MG: homem que jogou ex de penhasco já ameaçou passageira com faca

Segundo a PCMG, homem mantinha facas no carro, intimidava mulheres durante corridas e criou perfis falsos para continuar trabalhando

Jun 29, 2026 - 13:30
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MG: homem que jogou ex de penhasco já ameaçou passageira com faca

Belo Horizonte –  Silvanildo Amâncio de Araújo, de 52 anos, acusado de estuprar e jogar a ex-companheira Ana Cláudia Rodrigues da Silva Souza, de 41 anos, de um penhasco na Serra do Rola Moça, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, tinha histórico de ameaças contra outras mulheres quando atuava como motorista por aplicativo.

As informações foram divulgadas pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta segunda-feira (29/6).

Segundo a delegada Gislaine de Oliveira Rios, quando trabalhava como motorista, ele costumava manter facas dentro do carro, alegando ser açougueiro.

“A PC analisou todo o histórico de ocorrências, a conduta e o comportamento social do suspeito e constatou que ele, sendo motorista de aplicativo, também já teve ocorrência envolvendo passageiras em que ele as ameaçava. Por ser açougueiro, sempre mantinha facas dentro do carro e utilizava essas facas para ameaçar passageiros”, afirmou a delegada.

Ainda segundo a investigação, as ameaças eram motivadas por situações banais. Um dos episódios citados ocorreu após uma passageira solicitar uma mudança de rota durante uma viagem. Houve uma discussão e, inconformado, o motorista foi até a casa da mulher armado com uma faca.

“Ele chegou à casa dessa passageira com uma faca na mão, ameaçando-a e dizendo que sabia exatamente onde ela morava e que iria persegui-la posteriormente”, detalhou a delegada.

Segundo a delegada, o suspeito chegou a ser banido de plataformas de transporte. Mesmo assim, ele continuava atuando como motorista ao criar perfis falsos para se cadastrar novamente.

“Constatamos que essas ameaças aconteciam frequentemente, sobretudo contra mulheres”, disse Gislaine Rios.

Seis indiciamentos

Silvanildo  foi indiciado por seis crimes: sequestro e cárcere privado, ameaça, roubo, tortura, estupro e tentativa de feminicídio qualificado pela ocultação de cadáver.

“Concluímos que ele planejou todo o crime. Ele tinha o objetivo de fugir para outro estado, já que tinha parentes na Bahia. Carregava dinheiro, roupas e celulares para a fuga”, disse a delegada Gislaine Rios.

Segundo a investigação, a vítima, que trabalha como diarista, passou a ser perseguida pelo ex-companheiro depois que decidiu se separar, em fevereiro. Ela chegou a se mudar de Ribeirão das Neves para Belo Horizonte para tentar fugir dele, mas, segundo a polícia, o homem continuou a monitorando.

“Em fevereiro ela terminou [o relacionamento]. Ela terminou justamente pela quantidade de perseguições, ameaças […] E um mês depois ele continuou ainda atrás dela. Ele ia no local de trabalho, ia na escola da filha dela. Ele continuou indo na casa dela nos momentos em que ela estava em casa. E aí ele olhava pela janela para ver onde ela estava”, disse a delegada.

Mulher presa em penhasco - metrópoles

O crime

De acordo com o boletim de ocorrência, Ana Cláudia desapareceu após sair para levar a filha mais nova à escola, no bairro Pindorama, na Região Noroeste, antes de seguir para o trabalho, no bairro Mangabeiras, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Armado com uma faca, o homem abordou a vítima no local de trabalho e a obrigou a seguir até a Serra do Rola Moça, sob ameaças e agressões físicas e psicológicas.

“Ele a ameaçou e, com um golpe, colocou ela dentro do carro, trancou as portas, fechou os vidros, colocou o cinto de segurança e, a partir daí, a gente já vê o sequestro e o cárcere privado. Ele subtraiu a bolsa dela contendo celular, cartão de crédito, todos os documentos. Obrigou ela a desbloquear o celular e, uma vez chegando na Serra do Rola Moça, ainda com ameaças, obrigou ela a fazer sexo oral nele”, relatou Gislaine Rios.

Segundo a delegada, a violência sexual é mais uma das formas de torturar e humilhar a vítima. “É subjugar, né? Ele sempre foi uma pessoa que teve comportamentos de violência doméstica. A polícia conseguiu comprovar também que isso ocorreu pelo fato de ela ser mulher. E, por ser mulher, ele queria realmente subjugá-la perante ele”, disse.

Prisão e confissão

No dia seguinte ao crime, ele foi detido na área urbana de Várzea da Palma, no Norte de Minas, enquanto caminhava próximo ao veículo usado na fuga. O carro estava estacionado às margens da rodovia MGC-496.

Em gravação feita pela polícia, Silvanildo relata como abordou a vítima quando ela chegava ao trabalho e admite ter levado Ana Cláudia até a região de penhasco, onde a empurrou da encosta.

“Eu peguei ela descendo do ônibus, abracei ela e falei pra ela entrar no carro. Ela falou: ‘Você vai me matar?’ Levei ela lá pro Jardim Canadá e joguei ela lá do penhasco”, afirmou.

O homem também disse que percebeu que a vítima ainda estava viva após a queda e tentou alcançá-la, mas desistiu por causa da dificuldade de acesso ao local.

24h em penhasco

Ana Cláudia foi encontrada com vida pelo Corpo de Bombeiros após passar cerca de 24 horas em uma área de mata. Segundo os militares, ela estava consciente, orientada e apresentava escoriações pelo corpo, principalmente nas costas, além de ferimentos em um dos pés.

Mesmo ferida, a mulher conseguiu subir parte do barranco e se agarrar à vegetação até ser localizada pelas equipes de resgate.

A reportagem entrou em contato com a defesa de Silvanildo e aguarda um posicionamento.

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