Ultraconservadores x Leão XIV: grupo ignora pedido de papa e ordena bispos sem autorização; ato pode levar à excomunhão
Papa Leão XIV enfrenta crise com grupos tradicionalistas O papa Leão XIV enfrenta uma crise com um grupo católico ultraconservador que quer reverter algumas das principais mudanças promovidas pela Igreja Católica desde o Concílio Vaticano II. A Fraternidade São Pio X defende o retorno das missas em latim, celebrações com o padre de costas para os fiéis e rejeita parte das reformas adotadas pelo Vaticano há mais de 60 anos. O embate ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (1º), quando a comunidade ignorou um pedido do papa e ordenou quatro bispos sem autorização da Santa Sé. O Vaticano considera a medida um "ato cismático", passível de excomunhão. Consagração cismática de bispos realizada pela Sociedade de São Pio X (SSPX), grupo católico tradicionalista, em Ecône, no oeste da Suíça, em 1º de julho de 2026. AFP A cerimônia foi realizada em Écône, na Suíça, sede da fraternidade, e reuniu milhares de fiéis de diferentes países. Foram consagrados quatro novos bispos: dois franceses, um americano e um suíço. Antes da ordenação, Leão XIV havia feito um último apelo ao superior da Fraternidade São Pio X, o padre Davide Pagliarani, para que desistisse da cerimônia. Em carta divulgada pelo Vaticano, o pontífice pediu que o grupo "renunciasse ao projeto" e alertou para as consequências da decisão. Segundo a Santa Sé, ordenar bispos sem o consentimento do papa representa um ato de insubordinação direta e rompe a comunhão com a Igreja. Além da excomunhão automática dos novos bispos, o Vaticano afirma que, em caso de cisma, sacramentos celebrados por eles, como casamentos e confissões, deixam de ser reconhecidos pela Igreja Católica. Consagração cismática de bispos realizada pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) em Ecône, no oeste da Suíça, em 1º de julho de 2026 FABRICE COFFRINI / AFP O que defende a Fraternidade São Pio X? Fundada em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre, a Fraternidade São Pio X surgiu em oposição às mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965. O concílio marcou uma das maiores reformas da história recente da Igreja Católica. Entre as mudanças, as missas deixaram de ser obrigatoriamente celebradas em latim e passaram a ser realizadas na língua de cada país. Os padres também passaram a celebrar voltados para os fiéis, e a Igreja ampliou o diálogo com outras religiões. A fraternidade, porém, considera que essas reformas descaracterizaram a tradição católica. O grupo defende a preservação da liturgia anterior ao Concílio Vaticano II e uma interpretação mais rígida da doutrina da Igreja. Esta fotografia mostra a tonsura do bispo francês consagrado Michel Poinsinet de Sivry durante a consagração cismática de bispos pela Sociedade de São Pio X (SSPX), organização católica tradicionalista, em Ecône, no oeste da Suíça, em 1º de julho de 2026. FABRICE COFFRINI / AFP Um conflito que atravessa décadas O confronto entre a Fraternidade São Pio X e o Vaticano não começou agora. Em 1988, o fundador da comunidade também ordenou quatro bispos sem autorização do então papa João Paulo II, apesar de um apelo para que desistisse da decisão. Na época, a ordenação levou à excomunhão dos envolvidos. A punição foi suspensa em 2009 pelo papa Bento XVI, em uma tentativa de reaproximação, mas a situação canônica da fraternidade permaneceu irregular e as divergências nunca foram totalmente resolvidas. Agora, com a ordenação de quatro novos bispos, o grupo volta a desafiar diretamente a autoridade do Vaticano, reabrindo um impasse que atravessa seis pontificados e coloca Leão XIV diante de uma das primeiras grandes crises de seu governo. LEIA TAMBÉM: O movimento católico ultraconservador que desafia o papa e cresce no Brasil com missa em latim e padre de costas Grupo ultraconservador desafia Leão XIV e aprofunda crise com o Vaticano Reprodução/GloboNews

