Espanha quer regularizar 500 mil imigrantes, a maioria latino-americanos

Venezuelanos fazem passeata em Madri, na Espanha, em dezembro de 2025 REUTERS/Ana Beltran No caminho contrário de grande parte da Europa, o governo de esquerda espanhol, de tendência pró-imigração, aprovou um plano de regularização de imigrantes que poderá beneficiar 500 mil pessoas, em sua maioria latino-americanas. ✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A medida excepcional permitirá regularizar em torno de "meio milhão de pessoas" que estão na Espanha há menos de cinco meses, que chegaram antes de 31 de dezembro de 2025 e não possuem antecedentes criminais, explicou a ministra de Migrações, Elma Saiz, na televisão pública. O plano, aprovado nesta terça-feira (27) por um conselho de ministros, prevê que as tramitações sejam iniciadas a partir de abril e se estendam até 30 de junho, para que estas pessoas possam "trabalhar em qualquer setor, em qualquer lugar do país", detalhou a ministra. "Hoje é um dia histórico para o nosso país. Estamos reforçando um modelo migratório baseado nos direitos humanos, na integração e compatível com o crescimento econômico e com a coesão social", afirmou Saiz posteriormente em coletiva de imprensa. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O governo espanhol do socialista Pedro Sánchez é uma exceção no quesito migratório da União Europeia, em contraste com o endurecimento da política de muitos países do bloco, sob a pressão da extrema direita. "Somos um país que defende firmemente um modelo migratório legal, seguro, ordenado, mas também aberto e humano, face aos que defendem fechar nossas fronteiras", disse Sánchez recentemente. Segundo o premiê, "80% do crescimento" econômico da Espanha nos últimos seis anos e 10% das receitas da segurança social do país devem-se à migração. O desemprego caiu para menos de 10% no quarto trimestre de 2025, e a maioria dos novos funcionários é estrangeira, informou o Instituto Nacional de Estatística nesta terça. Documentação Em novembro de 2024, Sánchez já havia anunciado uma reforma do regulamento de estrangeiros para regularizar 300 mil pessoas por ano no triênio seguinte, a fim de atenuar o envelhecimento da população em um país onde o número de nascimentos caiu 25,6% desde 2014, segundo dados oficiais. A Espanha conta com uma população de 49,4 milhões de habitantes, dos quais 7,1 milhões são estrangeiros. Em 1º de janeiro de 2025, residiam cerca de 840 mil imigrantes em situação irregular, a grande maioria da América Latina, segundo o centro de pesquisa econômica e social Funcas. Para facilitar sua aplicação, o governo aprovou o plano por meio de um "decreto real", que não precisa ser submetido a votação no Parlamento, onde o Executivo não possui maioria. Estas regularizações destinadas a apoiar a economia nacional ocorrem após um pacto entre o governo e o partido de extrema esquerda, Podemos, ex-aliado dos socialistas, mas ultimamente muito crítico do Executivo. "O racismo é respondido com direitos. Se eles sequestram crianças, assassinam, aterrorizam as pessoas, nós damos documentos", afirmou a eurodeputada do Podemos Irene Montero, criticando o governo americano de Donald Trump. 'Ilegalidade premiada' Esta regularização também ocorre após a estagnação no Parlamento espanhol de uma iniciativa popular assinada por mais de 600 mil pessoas, e com o apoio de cerca de 900 associações, que reivindicava a regularização de todos os imigrantes irregulares no país. A medida foi criticada pela direita e pela extrema direita. "Na Espanha socialista, a ilegalidade é premiada. A política migratória de Sánchez é tão disparatada quanto a ferroviária", criticou no X Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular (PP, direita), o principal partido da oposição, ao afirmar que o plano busca "desviar a atenção" da tragédia ferroviária que deixou 45 mortos no sul do país em 18 de janeiro. "500.000 ilegais! O tirano Sánchez odeia o povo espanhol. Quer substituí-lo. Por isso pretende promover o efeito chamada por decreto, para acelerar a invasão", escreveu Santiago Abascal, do Vox, no X. A medida foi aplaudida por setores que há anos lutam pela regularização de migrantes, entre eles a Igreja Católica, que a considerou "um ato de justiça social". A última regularização em massa na Espanha ocorreu em 2005, sob o governo do socialista José Luis Rodríguez Zapatero.

