Irã tem 'dia sangrento' em meio a onda de protestos e a apagão da internet
Protestos no Irã deixam mais mortos Organizações de direitos humanos acusaram nesta quinta-feira (8) as forças de segurança do Irã de atirar contra manifestantes, em meio a relatos de dezenas de mortes em várias regiões do país. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A ONG de direitos humanos Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, afirmou que as forças de segurança já mataram pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito menores. Segundo a entidade, a quarta-feira (7) foi o dia mais sangrento desde o início dos protestos, com 13 mortes confirmadas. As manifestações começaram no mês passado, com protestos na capital, Teerã, contra os graves problemas econômicos enfrentados pela população e a forte desvalorização da moeda nacional, o rial. A crise se agravou após anos de sanções internacionais, enquanto o país ainda se recupera da guerra contra Israel em junho. “As evidências mostram que a repressão se torna mais violenta e mais abrangente a cada dia”, disse o diretor da Iran Human Rights, Mahmood Amiry-Moghaddam, acrescentando que centenas de pessoas ficaram feridas e mais de 2.000 foram presas. “A ONU e a comunidade internacional têm a responsabilidade de agir de forma decisiva, dentro da estrutura do direito internacional, para evitar o assassinato em massa de manifestantes”, afirmou. O movimento teve origem no fechamento de um popular mercado em Teerã, em 28 de dezembro, após o rial despencar para mínimas históricas. Desde então, os protestos se espalharam por todo o país e se transformaram em manifestações de grande escala que questionam a legitimidade do governo islâmico. Com os atos se espalhando por todo o Irã, a agência de notícias independente Human Rights Activists News Agency (Hrana), sediada nos Estados Unidos, informou que foram registradas manifestações em 348 localidades, nas 31 províncias iranianas. Imagens verificadas pela agência de notícias AFP e compartilhadas nas redes sociais mostravam uma grande concentração de manifestantes no boulevard Aiatolá Kashani, uma importante avenida no noroeste da capital iraniana. Comércios e bazares foram fechados em Tabriz, no noroeste do país, e na cidade de Bandar Abbas, importante centro da indústria petrolífera, segundo vídeos divulgados por ONGs e ativistas nas redes sociais. Os protestos são os maiores no Irã desde as grandes manifestações ocorridas entre 2022 e 2023, desencadeadas pela morte da jovem Mahsa Amini sob custódia da polícia. Ela havia sido presa por supostamente violar o código de vestimenta imposto às mulheres. LEIA TAMBÉM Minneapolis tem dia de protestos após mulher ser morta por agente do ICE, serviço de imigração dos EUA Kim Jong-un envia carta a Putin com promessa de apoio permanente em luta contra 'neonazismo contemporâneo' Veja o que é #FAKE sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro Repressão mais violenta Manifestantes marcharam no centro de Teerã, Irã, contra a situação econômica do país, em 29 de dezembro de 2025 Fars via AP A Hrana publicou imagens que, segundo a agência, mostram forças de segurança atirando com armas de fogo contra manifestantes na cidade de Kermanshah. Grupos de direitos humanos também acusaram as autoridades de recorrer a táticas como a invasão de hospitais para deter manifestantes feridos. “As forças de segurança do Irã feriram e mataram tanto manifestantes quanto civis”, alertou a ONG Anistia Internacional, acusando as autoridades de usar “força ilegal”. Na quarta-feira (7), um policial iraniano foi morto a facadas a oeste de Teerã “durante esforços para controlar os distúrbios”, informou a agência de notícias Fars, próxima à Guarda Revolucionária iraniana. Trump ameaça ‘atingir com força’ o Irã O presidente iraniano Masoud Pezeshkian Site presidencial do Irã/WANA (West Asia News Agency)/Divulgação via REUTERS O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, ordenou na quarta-feira que as forças de segurança diferenciem os manifestantes motivados pela situação econômica dos “desordeiros” que, segundo ele, atuam contra a segurança nacional. Ele pediu o máximo de contenção e afirmou que “devem ser evitados quaisquer comportamentos violentos ou coercitivos”. A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, classificou os manifestantes como “nossos filhos” e defendeu o diálogo. Menos conciliador, o chefe do Judiciário iraniano, Gholamhosein Mohseni Ejei, afirmou que “não haverá clemência para quem ajuda o inimigo contra a República Islâmica” e acusou os Estados Unidos e Israel de tentarem desestabilizar o país. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quinta-feira tomar medidas drásticas contra o Irã se autoridades do país “começarem a matar pessoas”, alertando que Washington “as atingirá com muita força”. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, condenou o “uso excessivo da força” contra os manifestantes. ‘Apagão nacional’ da internet A organização de monitoramento Netblocks afirmou nesta quinta-feira que “dados