Papa Leão XIV enfrenta crise com grupos tradicionalistas O papa Leão XIV enfrenta uma crise com um grupo católico ultraconservador que quer reverter algumas das principais mudanças promovidas pela Igreja Católica desde o Concílio Vaticano II. A Fraternidade São Pio X defende o retorno das missas em latim, celebrações com o padre de costas para os fiéis e rejeita parte das reformas adotadas pelo Vaticano há mais de 60 anos. O embate ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (1º), quando a comunidade ignorou um pedido do papa e ordenou quatro bispos sem autorização da Santa Sé. O Vaticano considera a medida um "ato cismático", passível de excomunhão. Consagração cismática de bispos realizada pela Sociedade de São Pio X (SSPX), grupo católico tradicionalista, em Ecône, no oeste da Suíça, em 1º de julho de 2026. AFP A cerimônia foi realizada em Écône, na Suíça, sede da fraternidade, e reuniu milhares de fiéis de diferentes países. Foram consagrados quatro novos bispos: dois franceses, um americano e um suíço. Antes da ordenação, Leão XIV havia feito um último apelo ao superior da Fraternidade São Pio X, o padre Davide Pagliarani, para que desistisse da cerimônia. Em carta divulgada pelo Vaticano, o pontífice pediu que o grupo "renunciasse ao projeto" e alertou para as consequências da decisão. Segundo a Santa Sé, ordenar bispos sem o consentimento do papa representa um ato de insubordinação direta e rompe a comunhão com a Igreja. Além da excomunhão automática dos novos bispos, o Vaticano afirma que, em caso de cisma, sacramentos celebrados por eles, como casamentos e confissões, deixam de ser reconhecidos pela Igreja Católica. Consagração cismática de bispos realizada pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) em Ecône, no oeste da Suíça, em 1º de julho de 2026 FABRICE COFFRINI / AFP O que defende a Fraternidade São Pio X? Fundada em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre, a Fraternidade São Pio X surgiu em oposição às mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965. O concílio marcou uma das maiores reformas da história recente da Igreja Católica. Entre as mudanças, as missas deixaram de ser obrigatoriamente celebradas em latim e passaram a ser realizadas na língua de cada país. Os padres também passaram a celebrar voltados para os fiéis, e a Igreja ampliou o diálogo com outras religiões. A fraternidade, porém, considera que essas reformas descaracterizaram a tradição católica. O grupo defende a preservação da liturgia anterior ao Concílio Vaticano II e uma interpretação mais rígida da doutrina da Igreja. Esta fotografia mostra a tonsura do bispo francês consagrado Michel Poinsinet de Sivry durante a consagração cismática de bispos pela Sociedade de São Pio X (SSPX), organização católica tradicionalista, em Ecône, no oeste da Suíça, em 1º de julho de 2026. FABRICE COFFRINI / AFP Um conflito que atravessa décadas O confronto entre a Fraternidade São Pio X e o Vaticano não começou agora. Em 1988, o fundador da comunidade também ordenou quatro bispos sem autorização do então papa João Paulo II, apesar de um apelo para que desistisse da decisão. Na época, a ordenação levou à excomunhão dos envolvidos. A punição foi suspensa em 2009 pelo papa Bento XVI, em uma tentativa de reaproximação, mas a situação canônica da fraternidade permaneceu irregular e as divergências nunca foram totalmente resolvidas. Agora, com a ordenação de quatro novos bispos, o grupo volta a desafiar diretamente a autoridade do Vaticano, reabrindo um impasse que atravessa seis pontificados e coloca Leão XIV diante de uma das primeiras grandes crises de seu governo. LEIA TAMBÉM: O movimento católico ultraconservador que desafia o papa e cresce no Brasil com missa em latim e padre de costas Grupo ultraconservador desafia Leão XIV e aprofunda crise com o Vaticano Reprodução/GloboNews
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