornal The New York Times informou que os imigrantes seriam enviados para o Afeganistão após chegarem ao Paquistão. Um porta-voz do Departamento de Segurança Nacional dos EUA disse em um e-mail enviado à Associated Press no sábado que o ICE não comenta sobre futuras operações de deportação, alegando questões de segurança operacional e proteção de pessoal. Autoridades da Embaixada do Paquistão em Washington não responderam imediatamente aos contatos. Afegãos afetados pela repressão à imigração Autoridades americanas confirmaram as deportações de afegãos em documentos judiciais sigilosos obtidos pela AP. Em um documento apresentado na sexta-feira em um tribunal federal da Virgínia, um alto funcionário do ICE reconheceu que um imigrante afegão estava programado para embarcar em um voo fretado de Alexandria, na Louisiana, para o Paquistão, "com posterior transporte para o Afeganistão". O documento foi apresentado no caso de um imigrante que não está sob custódia e que contesta os esforços para deportá-lo. Em outro processo judicial federal, em Oklahoma, promotores apresentaram um documento na segunda-feira revelando que outro imigrante afegão estava programado para ser deportado para o país de origem na próxima semana. O governo Trump deportou milhares de imigrantes para países que não os seus. Isso ocorreu, em alguns casos, por não ser possível enviá-los de volta devido à ausência de relações diplomáticas formais entre os EUA e o governo talibã no Afeganistão. Em outros casos, a medida foi utilizada como forma de dissuasão. Em muitos processos, um juiz de imigração dos EUA determinou que as vidas dessas pessoas estariam em risco se fossem enviadas para suas nações de origem. Não ficou imediatamente claro se algum dos indivíduos designados para retornar ao Afeganistão possui ordens de proteção contra o envio para lá. Grupos criticam plano de deportação O presidente dos EUA, Donald Trump, para para falar com membros da imprensa ao partir para o Texas, na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, EUA, em 27 de outubro de 2026 Kevin Lamarque/Reuters A Human Rights First, um grupo de defesa dos direitos de refugiados e requerentes de asilo que monitora voos de repatriação dos EUA, afirmou no sábado ter confirmado um voo programado da Louisiana para o Paquistão na terça-feira transportando imigrantes afegãos. "É extremamente ultrajante que esta administração planeje realizar um voo de deportação em massa sem precedentes de afegãos, enviando-os à força através do Paquistão e diretamente para as mãos do Talibã", disse Savitri Arvey, diretora de políticas da organização, em um e-mail à AP. "Isso ocorre na sequência de outros voos inaceitáveis que monitoramos durante esta administração, incluindo cristãos iranianos convertidos e dissidentes políticos deportados para o Irã através do Catar e do Kuwait, bem como um dissidente político russo deportado para a Rússia através do Egito", afirmou Arvey. Alguns membros democratas do Congresso usaram as redes sociais para criticar a medida após lerem a reportagem do Times na sexta-feira. "É repreensível que o governo Trump planeje deportar centenas de afegãos, incluindo mulheres, crianças e aqueles que apoiaram as forças americanas, para o Paquistão — que então correm o risco de serem enviados de volta para as mãos do Talibã. O Congresso deve se opor a isso", publicou a senadora democrata Jeanne Shaheen no X. O senador Richard Blumenthal acrescentou em sua própria publicação no LinkedIn: "Fizemos uma promessa aos nossos aliados afegãos: a de que, após ajudarem a proteger nossas tropas durante o conflito no Afeganistão, os Estados Unidos não os abandonariam. Esta administração está traindo essa promessa, deportando-os para uma possível tortura e morte." Em setembro, o governo Trump finalizou uma prorrogação de última hora para evitar o fechamento de um campo no Catar que abriga mais de mil afegãos que auxiliaram no esforço de guerra americano ou que são parentes de militares dos EUA. A base de As Sayliyah teve seu funcionamento estendido por nove meses. Ao iniciar seu segundo mandato, Trump suspendeu o programa de reassentamento de refugiados afegãos de seu antecessor como parte de uma série de decretos executivos que visavam restringir a imigração, incluindo a alteração drástica dos critérios de admissão para priorizar sul-africanos brancos. As mudanças na política imigratória deixaram milhares de pessoas que fugiram da guerra e da perseguição — e que passaram por longos processos de seleção para tentar começar uma nova vida nos Estados Unidos — abandonadas em locais ao redor do mundo, incluindo a base no Catar.

What's Your Reaction?

like

dislike

love

funny

angry

sad

wow

tibauemacao. Eu sou a senhora Rosa Alves este e o nosso Web Portal Noticias Atualizadas Diariamente