Protestos no Irã deixam mais mortos Organizações de direitos humanos acusaram nesta quinta-feira (8) as forças de segurança do Irã de atirar contra manifestantes, em meio a relatos de dezenas de mortes em várias regiões do país. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A ONG de direitos humanos Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, afirmou que as forças de segurança já mataram pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito menores. Segundo a entidade, a quarta-feira (7) foi o dia mais sangrento desde o início dos protestos, com 13 mortes confirmadas. As manifestações começaram no mês passado, com protestos na capital, Teerã, contra os graves problemas econômicos enfrentados pela população e a forte desvalorização da moeda nacional, o rial. A crise se agravou após anos de sanções internacionais, enquanto o país ainda se recupera da guerra contra Israel em junho. “As evidências mostram que a repressão se torna mais violenta e mais abrangente a cada dia”, disse o diretor da Iran Human Rights, Mahmood Amiry-Moghaddam, acrescentando que centenas de pessoas ficaram feridas e mais de 2.000 foram presas. “A ONU e a comunidade internacional têm a responsabilidade de agir de forma decisiva, dentro da estrutura do direito internacional, para evitar o assassinato em massa de manifestantes”, afirmou. O movimento teve origem no fechamento de um popular mercado em Teerã, em 28 de dezembro, após o rial despencar para mínimas históricas. Desde então, os protestos se espalharam por todo o país e se transformaram em manifestações de grande escala que questionam a legitimidade do governo islâmico. Com os atos se espalhando por todo o Irã, a agência de notícias independente Human Rights Activists News Agency (Hrana), sediada nos Estados Unidos, informou que foram registradas manifestações em 348 localidades, nas 31 províncias iranianas. Imagens verificadas pela agência de notícias AFP e compartilhadas nas redes sociais mostravam uma grande concentração de manifestantes no boulevard Aiatolá Kashani, uma importante avenida no noroeste da capital iraniana. Comércios e bazares foram fechados em Tabriz, no noroeste do país, e na cidade de Bandar Abbas, importante centro da indústria petrolífera, segundo vídeos divulgados por ONGs e ativistas nas redes sociais. Os protestos são os maiores no Irã desde as grandes manifestações ocorridas entre 2022 e 2023, desencadeadas pela morte da jovem Mahsa Amini sob custódia da polícia. Ela havia sido presa por supostamente violar o código de vestimenta imposto às mulheres. LEIA TAMBÉM Minneapolis tem dia de protestos após mulher ser morta por agente do ICE, serviço de imigração dos EUA Kim Jong-un envia carta a Putin com promessa de apoio permanente em luta contra 'neonazismo contemporâneo' Veja o que é #FAKE sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro Repressão mais violenta Manifestantes marcharam no centro de Teerã, Irã, contra a situação econômica do país, em 29 de dezembro de 2025 Fars via AP A Hrana publicou imagens que, segundo a agência, mostram forças de segurança atirando com armas de fogo contra manifestantes na cidade de Kermanshah. Grupos de direitos humanos também acusaram as autoridades de recorrer a táticas como a invasão de hospitais para deter manifestantes feridos. “As forças de segurança do Irã feriram e mataram tanto manifestantes quanto civis”, alertou a ONG Anistia Internacional, acusando as autoridades de usar “força ilegal”. Na quarta-feira (7), um policial iraniano foi morto a facadas a oeste de Teerã “durante esforços para controlar os distúrbios”, informou a agência de notícias Fars, próxima à Guarda Revolucionária iraniana. Trump ameaça ‘atingir com força’ o Irã O presidente iraniano Masoud Pezeshkian Site presidencial do Irã/WANA (West Asia News Agency)/Divulgação via REUTERS O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, ordenou na quarta-feira que as forças de segurança diferenciem os manifestantes motivados pela situação econômica dos “desordeiros” que, segundo ele, atuam contra a segurança nacional. Ele pediu o máximo de contenção e afirmou que “devem ser evitados quaisquer comportamentos violentos ou coercitivos”. A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, classificou os manifestantes como “nossos filhos” e defendeu o diálogo. Menos conciliador, o chefe do Judiciário iraniano, Gholamhosein Mohseni Ejei, afirmou que “não haverá clemência para quem ajuda o inimigo contra a República Islâmica” e acusou os Estados Unidos e Israel de tentarem desestabilizar o país. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quinta-feira tomar medidas drásticas contra o Irã se autoridades do país “começarem a matar pessoas”, alertando que Washington “as atingirá com muita força”. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, condenou o “uso excessivo da força” contra os manifestantes. ‘Apagão nacional’ da internet A organização de monitoramento Netblocks afirmou nesta quinta-feira que “dados em tempo real mostram que o Irã está em meio a um apagão nacional da internet”. Dados da empresa Cloudflare indicaram uma queda de cerca de 90% no tráfego da internet na noite de quinta-feira. O acesso limitado parecia permanecer disponível apenas para partes do governo e do aparato de segurança. Com o acesso à internet severamente restrito, poucas informações conseguem sair do país. Apagões semelhantes também foram registrados durante os protestos de 2022 e 2023. Reza Pahlavi, filho do xá deposto pela Revolução Islâmica de 1979 e uma das principais figuras da oposição no exílio, convocou protestos de grande porte para esta quinta-feira. Antes do apagão, ele alertou que as autoridades poderiam cortar o acesso à internet para impedir a disseminação de informações. VÍDEOS: mais assistidos do g1
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