Caso Mariana Ferrer: ONU cobra Brasil e cita "violência institucional"

ONU divulgou, nesta sexta-feira (3/7), carta enviada ao Brasil em que cobra do Estado brasileiro posicionamento sobre o caso Mariana Ferrer

Jul 3, 2026 - 14:30
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Caso Mariana Ferrer: ONU cobra Brasil e cita "violência institucional"

A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou, nesta sexta-feira (3/7), uma carta enviada ao Brasil em que cobra do Estado brasileiro posicionamento sobre o caso Mariana Ferrer, que acusa André Camargo de estuprá-la em uma casa de festa de Florianópolis (SC), em 2018.

No documento, enviado ao Ministério das Relações Exteriores em 4 de maio deste ano, o Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU fala em “padrões estruturais mais amplos que afetam o acesso à justiça” e cita “violência institucional e vitimização secundária” para falar sobre o tratamento recebido por Mariana.

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Mariana Ferrer
Justiça absolve André Aranha por suposto estupro de Mariana Ferrer
Cenas do dia do estupro em Jurerê Internacional
André Aranha, empresário acusado de estuprar Mari Ferrer
André Aranha foi inocentado pela Justiça
Lei Mariana Ferrer: entenda como o caso mudou as regras de julgamentos
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Lei Mariana Ferrer: entenda como o caso mudou as regras de julgamentosReprodução/ redes sociais

Mariana Ferrer
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Mariana FerrerRedes sociais

Justiça absolve André Aranha por suposto estupro de Mariana Ferrer
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Justiça absolve André Aranha por suposto estupro de Mariana FerrerReprodução

Cenas do dia do estupro em Jurerê Internacional
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Cenas do dia do estupro em Jurerê InternacionalReprodução

André Aranha, empresário acusado de estuprar Mari Ferrer
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André Aranha, empresário acusado de estuprar Mari FerrerReprodução

André Aranha foi inocentado pela Justiça
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André Aranha foi inocentado pela JustiçaReprodução

Audiência com Mariana Ferrer
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Audiência com Mariana FerrerReprodução

“Também nos preocupa que a forma como as provas foram avaliadas, os questionamentos durante a audiência baseados em estereótipos de gênero e culpabilização da vítima, a exposição pública de imagens médicas íntimas e a ausência de intervenção judicial possam configurar violência institucional e vitimização secundária”, diz um trecho da carta.

O documento completa: “Tal conduta parece incompatível com a obrigação das autoridades estatais de agir com a devida diligência, imparcialidade e respeito à dignidade das vítimas de violência sexual e de gênero.”

A carta ainda pede, entre outras solicitações, que o Estado brasileiro informe se “Mariana Ferrer teve acesso a recursos efetivos e reparações pelas alegadas violações, incluindo indenização, apoio psicológico e medidas de reparação pelo tratamento institucional recebido, bem como explicar de que forma tais medidas são adequadas e quais garantias de não repetição existem para casos semelhantes no futuro”.

Eles também pedem que sejam apresentadas as “medidas adotadas para enfrentar barreiras estruturais mais amplas à responsabilização em casos de violência sexual e de gênero, incluindo treinamento obrigatório para profissionais do sistema de justiça, mecanismos de monitoramento de vieses de gênero em processos judiciais e revisão dos padrões probatórios relacionados ao consentimento”.

Caso Mariana Ferrer

André foi acusado de drogar e estuprar Mariana em 2018 no Café de La Musique, em Florianópolis (SC), onde a influenciadora trabalhava. Na ocasião, a vítima relatou ter sido dopada com uma substância colocada em sua bebida, perdendo a capacidade de consentir, e levada a uma área restrita onde o ato sexual teria ocorrido.

Em primeira instância, o Ministério Público pediu a absolvição do empresário sob o argumento de “estupro culposo” (quando não há intenção ou conhecimento de que a vítima estava vulnerável), um termo inexistente na legislação brasileira. Posteriormente, a absolvição foi baseada na ausência de provas materiais suficientes de que ela não podia consentir.

O caso ganhou grande repercussão nacional após a divulgação de vídeos da audiência de instrução. Mariana foi alvo de ataques, ofensas e humilhações por parte do advogado de defesa do réu, Cláudio Gastão da Rosa Filho. O juiz responsável não interveio para impedir a postura do advogado.

A forte indignação pública com a conduta durante a audiência impulsionou a aprovação da Lei Mariana Ferrer (Lei 14.245/2021), que pune a violência institucional e protege vítimas e testemunhas de coação ou humilhações durante o processo judicial.

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