Pressionados por Macron, deputados franceses analisam projeto que proíbe redes sociais para menores de 15 anos
O presidente da França, Emmanuel Macron. Yoan Valat/REUTERS Pressionados pelo presidente Emmanuel Macron, os deputados franceses votarão nesta segunda-feira (26) em primeira instância a proibição do uso das redes sociais por menores de 15 anos e o banimento dos celulares das escolas de ensino médio. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp As medidas, que visam proteger a saúde dos adolescentes, contam com forte apoio do governo francês e de Macron, mas não representam um consenso. A França é o mais novo palco da discussão do uso de redes sociais por adolescentes após a Austrália ter se tornado, em dezembro, o primeiro país do mundo a adotar a proibição para menores de 16 anos. Agência Francesa de Segurança Alimentar, Ambiental e Ocupacional (ANSES), alertou no início do mês que redes sociais como Instagram, TikTok ou X estão prejudicando seriamente a saúde mental dos adolescentes. Os riscos listados incluem cyberbullying, comparação constante com os outros e exposição a conteúdo violento. A agência também destacou que as mídias que prendem a atenção e atrapalham o sono. O assunto tomou o debate público na França nas últimas semanas. O jornal francês "La Croix" publica a experiência do coletivo Algos, formado por pais que entraram na Justiça com processos judiciais contra a plataforma TikTok, a qual acusam de “incentivar a anorexia, depressão e mesmo suicídio de adolescentes”. Eles se dizem impotentes contra o poder dos algoritmos e contam com a legislação para os apoiar. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Algumas organizações de pais e de estudantes, no entanto, consideram a proibição do uso de redes sociais pelos adolescentes como “uma resposta muito simples para um problema complexo”. Eles defendem a educação para o mundo digital, reforçando o papel dos pais nessa discussão. Além disso, questionam a aplicação de uma proibição total, já que os menores poderiam sempre recorrer ao uso de VPN (rede privada virtual) para contornar a restrição. O jornal francês "Libération" ouviu especialistas no assunto. Alguns alertam que a interdição total pode ser entendida pelos adolescentes como falta de confiança em sua capacidade de discernimento e que não trata das causas estruturais. Defendem que não há dados científicos sobre a eficácia de tal medida, enquanto trazer os menores para a discussão poderia ser mais eficiente. Outros defendem que é preciso agir com todas as armas contra um inimigo capaz de promover o sedentarismo e inúmeros problemas de saúde às crianças francesas, incluindo doenças do sono, problemas psicológicos e mesmo a miopia, em nome de um modelo de negócios lucrativo para as plataformas digitais.

O presidente da França, Emmanuel Macron. Yoan Valat/REUTERS Pressionados pelo presidente Emmanuel Macron, os deputados franceses votarão nesta segunda-feira (26) em primeira instância a proibição do uso das redes sociais por menores de 15 anos e o banimento dos celulares das escolas de ensino médio. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp As medidas, que visam proteger a saúde dos adolescentes, contam com forte apoio do governo francês e de Macron, mas não representam um consenso. A França é o mais novo palco da discussão do uso de redes sociais por adolescentes após a Austrália ter se tornado, em dezembro, o primeiro país do mundo a adotar a proibição para menores de 16 anos. Agência Francesa de Segurança Alimentar, Ambiental e Ocupacional (ANSES), alertou no início do mês que redes sociais como Instagram, TikTok ou X estão prejudicando seriamente a saúde mental dos adolescentes. Os riscos listados incluem cyberbullying, comparação constante com os outros e exposição a conteúdo violento. A agência também destacou que as mídias que prendem a atenção e atrapalham o sono. O assunto tomou o debate público na França nas últimas semanas. O jornal francês "La Croix" publica a experiência do coletivo Algos, formado por pais que entraram na Justiça com processos judiciais contra a plataforma TikTok, a qual acusam de “incentivar a anorexia, depressão e mesmo suicídio de adolescentes”. Eles se dizem impotentes contra o poder dos algoritmos e contam com a legislação para os apoiar. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Algumas organizações de pais e de estudantes, no entanto, consideram a proibição do uso de redes sociais pelos adolescentes como “uma resposta muito simples para um problema complexo”. Eles defendem a educação para o mundo digital, reforçando o papel dos pais nessa discussão. Além disso, questionam a aplicação de uma proibição total, já que os menores poderiam sempre recorrer ao uso de VPN (rede privada virtual) para contornar a restrição. O jornal francês "Libération" ouviu especialistas no assunto. Alguns alertam que a interdição total pode ser entendida pelos adolescentes como falta de confiança em sua capacidade de discernimento e que não trata das causas estruturais. Defendem que não há dados científicos sobre a eficácia de tal medida, enquanto trazer os menores para a discussão poderia ser mais eficiente. Outros defendem que é preciso agir com todas as armas contra um inimigo capaz de promover o sedentarismo e inúmeros problemas de saúde às crianças francesas, incluindo doenças do sono, problemas psicológicos e mesmo a miopia, em nome de um modelo de negócios lucrativo para as plataformas digitais.
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