Jan 27, 2026 - 13:30
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Espanha quer regularizar 500 mil imigrantes, a maioria latino-americanos

Venezuelanos fazem passeata em Madri, na Espanha, em dezembro de 2025 REUTERS/Ana Beltran No caminho contrário de grande parte da Europa, o governo de esquerda espanhol, de tendência pró-imigração, aprovou um plano de regularização de imigrantes que poderá beneficiar 500 mil pessoas, em sua maioria latino-americanas. ✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A medida excepcional permitirá regularizar em torno de "meio milhão de pessoas" que estão na Espanha há menos de cinco meses, que chegaram antes de 31 de dezembro de 2025 e não possuem antecedentes criminais, explicou a ministra de Migrações, Elma Saiz, na televisão pública. O plano, aprovado nesta terça-feira (27) por um conselho de ministros, prevê que as tramitações sejam iniciadas a partir de abril e se estendam até 30 de junho, para que estas pessoas possam "trabalhar em qualquer setor, em qualquer lugar do país", detalhou a ministra. "Hoje é um dia histórico para o nosso país. Estamos reforçando um modelo migratório baseado nos direitos humanos, na integração e compatível com o crescimento econômico e com a coesão social", afirmou Saiz posteriormente em coletiva de imprensa. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O governo espanhol do socialista Pedro Sánchez é uma exceção no quesito migratório da União Europeia, em contraste com o endurecimento da política de muitos países do bloco, sob a pressão da extrema direita. "Somos um país que defende firmemente um modelo migratório legal, seguro, ordenado, mas também aberto e humano, face aos que defendem fechar nossas fronteiras", disse Sánchez recentemente. Segundo o premiê, "80% do crescimento" econômico da Espanha nos últimos seis anos e 10% das receitas da segurança social do país devem-se à migração. O desemprego caiu para menos de 10% no quarto trimestre de 2025, e a maioria dos novos funcionários é estrangeira, informou o Instituto Nacional de Estatística nesta terça. Documentação Em novembro de 2024, Sánchez já havia anunciado uma reforma do regulamento de estrangeiros para regularizar 300 mil pessoas por ano no triênio seguinte, a fim de atenuar o envelhecimento da população em um país onde o número de nascimentos caiu 25,6% desde 2014, segundo dados oficiais. A Espanha conta com uma população de 49,4 milhões de habitantes, dos quais 7,1 milhões são estrangeiros. Em 1º de janeiro de 2025, residiam cerca de 840 mil imigrantes em situação irregular, a grande maioria da América Latina, segundo o centro de pesquisa econômica e social Funcas. Para facilitar sua aplicação, o governo aprovou o plano por meio de um "decreto real", que não precisa ser submetido a votação no Parlamento, onde o Executivo não possui maioria. Estas regularizações destinadas a apoiar a economia nacional ocorrem após um pacto entre o governo e o partido de extrema esquerda, Podemos, ex-aliado dos socialistas, mas ultimamente muito crítico do Executivo. "O racismo é respondido com direitos. Se eles sequestram crianças, assassinam, aterrorizam as pessoas, nós damos documentos", afirmou a eurodeputada do Podemos Irene Montero, criticando o governo americano de Donald Trump. 'Ilegalidade premiada' Esta regularização também ocorre após a estagnação no Parlamento espanhol de uma iniciativa popular assinada por mais de 600 mil pessoas, e com o apoio de cerca de 900 associações, que reivindicava a regularização de todos os imigrantes irregulares no país. A medida foi criticada pela direita e pela extrema direita. "Na Espanha socialista, a ilegalidade é premiada. A política migratória de Sánchez é tão disparatada quanto a ferroviária", criticou no X Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular (PP, direita), o principal partido da oposição, ao afirmar que o plano busca "desviar a atenção" da tragédia ferroviária que deixou 45 mortos no sul do país em 18 de janeiro. "500.000 ilegais! O tirano Sánchez odeia o povo espanhol. Quer substituí-lo. Por isso pretende promover o efeito chamada por decreto, para acelerar a invasão", escreveu Santiago Abascal, do Vox, no X. A medida foi aplaudida por setores que há anos lutam pela regularização de migrantes, entre eles a Igreja Católica, que a considerou "um ato de justiça social". A última regularização em massa na Espanha ocorreu em 2005, sob o governo do socialista José Luis Rodríguez Zapatero.

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