Dólar sobe e Bolsa cai sob forte pressão de juros mais altos nos EUA

Moeda americana volta a se aproximar dos R$ 5,20, em clima global de aversão ao risco. Ibovespa oscila, mas com tendência de queda

Jul 1, 2026 - 12:00
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Dólar sobe e Bolsa cai sob forte pressão de juros mais altos nos EUA

O dólar opera em alta nesta quarta-feira (1º/7). Às 11h10, a moeda americana avançava 0,42%, a R$ 5,18. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), iniciou o pregão em forte queda, mas, ao longo da manhã, se recuperou parcialmente. Às 11h20, ele recuava 0,36%, aos 171,4 mil pontos.

Na avaliação de Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad, o mercado iniciou o primeiro dia de julho sob forte pressão, refletindo um cenário global de aversão ao risco. Esse quadro, destaca a analista, impulsionou o dólar para uma abertura em alta e empurrou o Ibovespa para o território negativo.

“Essa dinâmica de cautela é ditada quase integralmente pelos ventos contrários vindos do exterior, especialmente dos Estados Unidos”, diz a economista. “A divulgação recente de dados mais fortes do que o esperado sobre o mercado de trabalho americano mostrou que a economia do país continua bastante aquecida e gerando vagas em ritmo acelerado. Somado a isso, os últimos dados de inflação americana vieram mais uma vez pressionados, provando que o custo de vida por lá continua resistente e não está cedendo na velocidade desejada pelas autoridades monetárias.”

A combinação de um mercado de trabalho apertado e uma inflação resiliente, acrescenta Nossig, “alterou drasticamente as projeções” dos agentes econômicos, que agora têm uma forte expectativa de um novo aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

“Quando o Fed sinaliza que as taxas de juros vão subir, os títulos públicos dos EUA — considerados o porto seguro do sistema financeiro global — passam a oferecer rendimentos maiores”, afirma a especialista. “Esse movimento afeta negativamente os mercados emergentes, pois a expectativa de juros mais altos pelo Fed reduz drasticamente a entrada de fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira.”

Com isso, afirma Nossig, os grandes fundos internacionais preferem retirar seu capital de ativos de risco, como as ações do Ibovespa, e alocá-los na segurança e na rentabilidade garantida da renda fixa americana, o que explica a disparada do dólar frente ao real e a redução de liquidez no nosso mercado acionário.

“Além disso, o Ibovespa também foi impactado nesta abertura pela forte correção nos mercados de energia. A sessão de hoje é marcada por uma queda expressiva no preço internacional do barril de petróleo, movimento que ganha força logo após o arrefecimento do conflito geopolítico entre Irã e EUA”, diz. “Com a redução das tensões e o menor temor de uma interrupção no fornecimento global da commodity, o prêmio de risco atrelado à guerra foi retirado dos preços. Como o índice é extremamente dependente de matérias-primas, esse recuo do petróleo puxa para baixo as ações de grande peso, como a Petrobras, impactando a performance do Ibovespa.”

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