Papa rejeita 'teoria da guerra justa' e acaba com 'permissão' católica para conflitos
O Papa Leão XIV fala com jornalistas a bordo do voo papal de Malabo para Roma, em 23 de abril de 2026 Andrew Medichini/Pool via REUTERS O papa Leão XIV repudiou nesta semana um importante ensinamento usado pela Igreja Católica desde pelo menos o século V para avaliar quando os países podem usar justificativas para travar guerras. Segundo especialistas, a medida pode ter um impacto de longo alcance para as potências globais. A rejeição à doutrina veio no primeiro grande documento do papa, publicado na segunda-feira (25), que também pediu a regulamentação global dos sistemas de IA e fez o pedido de desculpas mais claro até agora pelo papel histórico da Igreja Católica no apoio à escravidão transatlântica. "A teoria da 'guerra justa', que tem sido usada com muita frequência para justificar qualquer tipo de guerra, agora está ultrapassada", escreveu Leão na encíclica, intitulada "Magnifica Humanitas". "A humanidade possui ferramentas muito mais eficazes e capazes de promover a vida humana e resolver conflitos, como o diálogo, a diplomacia e o perdão", disse ele. O cardeal de Chicago, Blase Cupich, um aliado próximo de Leão e que estava no Vaticano para a apresentação do texto, afirmou à Reuters que o papa está preocupado com a forma como a teoria tem sido usada pelos líderes mundiais para justificar a guerra. "Temos que deixar claro que a teoria da guerra justa sempre foi concebida para ser uma restrição, não uma permissão que, infelizmente, alguns estão usando indevidamente para justificar suas decisões de ir à guerra em vez de buscar os caminhos da paz", declarou Cupich. Leão, que adotou um tom mais enérgico nos últimos meses e atraiu a ira do presidente dos EUA, Donald Trump, depois de criticar a guerra no Irã, criticou o número de guerras que assolam o mundo em seu texto e alertou que os lucros da indústria de armas são uma força motriz por trás dos conflitos. A teoria da guerra justa, que em geral diz que as guerras só devem ser travadas para se defender contra agressões, foi invocada por autoridades do governo Trump, incluindo o vice-presidente JD Vance, um católico, para defender a guerra no Irã. Em abril, depois que a conta oficial do papa no X postou que Deus "nunca está do lado daqueles que já empunharam a espada", Vance mencionou a teoria da guerra justa em um evento no Estado da Geórgia e pediu que o papa "tivesse cuidado ao falar sobre questões de teologia". Anna Rowlands, uma acadêmica britânica que participou da apresentação do documento, afirmou que Leão está expressando preocupação com "uma nova era de conflitos em transformação, agora cada vez mais impulsionados pela tecnologia". "É uma declaração forte sobre a necessidade de (a teoria da guerra justa) ser colocada em um contexto mais amplo e renovado de critérios para construir a paz e resolver conflitos", disse ela sobre a afirmação do papa de que a teoria está desatualizada. Papa ajuda a socorrer homem que desmaiou com o calor no Vaticano

O Papa Leão XIV fala com jornalistas a bordo do voo papal de Malabo para Roma, em 23 de abril de 2026 Andrew Medichini/Pool via REUTERS O papa Leão XIV repudiou nesta semana um importante ensinamento usado pela Igreja Católica desde pelo menos o século V para avaliar quando os países podem usar justificativas para travar guerras. Segundo especialistas, a medida pode ter um impacto de longo alcance para as potências globais. A rejeição à doutrina veio no primeiro grande documento do papa, publicado na segunda-feira (25), que também pediu a regulamentação global dos sistemas de IA e fez o pedido de desculpas mais claro até agora pelo papel histórico da Igreja Católica no apoio à escravidão transatlântica. "A teoria da 'guerra justa', que tem sido usada com muita frequência para justificar qualquer tipo de guerra, agora está ultrapassada", escreveu Leão na encíclica, intitulada "Magnifica Humanitas". "A humanidade possui ferramentas muito mais eficazes e capazes de promover a vida humana e resolver conflitos, como o diálogo, a diplomacia e o perdão", disse ele. O cardeal de Chicago, Blase Cupich, um aliado próximo de Leão e que estava no Vaticano para a apresentação do texto, afirmou à Reuters que o papa está preocupado com a forma como a teoria tem sido usada pelos líderes mundiais para justificar a guerra. "Temos que deixar claro que a teoria da guerra justa sempre foi concebida para ser uma restrição, não uma permissão que, infelizmente, alguns estão usando indevidamente para justificar suas decisões de ir à guerra em vez de buscar os caminhos da paz", declarou Cupich. Leão, que adotou um tom mais enérgico nos últimos meses e atraiu a ira do presidente dos EUA, Donald Trump, depois de criticar a guerra no Irã, criticou o número de guerras que assolam o mundo em seu texto e alertou que os lucros da indústria de armas são uma força motriz por trás dos conflitos. A teoria da guerra justa, que em geral diz que as guerras só devem ser travadas para se defender contra agressões, foi invocada por autoridades do governo Trump, incluindo o vice-presidente JD Vance, um católico, para defender a guerra no Irã. Em abril, depois que a conta oficial do papa no X postou que Deus "nunca está do lado daqueles que já empunharam a espada", Vance mencionou a teoria da guerra justa em um evento no Estado da Geórgia e pediu que o papa "tivesse cuidado ao falar sobre questões de teologia". Anna Rowlands, uma acadêmica britânica que participou da apresentação do documento, afirmou que Leão está expressando preocupação com "uma nova era de conflitos em transformação, agora cada vez mais impulsionados pela tecnologia". "É uma declaração forte sobre a necessidade de (a teoria da guerra justa) ser colocada em um contexto mais amplo e renovado de critérios para construir a paz e resolver conflitos", disse ela sobre a afirmação do papa de que a teoria está desatualizada. Papa ajuda a socorrer homem que desmaiou com o calor no Vaticano
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